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Jorge Viana: “Tem gente já montando esquemas financeiros para tentar vencer as eleições”

Nelson Liano Jr.

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Em Brasília, conversei com o senador Jorge Viana sobre o atual quadro eleitoral do Acre. Ele ressaltou os riscos para os candidatos que usarem esquemas financeiros na campanha. Segundo o senador, poderão ganhar, mas não levarão a fatura devido a fiscalização que será intensa. Também conversamos sobre alguns dos principais problemas que afligem a população acreana com destaque para a violência e as formas de combate-la através das leis. Outros temas foram os preços absurdos de passagens aéreas, dos combustíveis, da energia elétrica e das condições de telefonia móvel e internet no Estado. Confira:

AC24horas – Como o senhor analisa o quadro de disputa eleitoral majoritária para Governo e Senado que está se definindo no Acre?

Jorge Viana – Temos um nome extraordinário para a disputa do Governo nesses tempos difíceis que é o do Marcus Alexandre (PT). Ainda faltando mais de um ano, a eleição já estava polarizada com o Gladson Cameli (PP) e o Marcus. Mas a oposição como sempre se dividiu entre o grupo do Bocalom e dos outros partidos em torno do Gladson. Entendo que as nossas chances serão grandes se com humildade e oferecermos uma mudança. Como diz o governador Tião Viana (PT), com o Marcus vamos viver uma etapa nova no projeto da FPA. Vai depender mais da gente porque a oposição não se une. Eles não confiam uns nos outros e isso nos ajuda a ter uma perspectiva de vitória.

AC24horas – A gente tem visto que a Lava Jato e as outras operações da Polícia Federal estão quase sempre relacionadas às campanhas eleitorais. Haverá financiamento público de campanha, mas a gente sabe que sempre
existem esquemas paralelos. Como o senhor vê essa questão do dinheiro na campanha eleitoral de 2018?

JV – Acho que o problema da corrupção é algo que existe e o seu combate deve ser uma prioridade. O que lamento da Lava Jato, prende-se gente e se persegue pessoas, como é o caso do Lula (PT), mas ninguém discute um modelo que o Brasil precisa ter de governança para evitar a corrupção. O pior é a classe política. Estamos a menos de um ano da eleição e parece que a ficha não cai. Começo a ouvir um zum zum zum das pessoas montando esquemas para tentar
vencer eleição. Esses esquemas podem até vencer, mas podem não assumir os mandatos. Na última eleição 25% dos prefeitos do Acre foram presos. Todos nós temos que entender que existe um movimento da sociedade exigindo uma mudança no modelo político partidário e uma cobrança das instituições que têm a prerrogativa de nos investigar, nos julgar e até de nos condenar. Eu particularmente vou entrar na campanha levando em conta essa indignação da sociedade e, ao mesmo tempo, respeitando as instituições. Temos a obrigação de fazer uma campanha com ética e transparência. Não basta ser honesto, tem que parecer honesto, como dizia Ulysses Guimarães.

AC24horas – Por falar em campanha, um dos principais temas a ser debatido é a violência. A gente tem visto candidatos militares com a bandeira de combate à criminalidade. O senhor tem se empenhado em tornar a lei de
crimes contra a vida mais rigorosa. Isso é para inibir a criminalidade?

JV – Essa talvez seja uma das questões mais importantes do próximo processo eleitoral. A violência virou uma doença da sociedade brasileira e não é culpa só dos governos e das desigualdades sociais. E nem só da legislação. Países vizinhos nossos são menos violentos que o Brasil como a Bolívia, o Peru, o Paraguai, o Uruguai, a Argentina e o Chile. Tivemos aqui 62 mil assassinatos em 2016 e mais de 70 mil este ano. Quando fui governador enfrentamos o crime organizado que tinha 50 mortes para cada grupo de 100 mil na região do Rio Branco. A violência foi para o interior e a matança está acontecendo em todos os lugares. Não é só no Acre que existe esse problema. A segunda Capital mais violenta do Brasil é Porto Alegre (RS) e Natal (RN) está vivendo um drama porque vive do turismo e está disputando o primeiro lugar em violência. O Rio de Janeiro virou um caso das Forças Armadas. O governador Tião Viana fez uma coisa muito produtiva. Essa agenda no Acre de trazer todos os governadores para assumirem que o problema é do país inteiro. E o Congresso tem sido omisso. Desde que cheguei aqui eu luto pra reformar o Código Penal que é dos anos 40. Essa semana mesmo apresentei uma proposta de mudança na Constituição para que todo o crime contra a vida seja cumprido em regime fechado. Sabe o que a Lei estabelece hoje por uma decisão STF? A pessoa mata outro e se tem um advogado razoável vai cumprir o crime de tirar a vida do outro em liberdade. Eu sou radicalmente contra isso porque a vida não está valendo nada. Então nós temos que mudar a legislação para ajudar no processo de combate à violência. Hoje se uma pessoa maltratar um animal e a outra maltratar uma criança, quem vai ter a pena maior é a que maltratou o animal. Só vou sossegar quando o nosso país voltar a ser pacífico. É uma vergonha a violência que o Brasil vive com as mais 70 mil mortes nos municípios brasileiros.

AC24horas – Pra encerrar. O Acre, apesar das estradas, depende sobremaneira do transporte aéreo. E as passagens para ir e voltar têm preços absurdos. Pela distância do Centro-Sul do país viajar de avião para os acreanos não é um luxo, mas uma necessidade. O senhor tem batalhado para reduzir o preço das passagens aéreas mas o que a gente tem de concreto para acabar com esse isolamento do Acre?

JV – Eu e o senador Randolfe (Rede-AP) estamos trabalhando juntos para ver se a gente consegue ampliar o número de voos no Brasil em 200, num primeiro momento, até abril. Isso se eu conseguir aprovar o Projeto que estou relatando no Senado. Aumentando a oferta de voos, inclusive para o Acre, teremos uma redução natural do preço das passagens. É uma vergonha o Acre ter a passagem mais cara do Brasil. Esse assunto é uma prioridade. Mas trabalho em outros temas muito vinculados ao consumidor. O Acre não pode seguir tendo a gasolina, o óleo diesel e o gás de cozinha, mais caros do Brasil. A energia elétrica é outro problema porque nós temos as hidroelétricas do Madeira que usam água do rio Abunã. Não podemos ficar pagando bandeira vermelha. E um outro aspecto que tenho lutado muito é para melhorar a telefonia móvel e internet no Acre. Isso é básico para a nossa infraestrutura que permitirá o Estado se desenvolver no Século XXI. Agora mesmo, por conta daquele apagão, em que as duas linhas de fibras óticas foram rompidas e ficamos quase 24 horas sem telefone e internet. Isso é um prejuízo incalculável. Qual a solução? Colocar uma terceira linha e o presidente Eduardo Navarro da Vivo já assumiu esse compromisso. Vão começar imediatamente essa terceira linha de fibra ótica. Vamos melhorar a qualidade do telefone e da internet no Estado inteiro, de Cruzeiro do Sul a Assis Brasil.

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