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Chico Mendes: um legado escamoteado por ambições políticas descabidas

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Será que se o líder sindical e ambientalista Chico Mendes estivesse vivo aprovaria alguns projetos recentes de produção do atual Governo do PT? Tenho as minhas dúvidas. Por exemplo, a exploração madeireira nas proximidades do Rio Purus, em Manoel Urbano, pode ser considerado um exemplo de sustentabilidade? Quase 200 mil hectares de floresta virgem à disposição de uma empresa portuguesa que conseguiu todas as licenças ambientais para exploração da área. Mesmo alegando tratar-se de “manejo florestal” até um leigo sabe das consequências que poderão derivar dessa empreitada da Cortex, aliás, nome bem sugestivo para uma madeireira. O Governo do PT não só apoiou a instalação dessa empresa como orgulha-se do investimento. Qual a vantagem para o Acre desse tipo de empreitada? Será que não haverá problemas nos regimes de chuva da Amazônia no futuro? E qual mesmo o lucro para os acreanos? Os empregos gerados têm qualidade? Os salários e as condições de trabalho são dignos? Ficam aí as perguntas no ar.

Questionamento
As outras empresas que tenho conhecimento criadas no modelo público-privado no Acre também não me parecem sustentáveis. O quê tem a ver produzir carnes de porco, de peixe e de frango com sustentabilidade? Sem falar que algumas dessas empresas tiveram investimentos de recursos públicos e não são propriamente exemplos de gestões. Como é o caso da Peixe da Amazônia S/A que tem passado por muitas dificuldades financeiras.

Terra do homem
E se a gente chegar em Xapuri, terra de Chico Mendes, também vamos verificar contradições em relação ao seu ideário. A Fábrica de Camisinhas certamente seria um projeto aprovado pelo Chico. Mas a falta de gestão levou o empreendimento à beira da falência sobrevivendo aos solavancos. O mesmo em relação a Fábrica de Tacos que não chegou a decolar. Enquanto a Reserva Extrativista que leva o nome de Chico Mendes sofre com a expansão da criação de gado. E a produção seringueira cada vez mais esquecida.

Um sopro de ar
O importante no legado do Chico é a sustentabilidade. Produzir preservando a floresta e os seus mananciais de recursos naturais. Isso, na prática, significa a preservação da vida no planeta. Porque a Floresta Amazônica é responsável por grande parte do oxigênio respirado pelos seres humanos. Chico Mendes também acreditava no trabalho em comunidade valorizando cada um no seu habitat natural. Valores que parecem terem sido esquecidos.

Apropriação indébita
Tampouco acredito que o Chico Mendes aprovaria o uso político partidário que ainda fazem do seu nome. Pelo que me consta o líder sindicalista nunca foi filiado ao PT. A verdade é que o sacrifício do Chico, assassinado trinta anos atrás, se tornou uma bandeira de preservação da natureza para o mundo inteiro. Então rapidamente se apropriaram desse legado para conseguirem o poder através de partidos políticos. Mas não foram fiéis aos ensinamentos deixados por ele. Essa é a minha impressão.

Positivo
Tem uma empresa francesa que produz tênis de qualidade comprando a seringa diretamente dos produtores da floresta. Um investimento privado sem dinheiro público que está ajudando muita gente. Agora, pergunto, por quê não incentivaram outras empresas nesse modelo?

Questão de foco
Por quê o atual Governo do PT não incentivou o estudo e a exploração do potencial da floresta para a produção de medicamentos e cosméticos? Não tenho dúvidas que seria um caminho harmonizado com a ideologia de sustentabilidade de Chico Mendes. Geraria milhares de empregos com qualidade no Acre sem devastar a floresta.

Engano fatal
As premissas do projeto de Florestania, no início do Governo de Jorge Viana (PT), ao contrário do que se diz, poderia ter trazido muita prosperidade aos acreanos. Produzir através de cooperativas (sérias e não picaretas) distribuindo a riqueza da floresta para os seus moradores. Mas faltou pesquisa para uma produção mais significativa e educação aos produtores. Esse engano acabou transformando o projeto, aos olhos da população, numa perseguição descabida aos moradores da floresta através das leis ambientais. A verdade é que não souberam instaurar a Florestania e serem fiéis aos seus princípios. A necessidade de vitórias eleitorais atropelou o processo no meio do caminho.

Deixem que os mortos enterrem seus mortos
Num momento de conservadorismo que o Brasil atravessa fico preocupado com a continuidade da exploração inadequada, na minha opinião, do legado do Chico Mendes. A ação prática não reflete a ideologia do seringueiro mais famoso do planeta. As palavras podem ser desconstruídas por aqueles que querem destruir a Amazônia mostrando os atos e as consequências dos que se dizem os seus herdeiros políticos. Uma pena porque preservar a floresta e ao mesmo tempo garantir qualidade de vida aos seus moradores seria um projeto a ser aplaudido de pé pelo mundo inteiro. Mas quem mora no Acre sabe que isso não aconteceu na sua plenitude. Se restringiu a algumas ações isoladas que não surtiram o efeito esperado para mudar o paradigma de miséria e isolamento dos moradores da floresta. Chico, na minha maneira de ver, não aprovaria uma gestão que deixou um saldo negativo na segurança pública e na saúde. Não associaria seu nome ao uso da máquina pública para empreitadas eleitorais. Mas como Chico Mendes não está mais em “matéria” entre nós resta pedir ao seu espírito que inspire as novas gerações a preservar a vida e a beleza das matas divinas que a cada dia estão mais em risco devido a sanha de poder político e financeiro de alguns falsos seguidores do seus ensinamentos.

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