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Proclamação da República: 128 anos depois, historiadores concordam que monarquia sofreu um ‘golpe’

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Meses após o Marechal Deodoro da Fonseca enganar a própria mulher, burlar as recomendações médicas e levantar da cama – onde havia passado a madrugada daquele 15 de novembro febril – para proclamar a República brasileira, o país já conhecia a primeira crítica articulada sobre o processo que havia removido a monarquia do poder em 1889.

Escrito pelo advogado paulistano Eduardo Prado, o livro Os Fastos da Ditadura Militar no Brasil, de 1890, argumentava que a Proclamação da República no Brasil tinha sido uma cópia do modelo dos Estados Unidos aplicada a um contexto social e a um povo com características distintas.

A monarquia, segundo ele, ainda era o modelo mais adequado para a sociedade que se tinha no país. Prado também foi o primeiro autor a considerar a Proclamação da República um “golpe de Estado ilegítimo” aplicado pelos militares.

Hoje, 128 anos depois, o tema voltou ao debate público: enquanto diversos historiadores apontam a importância da chegada da República ao Brasil, apesar de suas incoerências e dificuldades, um movimento que ganhou força nos últimos anos – principalmente, nas redes sociais – ainda a contesta.

“A proclamação foi um golpe de uma minoria escravocrata aliada aos grandes latifundiários, aos militares, a segmentos da Igreja e da maçonaria. O que é fato notório é que foi um golpe ilegítimo”, disse à BBC Brasil o empresário Luiz Philippe de Orleans e Bragança, tataraneto de D. Pedro 2º, o último imperador brasileiro, e militante do movimento direitista Acorda Brasil. No anúncio do último congresso do Movimento Brasil Livre (MBL), em que foi um dos palestrantes, Luiz foi apresentado e festejado como “príncipe”.

“Quando há ilegitimidade na proclamação de qualquer modelo de governo, não se consegue estabelecer autoridade e, dessa forma, não se tem ordem. É exatamente isso que aconteceu na república: removeram o monarca e, no momento seguinte, foi um caos”, completa ele, justificando a partir da história os solavancos recentes da democracia brasileira.

Desde o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016, o movimento pró-monarquia foi impulsionado pelas redes sociais e pela presença de grupos monarquistas nas manifestações contra o governo petista, entre 2015 e 2016 – muitos deles, empunhando bandeiras do Brasil Império.

Um movimento de elites
A ideia de que a Proclamação da República foi um “golpe” é engrossada pelo historiador José Murilo de Carvalho, que acabou de lançar seu oitavo livro sobre os períodos monárquico e republicano do Brasil: O Pecado Original da República (Bazar do Tempo, 294 páginas). Um dos intelectuais mais respeitados no país, Murilo também admite que é possível discutir a legitimidade do processo, como reivindicam os monarquistas atuais.

“Para se sustentar [a reivindicação de legitimidade da proclamação], ela teria que supor que a minoria republicana, predominantemente composta de bacharéis, jornalistas, advogados, médicos, engenheiros, alunos das escolas superiores, além dos cafeicultores paulistas, representava os interesses da maioria esmagadora da população ou do país como um todo. Um tanto complicado”, avalia.

Ainda de acordo com Murilo, não apenas foi um golpe, como ele não contou com a participação popular, o que fortalece o argumento de ilegitimidade apresentado pelos atuais monarquistas. Para ele, a distância da maior camada da população das decisões políticas é um problema que perdura até hoje.

“Embora os propagandistas falassem em democracia, o pecado foi a ausência de povo, não só na proclamação, mas pelo menos até o fim da Primeira República. Incorporar plenamente o povo no sistema político é ainda hoje um problema da nossa República. Pode-se dizer que as condições do país não permitiram outra solução e que os propagandistas eram sonhadores. Muitos realmente eram”, conta.

Especialista no período, o jornalista e historiador José Laurentino Gomes, autor da trilogia 1808, 1822 e 1889, concorda com a leitura do “golpe”. Para ele, no entanto, o debate sobre a legitimidade da República é sobre “quem legitima o quê”, o que está ligado ao processo de consolidação de qualquer regime político.

“O termo ‘legitimidade’ é muito relativo. Depende do que se considera o instrumento legitimador da nossa República. Se ele for o voto, ela não é legítima, porque o Partido Republicano nunca teve apoio nas urnas. Agora, se considerar esse instrumento a força das armas, foi um movimento legítimo, porque foi por meio delas que o exército consolidou o regime”, diz.

