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A política e a arte de andar com os pés trocados

Charlene Carvalho

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A política tem dado o tom por aqui nos últimos dias mais que nos dias normais. As coisas andam confusas demais e as vezes a gente meio que se pega pensando sobre noções de esquerda e direita. O trem anda tão distorcido que é difícil se fazer entender.

Parece coisa de criança. E para tentar me fazer entender vou tentar explicar. Se acalme….

Menino é bicho genioso. Na maioria das vezes só faz o que quer. Estando errado então… Os pais sabem, por exemplo, que seus filhos, principalmente as meninas, gostam de calçar os próprios sapatos, embora sempre tenha alguém para ajudar. Se suas crianças são normais como eu, sempre fazem isso errado. Como? Ora, pois!, colocando o pé direito no esquerdo e o pé esquerdo no direito. E tente corrigir pra ver. Eles dizem que o errado tá certo e ainda saem a caminhar meio trôpegos, afinal o sapato não fora feito para aquele lado do pé. De pés trocados seguem em frente. Demoraaaaam a desistir da caminhada e colocar o sapato no pé certo que é uma coisa!!!

Digo isso com conhecimento de causa e enquanto escrevo, fico pensando quantas vezes, já na vida adulta, troquei os pés dos sapatos – principalmente das sandálias – nosso bom e velho pé de papagaio amazônico. E nem vou falar das vezes que, pela mania de comprar o mesmo sapato de diversas cores, saí com um pé turquesa e outro pink chiclete. E, Osvaldo Neto, você está proibido de pensar aquelas coisas horrorosas que costumas me dizer sobre isso.

Sim, eu confundo o pé direito com o esquerdo frequentemente. O Osvaldo sempre me pergunta antes de sairmos: bolsa ok? Ok. Chaves ok? Ok (só as vezes). Controle do portão ok? Ok (nem sempre) Sapatos da mesma cor nos dois pés? Rum…. as vezes ele completa: pé direito no pé direito ou tá trocado de novo? Pense num português que sabe fazer raiva a pessoa??

Poxaaaa, só faço isso de quando em vez… Precisa jogar na minha face? Mas amigos são assim, né? Nos dizem verdades difíceis mais necessárias… rsrsrsrs

Dito isso, me identifico com as crianças nessa área com uma pequena diferença: meu Life style desastrada é só na moda. E nos pés. Na vida sei muitíssimo bem a diferença entre esquerda e direita. Certo é errado. E pouco, muito pouco, ando com os pés trocados.

Na política… bem, na política há controvérsias…

É preciso dizer que demorei a entender essa engrenagem política que nos move. Até uns 20 anos atrás achava que esse negócio de você ou é Montechio ou Capuleto, ou azul ou encarnado, ou mouro ou cristão, ou católico ou protestantes (evangélico é da modernidade), só tinha em Sena Madureira, onde nasci. Porque em Sena pessoas, a dicotomia começa na maternidade. É herança genética. Sério. Só quem é de lá sabe como é. E esse negócio de mistura apenas não rola. Ou tu torces pelo Comercial ou pelo Grêmio, ainda que os times não existam mais. Se você conhece o Acrevenos, pergunte porque ele torce pelo Grêmio (Gaúcho) que ele te explica.

Essa dicotomia em Sena é quase como nascer no Líbano, onde as estruturas de poder são bem divididinhas e por religião. Assim, se nasces cristão maronita podes chegar à presidência, se muçulmano sunita podes ser primeiro ministro e se for xiita, a presidência do Congresso pode ser seu maior posto. Fora disso, esqueça ocupação dos três cargos mais importantes da República. Apenas não rola. É a lei parça. O país já ficou dois anos sem presidente só por falta de acordo nessas composições aí e agora tá sem primeiro ministro, sabe Deus até quando…

Mas essa é outra história. Voltemos ao assunto da pauta…

Com o tempo percebi que meu umbigo (Sena Madureira) não é o centro do mundo, mas a vida cotidiana no Acre não é muito diferente da terra da minha infância e adolescência. Só que por cá o jogo é mais bruto.

Tenho visto muitos debates sobre problemas com as amizades entre divergentes. Gente que é FPA e tem amizade com a oposição. Gente da oposição que tem amizade com gente da FPA. Pode? Não pode? Sacode? Acho estranho. Amizades nada tem a ver com seu pensamento político. Ou, ao menos, não deveriam ter em um estado tão pequeno.

Mas aqui se discute tanto política que o povo quer determinar até suas amizades. E na maioria das vezes determina. Porque na ideologia, bem na ideologia o negócio é mais complicado. Nesse campo é difícil saber, de fato, quem é de esquerda ou de direita. Quem é Montechio de verdade e quem é Capuleto. Mouro ou Cristão. E como tá na moda ser evangélico, isso bagunça ainda mais o trem. E se na religião mistura com o negócio de direita esquerda… xiii. Melhor deixa pra lá.

Porque leitor, na real, o que tem de gente de direita travestido de esquerda, não tá escrito. E visse versa? Puxado…

Nesse caldeirão maluco, o que me faz ter esperança é que o cidadão, esse ser sábio que tantos desprezam, sabe muito bem discernir quem é quem. Já mandou, inclusive, vários recados pedindo que nossa classe política pare de ficar trocando as sandálias dos pés e coloque cada uma no pé adequado. E em alguns casos que usem a boa e velha sandália da humildade. O problema é que a turma da política insiste em agir feito criança: mesmo errados, gritam dos seus cargos: eu estou certo! E seguem andando trôpegos e cambaleantes se achando a última coca cola (choca) do deserto saudita, onde até os príncipes estão indo pra cadeia.

Tá mudei de assunto de novo. Me empolguei… pardon…

Daí você me pergunta: e o povo? Ah, maninho, o povo faz igual ao pai da criança de sapato no pé trocado. Só olha e diz:

Çei!

Deixa chegar 2018 procês verem como se anda…

Bom dia, boa tarde, boa noite.

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