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Apontados por Sebastião como críticos, rios do Juruá têm pouca presença do Estado

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Foto: Fábio Pontes

Vizinho a uma das principais regiões produtoras de cocaína do Peru, o Vale do Juruá, no Acre, tornou-se um dos territórios mais disputados pelas facções criminosas pelo controle das rotas de tráfico. Comunidades ribeirinhas e indígenas são assediadas por traficantes para servirem de base para a atuação dos “mulas” e esconderijo de drogas.

Os rios são as estradas que levam a cocaína peruana para os grandes mercados consumidores. Por via fluvial ou andando dias pela mata fechada, os “mulas” tentam transportar a droga a centros como Cruzeiro do Sul ou Manaus, e de lá embarca-la para o mercado nacional e internacional.

Quando não são presos pela polícia, muitos são mortos ao cruzar o caminho de facções rivais. O problema dos rios do Juruá já é de conhecimento das autoridades, sendo reconhecido pelo próprio governador Sebastião Viana (PT) como de situação crítica.

Em entrevista à imprensa no último dia 12, Viana afirmou que o rio Juruá-mirim “está fortemente contaminado pelas facções”. “Nós temos o rio Juruá, o Juruá-mirim, o Paraná dos Mouras, o rio Azul, o rio Tejo, o rio Breu, o rio Amônia e aqui o rio Iaco, o rio Purus e o rio Acre dando passagem”, explicou o governador sobre as “rotas hidrográficas” do tráfico.

Mesmo assim, a presença do Estado nestas regiões é bastante tímida. Por estar em uma zona de fronteira, a responsabilidade de sua fiscalização é do governo federal. O único sinal da presença do governo brasileiro são as bases do Exército.

Para todo o Vale do Juruá, contudo, só há a existência de dois destacamentos para proteger todos estes rios e uma linha de fronteira a se perder de vista. A região está sob responsabilidade do 61º Batalhão de Infantaria de Selva (BIS).

Na margem direita do rio Moa, em Mâncio Lima, fica o Destacamento Especial de Fronteira de São Salvador. O manancial dá acesso ao Parque Nacional da Serra do Divisor, sendo a serra o limite da fronteira entre Brasil e Peru. Em Marechal Thaumaturgo há outra base militar, onde fica a única pista de pouso do município.

Pela São Salvador, todas as embarcações são obrigadas a parar para ser revistadas, e os passageiros obrigados a apresentar documento de identidade.

Fora essa presença, mais as operações militares esporádicas, a região fica livre para a passagem de drogas e a prática de crimes ambientais. É comum caso de peruanos que invadem o território brasileiro para retirar madeiras nobres. A ausência do Estado nesta região estratégica contribui para que o crime organizado atue sem mais perturbações.

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Destaque 2

Agentes socioeducativos clamam por socorro

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“Não temos rádio comunicador e tem noites que apenas 3 agentes cuidam de 80 adolescentes de alta periculosidade. Clamamos por socorro”, diz agente de pousada do menor.

Falta de material de trabalho, salário defasado, quadro de pessoal reduzido e ainda “cuidar” de jovens criminosos, onde a maioria é integrante de facção e alguns com mais de um homicídio na ficha criminal.

Essa a realidade dos agentes socioeducadores que fazem parte do Instituto Socioeducativo do Acre (ISE), e que são responsáveis por manter a ordem e a disciplina nas unidades onde estão detidos menores envolvidos com a criminalidade.

O ac24horas foi procurado por agentes, que preferem manter o anonimato, e que denunciam as péssimas condições de trabalho. Um deles afirma que um dos centros é uma bomba-relógio prestes a explodir. “No Centro Socioeducativo Aquiry, por exemplo, estamos trabalhando sem rádio comunicador. Estamos usando os nossos celulares particulares por conta que os rádios estão quebrados. Isso representa um risco muito grande porque trabalhamos com adolescentes de alta periculosidade. Quase todos são de facções, alguns mesmo ainda menores, já tem mais de um assassinato nas costas. O risco de fuga e de motins é constante”, diz o agente.