Para Laurentino, a questão envolve a luta pelo direito de nomear os acontecimentos históricos que, no caso dos republicanos, conseguiram emplacar a ideia de “proclamação” e não de “golpe”. “O que aconteceu em 1889, em 1930 e em 1964 é a mesma coisa: exército na rua fazendo política. Depende de quem legitima o quê. O movimento de 1964 não foi legitimado pela sociedade, mas a revolução de 1930 foi tanto pelos sindicatos quanto pelas mudanças promovidas por Getúlio Vargas. A proclamação é contada hoje por quem venceu”, argumenta.

Para o historiador Marcos Napolitano, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), é possível sim falar em golpe na fundação da República. Já questionar sua legitimidade, como faz Orleans e Bragança, seria um revisionismo histórico incabível.

“Se pensarmos que a monarquia era um regime historicamente vinculado à escravidão (esta sim, uma instituição ilegítima, sob quaisquer aspectos), acho pessoalmente que a fundação da República foi um processo político legítimo que, infelizmente, não veio acompanhado de reformas democratizantes e inclusivas”, explica.

Segundo José Murilo de Carvalho, é possível afirmar que a proclamação foi obra quase totalmente dos militares, assim como conta o jornalista Laurentino Gomes em seu livro 1889. “Só poucos dias antes do golpe é que líderes civis foram envolvidos”, explica Murilo. Para o professor Marcos Napolitano, porém, o fato de ter sido uma minoria a responsável por derrubar a monarquia não retira do movimento a sua legitimidade.

“Qualquer processo político está ligado à capacidade de minorias ativas ganharem o apoio de maiorias, ativas ou passivas, e neutralizarem outros grupos que lhes são contra. Nem sempre um processo político que começa com uma minoria ativa redunda em falta de democracia. Esta é a medida de legitimidade de um processo político. Muitos processos políticos democratizantes, que mudaram a história mundial, começaram assim. O que não os exime de serem processos muitas vezes traumáticos e conflitivos”, explica Napolitano.

Monarquia como opção de regime político?
Orleans e Bragança expressa uma alternativa que já existe há algum tempo entre um grupo restrito de historiadores. O mais militante deles é o professor Armando Alexandre dos Santos, da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul). Frequentemente convidado pela Casa Real para palestras e eventos, ele é amigo pessoal de D. Luiz Gastão de Orleans e Bragança – que seria o imperador do país caso fosse uma monarquia – desde os anos 1980.

Para Santos, a República representou a instauração de uma ditadura jamais vivida até então no Brasil. “Foi uma quartelada de uma minoria revoltosa de militares que não teve nenhum apoio popular. A própria proclamação foi um show de indecisões: Deodoro da Fonseca, por exemplo, só decidiu proclamá-la porque foi pressionado pelos membros do seu grupinho que precisavam de um militar de patente para representá-los. Foi, acima de tudo, um modismo, uma imitação servil dos EUA”, argumenta.

Santos, no entanto, não encontra apoio para sua tese na maior parte da academia. Para os historiadores ouvidos pela BBC Brasil, o retorno à monarquia não está definitivamente no horizonte político do país.

“O plebiscito de 1993 (para determinar a forma de governo do país) mostrou que há sólida maioria favorável à República, apesar das trapalhadas do regime. Fora do carnaval, a imagem predominante da monarquia ainda é a de regime retrógrado”, afirma José Murilo de Carvalho, seguido por Gomes. “Em um momento de discussão da identidade nacional, se somos violentos ou pacíficos, corruptos ou transparentes, vamos em busca de mitos fundadores. Um deles é D. Pedro, que era um homem culto e respeitado. Esse movimento monárquico atual é freudiano. É a busca de pai que resolva tudo sem que a gente se preocupe”, finaliza.

Cidades

Em Xapuri,corrida de Sao Sebastião muda rotina da cidade

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As ruas de Xapuri ganharam uma movimentaçao diferente na manha deste sábado(20) com a II corrida em homenagem a Sao Sebastião, padroeiro da cidade.

58 atletas encararam os 9 km do percusso e firsm responsaveis por mudar a rotina da cidade.

A largada aconteceu as 7:30 em frente a igreja que leva o nome do Padroeiro.

Os atletas percorreram por tres vezes o mesmo trajeto da procissão.

Quando os participantes passavam na frente das casas eram aplaudidos e incentivados pelis moradores que ficaram na margem das ruas prestigiando o evento.

Muitos até ofereceram água para o atletas ao longo do percusso.

A chegada ocorreu no mesmo lugar do inicio, e no masculino teve dominio dos donos da casa.

Em primeiro lugar chegaram os irmaos Kelvin e Mauro Celio, que cruzaram a linha de chegada de maos dadas.

