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O que você faz com essa tal liberdade?

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O que é ser livre?

O que é liberdade?

Não me refiro à liberdade do corpo. A liberdade de ter o peso que eu bem entender, de viver como eu bem quiser. Não. Não é disso que quero falar. Eu que falo demais, escrevo demais, só quero calar. Só quero esconder-me na concha protetora dos braços do Pai. E, na boa? Tenho até receio de ficar muito tempo, pois sei que mesmo Ele me amando incondicionalmente e sempre fazendo o que é melhor pra mim, a vontade que tenho é de fazer algumas perguntas impertinentes (e para as quais não há resposta). E mesmo tendo absoluta liberdade para isso, sei que não devo fazê-lo. Não é preciso. Para certas coisas não há explicação. Elas são assim e pronto.

Aceite, Charlene. Aceite.

Aceito. Aceito. Mas não sem dor.

E ser livre?

Ser livre é sentir dor. Ter liberdade é saber que você está preso a amarras que jamais serão dissipadas. Elas foram estabelecidas antes da fundação do mundo. Muito, muito antes de mim ou de você nascer. Por mais que você queira, que você deseje, lute, fuja, se esconda, eles estarão sempre ali. Às vezes ao teu lado. Às vezes distantes, mas sempre ali.

O que digo aqui não é tese de ninguém (se é, não sei), não é teologia ou escatologia. É apenas uma constatação do que penso e vivo. Tenho vivido intensamente essa liberdade aprisionada (estranho, esse jogo de palavras, né?) nos últimos anos. Acreditava ser livre, solta, independente. Sinceramente pensava poder viver do jeito que bem entendesse (seguindo princípios, claro), que o passado estava lá onde deveria estar: bem longe, para trás das últimas colinas.

Constatei que não é bem assim.

Certas coisas e certas pessoas não passam. Elas ficam. Estão sempre aqui. Estão sempre ali. Você pode ignorá-las, rejeitá-las, mas elas estão lá. E estão aqui bem juntinho de ti, no recôndito do teu coração. E tão importante quanto elas são para você, você é para elas. Simples assim.

Claro que me refiro a situações especiais e especificas. Não são questões genéricas. Não, não. Não são todas as pessoas da sua vida, as que passaram e as que ficaram, que são assim.

Algumas, inclusive, devem ser rapidamente descartadas.

Devem e merecem um unfollow como os rappers americanos deram no Kanye West Rihanna e mais uns 10 milhões de fãs, segundo alguns sites, só por ter defendido o Trump no Twitter (meio exagerado a princípio, mas esse é o mundo de hoje, um mundo onde a realidade é virtual e a aparência do bem e do mal é ditada pelas redes sociais. O nós e eles, blá, blá…)

Mas esse é outro assunto…

Voltemos à inicial…

Quando me refiro à permanência constante, estou mencionado almas-irmãs. Pessoas especiais, separadas por Deus para seguir contigo (e comigo) nessa longa ou breve caminhada da vida. E por falar em almas irmãs, usarei de um código para dizer que não há liberdade mais poderosa que a liberdade da alma, aquela que te diz: seja livre/ande comigo através dos Campos Elysios…

Nisso, sinto-me afortunada. Afortunada por experimentar essa liberdade. Por estar ligada emocionalmente e espiritualmente a pessoas muito, muito especiais. Almas-irmãs. Algumas já não estão mais aqui. E a ausência dói, dilacera o corpo, a mente, o coração. Mas a alma, ah, alma!! A alma é livre, querido leitor! E por ser livre, ela sabe que continuamos (nas palavras da turma da modernidade) mais juntos e misturados do que nunca.

