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Bolsonaro e Haddad: os extremos perigosos da disputa presidencial

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O segundo turno das eleições presidenciais se tornou uma “guerra” nas redes sociais. O extremismo tomou conta dos brasileiros refletindo as posições ideológicas dos candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Houve muito mais “ataques” de um lado e do outro do que propriamente a apresentação de propostas para solucionar os graves problemas do país . Para os bolsonaristas o PT representa o comunismo, a corrupção e a extinção de valores tradicionais familiares. Por outro lado, os que apoiam o candidato do PT, acusam Bolsonaro de fascista, ditador, destruidor da natureza e censor da imprensa livre. Depois dessa campanha virulenta e radical não vejo em nenhum dos dois candidatos os atributos necessários para unir novamente o Brasil. Infelizmente, imagino que acontecerá como em 2014, na disputa Dilma (PT) e Aécio (PSDB), em que a eleição prosseguiu por mais quatro anos e até agora sentimos o efeito na economia, na política e na vida social dos brasileiros. O candidato moderado que pudesse acalmar a Nação através de uma vitória retumbante nas urnas não apareceu ou não conseguiu chegar ao segundo turno. Teremos provavelmente uma votação apertada que não dará um “cheque em branco” para o vencedor. Pior ainda é o fato que, seja qual for o resultado, teremos uma massa considerável fazendo oposição ao próximo presidente. Então a eleição que deveria pacificar o Brasil, na verdade, provavelmente trará ainda muitos problemas para a Nação que sairá mais uma vez dividida do pleito.

Virada improvável
As recentes pesquisas nacionais mostraram uma queda de Bolsonaro e uma subida de Haddad. Mas não acredito que haverá tempo para uma virada. A rejeição ao PT continua em altos patamares. Dificilmente Bolsonaro deixará de vencer a eleição e ser o próximo presidente.

Sobe e desce
A queda de Bolsonaro decorre da radicalização do seu discurso na última semana de campanha. Consequentemente a subida de Haddad se dá pelo mesmo motivo que alavancou o “militar” à liderança das pesquisas, o voto contra. Mas a insatisfação e a “vingança” dos eleitores para os inúmeros casos de corrupção nos governos petistas ainda deverá prevalecer.

Erro de estratégia
Seria natural o PT, mesmo com todo o desgaste, ter um candidato nas eleições presidenciais. Mas não poderia ser o Lula (PT) que está preso em Curitiba. Porque muitos se esquecem que Haddad é apenas o seu substituto. Impedido pelo TSE de prosseguir na campanha Lula jogou todas as fichas na candidatura alternativa de Haddad, que teve um tempo menor que os outros candidatos de campanha. Portanto, quem limitou o desempenho do Haddad foi o próprio PT com uma estratégia equivocada.

Forçando a barra
Lula não jogou na pré-campanha pela união da “centro-esquerda”. Se impôs como candidato e “salvador da pátria”. Na minha opinião, a sua vaidade e o senso de autoproteção impediram que houvesse uma articulação mais eficiente dos partidos considerados progressistas e democráticos. A ação política de Lula e dos dirigentes do PT submissos a sua liderança, dividiu e não uniu as forças progressistas e democráticas.

Deu certo, em parte
Agora, na minha avaliação, Lula conseguiu em parte aquilo que desejava. Levar o seu candidato ao segundo turno e praticamente “obrigar” os eleitores que rejeitam o Bolsonaro a votarem novamente no PT. Se essa votação será suficiente para ressuscitar o PT só as urnas deste domingo, 28 dirão. Mas me parece “improvável”.  

Ilusão
Outro ponto importante a se destacar é que os votos que Haddad terá neste domingo não são na maioria de eleitores que apoiam o PT. Mas daqueles que optaram por um “mal menor” com medo do autoritarismo de Bolsonaro. Então os petistas criaram uma “bolha de ilusão” e podem ainda ser responsabilizados se o Brasil escorregar nos trilhos da democracia com o resultado eleitoral.

Tábua de salvação
Uma das maiores idiotices que tenho lido nas redes sociais são as acusações dos petistas ao Ciro Gomes (PDT), que não conseguiu ir ao segundo turno, por uma provável derrota de Haddad. Ciro era o único presidenciável que as pesquisas mostravam ter chance de vencer o Bolsonaro no segundo turno. Mas foi massacrado por Lula nas articulações da pré-campanha que conseguiu isolá-lo politicamente sem apoio de praticamente nenhum partido de “centro-esquerda”. Agora, queriam que ele voltasse da Europa dando “viva ao PT”, o que efetivamente não aconteceu. Afinal quem é espancado, cuspido, desprezado e depois volta celebrando o seu detrator?

Tudo nas mãos
Não acredito que o Bolsonaro possa dar um autogolpe nos primeiros anos do seu Governo entregando o país a uma ditadura militar. Ele terá a maioria folgada no Congresso Nacional para fazer as mudanças constitucionais que pretende. Deverá sair ungido pelas urnas e alçado ao cargo como o “vingador do PT e das supostas esquerdas”. Viverá uma “lua de mel” com os seus eleitores e políticos por um tempo que só Deus sabe quanto durará.

Esperança
Espero que saindo vitorioso das urnas Bolsonaro adote um discurso de união. Se fizer isso terá muito mais facilidade para governar. Os problemas do país são seríssimos na segurança pública, na economia e no desenvolvimento social. O olho por olho e dente por dente, como diria Gandhi, transformará o Brasil numa Nação de cegos e banguelas.

Não enganou
Agora, também é fato que Bolsonaro não enganou os seus eleitores. Mostrou as suas verdadeiras intenções contrapondo tudo aquilo que é considerado “politicamente correto”. Se tornou uma espécie de anti-candidato falando o que vinha na sua cabeça sem medo de perder votos. Mas como terá uma equipe ministerial ampla e sentirá na pele as dificuldades de governar uma país dividido pode ser que opte por um tom mais moderado e conciliador por questão de sobrevivência.  

Desejo do Acre
Certamente o Acre dará uma das maiores votações proporcionais ao Bolsonaro de todo o país. Acredito que possa chegar à marca de 80% dos votos válidos. Isso será mais um reflexo dos 20 anos de governos petistas no Estado. O governador eleito Gladson Cameli (Progressistas) declarou o seu voto no Bolsonaro, com quem conviveu na Câmara dos Deputados e dentro do PP. Portanto, não deverá ter dificuldades de interlocução com o provável novo presidente para conseguir os recursos necessários ao seu projeto de gestão. Gladson, inclusive, me disse que falou por telefone com Bolsonaro assim que venceu a eleição no Acre.      Mesmo o seu vice, o deputado federal Major Rocha (PSDB), também conviveu com Bolsonaro na Câmara. Sem contar que da bancada federal do Acre no Congresso Nacional a tendência é, dos oito deputados eleitos, sete apoiarem o Bolsonaro, além dos três senadores.

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