Em terceiro apareceu Sebastião Freire, seguido por Jairo Barbosa na quarta colocaçao e Jorge Viana. Completando o podium entre os homens.

Família Bolt domina o podium feminino

Entre as mulheres as representantes da Família Bolt, grupo de corrida de Rio Branco que levou dezoito atletas para a prova, dominaram a corrida.

Do primeiro ao quinto lugar, as divas Bolts dominaram e ocuparam todos os lugares no podiu.(veja classificaçao abaixo)

1- Irlandi Cardoso

2- Leida Farias
3-Thais Bestene
4-Artemisia
5- Maria Cleide

A corrida foi organizada e promovida pema prefeitura de Xapuri com apoio da Federaçao Acreana de Atletismo.

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Cidades

Superintendência de Trânsito realiza manutenção em abrigos de ônibus

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A Diretoria de Transporte, da Superintendência de Trânsito de Rio Branco RBTRANS iniciou o trabalho de manutenção nos abrigos de ônibus. Realizada periodicamente, a conservação também abrange limpeza, pintura, troca de bancos quebrados, além da troca de telhas e até a relocação de abrigos, quando há necessidade.

De acordo com o Diretor de Transporte, Diego Parreira o objetivo do trabalho é proporcionar um maior conforto aos usuários que aguardam a chegada do transporte coletivo.

“A população é a principal prejudicada, quando um abrigo de embarque e desembarque é destruído. Afinal, é ela quem depende da estrutura ao utilizar o transporte público. Por isso, é necessário que todos façam bom uso da estrutura, pois assim, evitaremos grandes transtornos”, salienta o diretor.

O cronograma de serviço ocorre de acordo com as solicitações encaminhadas a diretoria de Transporte da RBTRANS. Segundo o último levantamento, realizado em novembro de 2017, Rio Branco possui 541 abrigos.

Nesta quinta-feira (18) a equipe finalizou a manutenção das paradas de ônibus na rua Minas Gerais. O grupo é formado por cinco pessoas que executam as ações seguindo um planejamento prévio, pois o serviço acontece por demanda, mas segundo o Diretor de Transporte, caso haja necessidade, esse cronograma pode sofrer alterações.

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Cidades

Com vice Emylson Farias questionado, Marcus Viana condena uso eleitoreiro da segurança pública

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O prefeito de Rio Branco, Marcus Viana, não concorda com o uso político do tema segurança pública, embora saiba que esse é o calcanhar de Aquiles do atual governo e de sua candidatura, já que seu vice é o secretário de Segurança, Emylson Farias.

Ao ser perguntado na manhã desta sexta-feira, 19, se está preocupado com o inevitável reflexo negativo dos índices da violência em sua candidatura, Viana afirmou que é preciso separar política eleitoral do tema segurança pública. O prefeito aproveitou para dizer que no momento, na condição de chefe do Executivo Municipal, tem responsabilidades com serviços de infraestrutura da cidade e a preocupação com a cheia do rio Acre. A declaração do prefeito foi dada na antessala da Casa Rosada, logo após uma reunião fechada entre ele, o governador Sebastião Viana e Emylson Farias.

“Eu acho que a gente tem que deixar de lado no nosso dia a dia o pensamento de que a política está todo dia presente nas coisas que gente faz. Nós temos grandes responsabilidades. A prefeitura tem a responsabilidade nesse período de cuidar da cidade. Nós temos que tratar da enchente, temos que garantir a manutenção da cidade, nós temos que trabalhar o ano letivo que começa no final de fevereiro, início de março, temos que cuidar do plano de contingência, tem a questão do rio Madeira que tem que ser tratada como prioridade com a Agência Nacional de Águas e Ministério de Minas e Energia.”

Viana também destacou o trabalho das polícias no combate ao crime. “Temos o trabalho técnico a ser feito pelas forças de polícia, Polícia Militar e Polícia Civil. Nós nos orgulhamos das nossas polícias porque é uma das que mais atua e tem excelentes resultados ainda que tenham esses índices que todo dia as forças de segurança estão tentando combater.”

“Acho que a gente tem que deixar a política pra hora certa. O calendário eleitoral é pra quando chegar mais perto das decisões que vão ser tomadas no âmbito da política. A gente segue dialogando com os partidos, com os parceiros”, salientou.

Os números de assassinatos no Acre são assustadores nos primeiros dias de janeiro de 2018. Até esta sexta-feira, 19, foram registrados 34 homicídios.

Em 2016 foram mais de 300, contra mais de 480 em 2107 casos de homicídios no Acre.

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