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Sobre fé, graça e a reforma que vem

Charlene Carvalho

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Por todo o dia – escrevo a coluna na tarde do dia de outubro – li muitos textos sobre os 500 anos das 95 teses de Lutero que resultaram na Reforma Protestante. Muitos textos bons, muitos lembrando os princípios norteadores das teses: combate à venda de indulgências, abusos do papado etc… muitos repetindo no Latim as bases do documento: só a palavra, só Jesus, só a graça, só a fé e somente a Deus a glória.

Tudo certo, exceto por um fato: a igreja em que vivemos, a minha, a sua, a nossa, será mesmo parecida com a igreja almejada por Lutero e pelos reformadores? Quão distante estamos da venda de indulgências? Quão próximos (ou distantes) estamos do evangelho de Cristo? Quão verdadeiramente somos pequenos cristos? Em que medida o verbo encarnado está presente em nós? Só a graça nos basta? E se basta, que graça? De fato, qual a graça, qual a fé, qual o Cristo e a quem é a Glória? De verdade, de fato mesmo, a quem servimos?

Nem me respondas com um: difícil perguntas me fizestes!

O fato é que de reformadores temos muito pouco. E somos cada vez mais indulgentes com o Cristianismo na sua essência. Mais um pouco e já teremos crentes Nutella. Misericórdia!

Posto isso, que graça proclamamos, uma vez que uma das bases da reforma é a graça? Que fé professamos, se o pilar da reforma é o versículo que diz: “O Justo Viverá Pela Fé?” Que fé é essa que na maioria das vezes renega o pobre, o órfão, a viúva, o encarcerado? Que graça e fé é essa que se baseia na prosperidade segunda a qual o que Deus me deu é meu, para o meu usufruto e benefício e que esse negócio de dividir é coisa de socialista? Dízimo a gente entrega, mas assim, veja bem, o pastor já tem muitos bens, a igreja é rica e missionário, ah, missionário tem que trabalhar. Eu ganhei é meu! Dividir? Olha, é complicado. Porque esse negócio de opção preferencial pelos pobres é coisa de ideologia esquerdista, aquela que tem bases na tal da Teologia da Libertação. Eu sou reformado! Esse negócio de Teologia da Libertação não me pega. Nana ninam…

Difícil engolir esse discurso. Mais difícil porque muitos dos que o proclamam estão ao nosso redor. Às vezes somos nós mesmos que o fazemos. Ainda bem que Jesus não está pregado no madeiro. Se tivesse certamente teria vontade de nos dizer: te alui, criatura!!!

Voltando a falar sério, talvez Lutero não escreveu suas teses com a premissa de: “vou fazer uma reforma!” Ele começou com um movimento de renovação, transformação, mudança de paradigma, acertos de desacertos. Não obteve resposta – a reforma tomou lugar. Hoje a comunidade evangélica necessita de renovação, transformação, mudança de paradigma, acertar os desacertos. Qual será a resposta, depois de 500 anos reformar a reforma?

Sim porque comemorar a Reforma é ótimo. Se identificar como reformador é ótimo. Tudo muito bonito e tals, mas e a prática, como fica?? E aqui gostaria de destacar algo extremamente prático, que pode responder as dezenas de perguntas que temos sobre o assunto.

Remoí uns dez quilos do assunto e continuei a pensar. Talvez seja porque estou completamente envolvida na realização de uma Conferência nos dias 21,22 e 23 de novembro aqui em Rio Branco sobre Transformação da Sociedade através das áreas de influência (educação, comunicação, política religião etc…) e o conferencista principal, Ricardo Rodríguez, seja um dos nomes mais importantes nessa área em toda a América Latina.

E o que isso tem a ver com a Reforma Protestante? Muita coisa. Ricardo Rodriguez coordena no Chile um movimento chamado “La Reforma que Viene” e que este ano terá como seu principal evento um Congresso para 300 pessoas começando dia 23 – ele abriu mão da abertura para estar conosco aqui no Acre – exatamente sobre o tema, dentro da perspectiva de que, passados 500 anos, qual o futuro da Igreja??

Pensar nos dias que estão por vir me anima, me encoraja a seguir acreditando, vivendo de graça em graça, fé em fé, continuamente sem acreditar muito em livre arbítrio, uma vez que ele só nos serve para nos fazer pecar (minha opinião, apenas). E a ter esperança de que esta Conferência que se avizinha trará muita luz sobre algo fundamental e que passados 500 anos continua atual: só a palavra, só Jesus, só a graça, só a fé e somente a Deus a glória.

P:S – Esse é um texto de uma cristã protestante sobre sua fé pessoal.

Bom dia, boa tarde, boa noite…
Te desejo, querido leitor, um Sweet November, cheio de amor, fé e graça!

Carinhos meus,
Charlene

Charlene Carvalho

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