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O desmonte da máquina eleitoral do PT acreano

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A política no Acre sempre esteve diretamente relacionada ao emprego. Quem tem nas mãos os cargos para distribuir aos seus apaniguados leva imensa vantagem em qualquer eleição. Sem falar da interferência na iniciativa privada que depende por aqui, sobremaneira, do Governo como seu principal cliente. Então o empresário que não comunga com o “poder” corre o risco de ficar alijado das benesses para tocar os seus negócios. O PT do Acre soube muito bem durante 20 anos administrar essa vantagem. Mas, sobretudo, nos últimos oito anos usou ainda mais fortemente a estrutura do Estado para tentar garantir a hegemonia do partido no comando do Acre. Se a gente olhar para os quase três mil cargos comissionados e mais milhares de outros empregos gerados pelas empresas terceirizadas ligadas diretamente à gestão poderemos ter uma ideia do tamanho da teia armada politicamente. No entanto, não contavam que o desperdício de recursos públicos para manter essa “máquina eleitoral” funcionando afetaria diretamente setores sociais essenciais importantes como a segurança, a saúde e a educação. Em todas essas áreas houve um decréscimo da qualidade de serviço à população. Consequentemente a insatisfação popular aumentou se refletindo no resultado eleitoral do Estado. A “máquina” deu pane e acabou funcionando numa rotação contrária. É só analisar os números, 65% dos eleitores votaram contra o atual Governo do PT (somando os votos de Gladson Cameli do PP e do Coronel Ulysses do PSL) e Jair Bolsonaro (PSL) teve quase 80% da preferência dos acreanos no segundo turno. O PT não conseguiu eleger nenhum senador e nem um deputado federal. Desastre total.

Reflexão
O novo Governo de Gladson Cameli deve refletir sobre esses fatos para não cometer enganos futuros. Não adianta o Estado distribuir “favores” e “empregos” e se esquecer do básico. Quem não recebe um atendimento decente numa
unidade de saúde se revolta, mesmo se algum parente estiver empregado na gestão. O mesmo vale para a segurança e a educação.

Feijão com arroz
Uma gestão estadual bem sucedida é aquela que atende as necessidades básicas da população. E para isso é preciso priorizar os investimentos. No Governo de Tião Viana (PT) tivemos Lago do Amor, Museu dos Povos Acreanos, várias empresas público-privadas (a maioria delas falidas) enquanto faltaram insumos básicos para a saúde pública que decaiu nos últimos anos. Será que se esses recursos próprios tivessem sido empregados nessas áreas essenciais a história não teria sido diferente?

Onde dói
Ainda falando da saúde, já que tivemos oito anos de um governador médico. O Hospital do Juruá que chegou a ser uma unidade de referência atualmente não tem leitos suficientes para atender a demanda. Nesse final de semana vi um vídeo de um paciente no HUEB da Capital segurando o tubo de uma máquina de oxigênio com defeito. Também a imprensa publicou que a falta de médicos poderá paralisar o atendimento em algumas unidades de saúde do interior. Será que essa situação não poderia ter sido ao menos amenizada com investimentos melhores direcionados?

Aqui não é a Suíça
Mas o fato é que tentaram vender a imagem do Acre como a Suíça da Amazônia. Parecia que as demandas dos serviços essenciais estavam todas resolvidas. Então se poderia formular “projetos mirabolantes” para enganar a opinião pública vivendo o seu calvário em filas de hospitais, sofrendo com a violência cotidiana e assistindo a decadência da qualidade do ensino nas escolas.

Questão ambiental
Mesmo o meio-ambiente que sempre foi uma marca dos governos do PT vendida com estardalhaço para o exterior passou por situações delicadas. Vejam o caso do projeto madeireiro da Cortex às margens do Rio Purus. Quase 200 mil hectares de florestas virgens para a exploração autorizada pelo atual Governo. As consequências ao meio ambiente poderão ser nefastas ao longo do tempo.

Culpa dos “outros”
Sempre que a situação apertava e faltava de recursos apertava numa dessas áreas essenciais o culpado passou a ser o “Temer”. Mas o presidente Temer ficou apenas dois anos no comando do país e o atual Governo do PT está há 20. Tem alguma coisa que não fecha nessa equação.

Ainda não entenderam?
Ouvi um petista estrelado declarando no dia da eleição do segundo turno que o “conservadorismo” teria tomado conta do planeta. Isso é verdade, mas o que determinou a derrota tão acachapante do PT no Acre não foi apenas a tendência conservadora, mas a péssima gestão que revoltou a população nos últimos anos.

Questão de escolha
A oposição que se tornou situação terá que escolher.  Distribuição de cargos políticos ou uma gestão eficiente que atenda as necessidades da população. Se repetirem o atual modelo terá vida curta no poder. Porque esse controle do Estado sempre acaba em perseguições e opressões daqueles que não comungam com a mesma forma de pensar. O troco acaba sendo dado na primeira eleição subsequente. Porque a revolta silenciosa é ainda mais perigosa do que a gritaria nas ruas.

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