Existe uma denúncia ainda mais grave. Segundo o agente, existem plantões onde apenas 3 profissionais se revezam durante toda a noite para monitorar mais de 80 jovens criminosos. “Estão ficando somente 3 ou quatro agentes no período da noite cuidando de mais 80 adolescentes. Tudo isso por conta do quadro reduzidíssimo de agentes socioeducativos. Um efetivo desse não consegue conter uma tentativa de fuga”.

As reclamações não param por aí. Os agentes denunciam as péssimas condições físicas de algumas unidades, falta de farda, água mineral e salário defasado. “Não temos uniforme para os servidores, nem água mineral para os agentes estava sendo oferecida. Algumas unidades precisam urgente de reformas porque estão caindo aos pedaços e em muitas de noite, a iluminação é precária. Da arear da segurança pública somos a única categoria que não tivemos reajuste salarial desde 2014. Com a mudança no governo, achávamos que a categoria ia melhorar. Vivemos anos escuros na gestão do PT, mas infelizmente continua tudo igual”, afirma.

O outro lado

Diante de um cenário caótico relatado pelos agentes socioeducativos, o ac24horas foi atrás de ouvir o que o ISE tem a dizer sobre as denúncias.

Rogério Silva, diretor-presidente do ISE, confirmou que os agentes estão trabalhando sem rádio comunicador. “Em relação aos rádios, realmente existe uma deficiência. Estamos tentando recuperar em parceria com outras instituições como a Polícia Civil e o Iapen que possuem profissionais para tentar recuperar alguns rádios, enquanto iniciamos um processo licitatório para aquisição”, afirma.

Em relação à falta de uniforme, Rogério também confirmou a denúncia. “Reconhecemos que este ano ainda não teve a distribuição de uniforme para os agentes. Quanto a água mineral, o problema também existiu. “Era outra deficiência que tínhamos, mas já conseguimos superar”, afirma Rogério.

Por fim, o presidente do ISE falou sobre o quadro reduzido e também confirmou que há uma defasagem de profissionais.

“Nós temos um quadro para atender uma previsão de 230 adolescentes. Hoje, esse número de adolescentes internados aumentou bastante em virtude do contexto que o estado vive em relação à segurança pública. Atualmente, são 523 internos em todas as unidades. Estamos com dessa defasagem e já encaminhamos um pedido de concurso público para a Casa Civil”, afirma Rogério.

O presidente do ISE afirma que apesar de todas as dificuldades os socioeducadores já tiveram melhorias. “Em face de todos os problemas, conseguimos retomar o banco de horas, distribuímos coletes e algemas para as unidades e atualizamos as promoções”.

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Destaque 2

Calegário surpreende oposição e vota a favor do governo em alteração da LDO

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FOTO: SÉRGIO VALE - AC24HORAS

O deputado Fagner Calegário (sem partido) parece ter cedido aos encantos do poder. O parlamentar que estava sumido dos principais debates da Casa nos últimos dias, surpreendeu a todos (imprensa e oposição) ao votar favorável ao projeto de lei que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Calegário, que cumpria agenda no interior do Estado na terça-feira, 15, não participou da manobra do governo na casa que desarquivou o projeto que havia sido arquivado na semana passada, porém marcou presença na Aleac somente na tarde de hoje, na reunião conjunta das Comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e Orçamento e Finanças (COF).

Antes de iniciar a votação, o deputado Edvaldo Magalhães pediu que a base de oposição e independentes se reunisse para definir uma estratégia. Calegário se levantou da cadeira e foi ao encontro do grupo.

Mas ao retornar, durante a votação nominal, revelou que votaria a favor do governo. “Continuo seguindo minha postura independente, mas votarei a favor da proposta do governo com intuito de interesse do Estado e da população”, disse.

A manifestação surpreendeu a todos. Desconcertado, o deputado Edvaldo Magalhães veio até a cabine de imprensa e revelou que o governador ligou para o Calegário antes da votação. Já o petista Jonas Lima foi mais ferino e tascou: “choveu no roçado”, disse.

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