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A “maldição” eleitoral da presidência da Assembleia Legislativa do Acre

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Com um orçamento anual de quase R$ 200 milhões a ALEAC tem na sua presidência o cargo político mais atrativo do Estado depois de governador. Para se ter uma ideia esses valores representam muito mais que o orçamento da prefeitura de Cruzeiro do Sul, o segundo maior município do Acre. No entanto, eleitoralmente falando, parece que tem uma “caveira de burro” enterrada na cadeira dos chefes maiores da ALEAC. Nas últimas três eleições os seus presidentes amargaram derrotas “acachapantes” nos pleitos que participaram. Edvaldo Magalhães (PC do B), em 2010, perdeu a disputa ao Senado para o Sérgio Petecão (PSD). Enquanto, em 2014, Élson Santiago (PTC) não conseguiu nem mesmo se reeleger deputado estadual. E nas recentes eleições, Ney Amorim (PT) ficou em quarto lugar na corrida a uma das vagas ao Senado. Ou seja, mesmo com todo o poderio que tem o presidente da ALEAC parece que os mais recentes ocupantes do cargo não conseguiram traduzir em votos a teórica vantagem que tinham. O próximo presidente, se quiser ter uma continuidade política feliz, deve jogar sal grosso na ampla sala de comando da ALEAC para não seguir o caminho dos seus antecessores.

Emblemático
Entre os três presidentes, na minha opinião, o melhor foi o Edvaldo. Conseguiu deslocar o eixo do Poder Legislativo acreano para o interior. O projeto Assembleia Aberta dialogou com a população do Estado de maneira eficiente. Mas na hora da eleição Edvaldo não conseguiu aproveitar o mapeamento político que tinha feito do Acre e que estava em suas mãos.

Se fazendo de morto
Aliás, encontrei esses dias o Edvaldo que conseguiu se eleger deputado estadual contra todos os prognósticos. Perguntei a ele como tinha conseguido a façanha depois de ficar oito anos sem mandato. A resposta: “Ainda bem que não me consideravam favorito, senão o fogo amigo teria sido pesado em cima de mim”.

Jogo duro
Ney e Élson participaram das eleições de 2018. Um teve que enfrentar disputas partidárias internas e acabou perdendo a vaga ao Senado. Élson mudou-se para a oposição, depois de muitos anos na FPA, e mesmo assim não se elegeu deputado estadual.

O pau vai quebrar
Mal acabou a eleição e já começaram as apostas para saber quem será o próximo presidente da Casa. Entre os favoritos está o deputado Luiz Gonzaga (PSDB) com a experiência de cinco mandatos. José Bestene (Progressistas), Gehlen Diniz (Progressistas), Roberto Duarte (MDB), Meire Serafim (MDB) e Antônia Sales (MDB), todos de olho na cadeira. Essa disputa será de tirar o folego e certamente trará muitas dores de cabeça ao novo governador Gladson Cameli (Progressistas).

Poderoso
O ex-prefeito Vagner Sales (MDB) elegeu a deputada federal, Jéssica Sales e, a esposa, Antônia Sales (MDB), estadual. Ajudou muito na eleição de Márcio Bittar (MDB) ao Senado. Deve cobrar a fatura do governador eleito em breve. O recado foi dado na noite de celebração da sua vitória em Cruzeiro do Sul.

Alvos
Elegendo os passageiros da sua balsa, Vagner colocou o atual prefeito Ilderlei Cordeiro (Progressistas) e o candidato derrotado a deputado federal Rudilei Estrela (Progressistas). Também não escondeu a mágoa pela preferência de Gladson pelo concorrente Estrela. Isso ainda vai dar muito o que falar.

Plano B
Ilderlei Cordeiro foi leal ao deputado federal reeleito Alan Rick (DEM), que teve mais de mil votos em Cruzeiro do Sul. Deixou o parlamentar trabalhar politicamente com apoio da sua gestão. Será um alento para conseguir recursos ao município.

Coerência
Mesmo com Ilderlei como desafeto declarado da sua família, não acredito que a Jéssica irá se negar a destinar emendas para Cruzeiro do Sul. É ali que a ótima parlamentar tem a sua maior base eleitoral. Além do fato que se os Sales desejam recuperar a prefeitura em 2020 terão que mostrar serviço.

Trégua vencida
Mas não tenho dúvida que Cruzeiro do Sul viverá um dos seus mais longos períodos pré-eleitorais para a escolha do novo prefeito. Três grupos políticos adversários entre si estão bem claros. O do Ilderlei, o do Vagner e o do pessoal do PT. O palanque não será desmontado no município até 2020.

Anatomia da derrota
As “brigas” entre os membros do PT continuam nos bastidores depois da derrota para Gladson Cameli. A procura por um culpado acaba gerando “fogo amigo” para todos os lados. Acredito que até o próximo ano figuras importantes do “império petista” deverão mudar de lado.

Questão de visão
Alguns culpam a prefeita de Rio Branco, Socorro Neri (PSB), por não ter entrado de cabeça na campanha de Marcus Alexandre (PT). Na minha opinião, a gestora foi ética e não deixou “aparelharem” a prefeitura. Fez campanha como cidadã, mas manteve de maneira republicana a instituição fora das eleições.

Mudança de ares
Acho que duas prefeitas que estão indo bem nas suas gestões devem analisar com calma a atual conjuntura política. Tanto Socorro quanto Fernanda Hassem (PT) já se mostraram muito mais preocupadas com a população dos seus municípios do que com questões ideológicas. Se for necessário podem e devem até pensar em mudanças. Se isso for melhor para as gestões não vejo problema nenhum.

Imprensado
O caso mais complicado é o de Socorro Neri. Com muitos petistas desempregados, a partir de 2019, vão querer espaço na sua prefeitura. Se Neri bobear tiram ela da cadeira, mesmo ainda estando no mandato com a garantia constitucional. Se quiser entrar forte na disputa pela reeleição a prefeita terá que fazer opções que deixarão muitos petistas ainda mais “magoados” com ela. Tudo será uma questão de escolha, se quer ou não manter as rédeas da gestão em suas mãos. Ou se vai ser apenas uma “marionete” nas mãos dos “companheiros”. Aguardemos.

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