Em “A Alma Imoral”, o rabino Nilton Bonder escreve:

“Aqueles que se permitem transgressões da alma com certeza são vistos e recebidos pelos outros como estrangeiros. Os que mudam de emprego radicalmente, os que refazem relações amorosas, os que abandonam vícios, os que perdem medos, o que se libertam e os que rompem experimentam a solidão que só pode ser quebrada por outro que conheça essas experiências. A natureza da experiência pode ser totalmente distinta, mas eles se tornarão parceiros enquanto ‘forasteiros’.”

Prefiro ser forasteira, afinal sou mesmo estrangeira nessa terra. Sempre fui. Nesses últimos anos a que me referi lá em cima, fiz um longo caminho de volta a algumas raízes. Por pura indicação divina (sim, orientação do alto, porque de mim mesmo jamais faria isso), reconstruí estradas, caminhos, varadouros e algumas pontes. Não foi e não tem sido um processo fácil. Não mesmo. Houve choro, ranger de dentes, inquietudes e dor, muita dor no meio do caminho.

Nele reencontrei amigos, abandonei cargas desnecessárias. Em um desses dias da caminhada escrevi nos meus alfarrábios o texto abaixo:

“A tarde se arrastava como se não tivesse fim. Coração aflito, lágrimas querendo beijar meus olhos resistentes. E eis que o celular toca. Você olha aquelas sete letrinhas que precedem o número e o seu coração abre um largo sorriso. Conhece essa sensação? Pois é… Aconteceu comigo em um daqueles dias com 50 tons de cinza. Não vou mentir. É uma sensação deliciosa. Parece que a dor evapora. Foi mais ou menos assim:

– Oi?

– Oi, tudo bem?

– Tudo bem, meu amigo?

– AMIGO?!?!?

– Não, não… Meu amoooor!!!!! Tudo bem, meu amor??

– Melhorou…

– Você sabe que você é o meu amor…”

O texto faz parte de uma breve conversa com um velho amigo. Amigo-irmão de quem mantive uma distância regulamentar por alguns anos. A vida me cobrou um gesto. Eu decidi ceder e aceitar. Foi a melhor coisa que fiz. É libertador restabelecer laços, vínculos, pontes…

Terça-feira, assim borocochô, achando tudo cinza e numa troca de mensagens disse a esse amigo: quando puderes me liga. Dois minutos depois o telefone toca:

– Oi…

– Oi.

– O que é que tu tem, Charlene Maria?

– Acho que tô precisando do ombro de um amigo.

– Chá, não sou teu amigo, sou teu irmão. É claro que você pode contar comigo…

Moral da história: amigo, amigo de verdade, estende a mão, o pé, o braço, o abraço e o ombro em todo tempo. Longe ou a milhões de milhas de distância.

Tem como não amar?

Como disse, nessa trajetória reencontrei velhos amigos e amigas. Gente de longe e de perto. Gente querida e amada. Gente que me faz bem, que me faz feliz, que me ajuda na jornada, na caminhada. Gente que sofre e se alegra. Gente como a gente. Gente que me sustenta, gente que ajudo a sustentar. Gente que cuida de gente. Gente que ama a gente. Assim do jeito que somos. Diante da preciosidade desse tempo eu sorrio, pois “mesmo sozinha/ amedrontada, sigo em frente mesmo sabendo que dei apenas os primeiros passos”.

Livre.

E sem culpa.

Ou nas palavras do Rabino Bonder:

“Toda a compreensão que temos dos outros deriva de nós mesmos. Quando nos identificamos com alguém e podemos aceitar sua forma de ser, significa que encontramos em nós mesmos elementos semelhantes ao outro. Identificamo-nos com os outros quando entendemos existir em nós as mesmas limitações, angústias e ansiedades que experimentam. Por esta razão, para que este mundo seja mais tolerante é fundamental que as pessoas se conheçam mais.”

Só não esqueça de uma coisa: embora a gente se prenda muito ao Corpo de Cristo, ele não está pregado numa cruz no madeiro. Ele ressuscitou. Ele morreu por mim e por você. E sabe pra quê?

Para nos fazer livres!

Carinhos meus,

Acre

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