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Abreviações temporárias de uma sociedade sem tempo

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“Alice: Quanto tempo dura o eterno? Coelho: As vezes apenas um segundo.

(Alice no País das Maravilhas – Lewis Carroll)

Gosto de Alice, a menina do país das maravilhas. Há muitos ensinamentos no livro nada infantil de Lewis Carrol. Algumas frases e diálogos de lá servem para a vida toda, como também servem as frases e diálogos do Pequeno Príncipe, de Antoine Saint-Exupéry. Gosto particularmente desse trecho:

“Alice: Chapeleiro, você me acha louca?
Chapeleiro: Louca, louquinha! Mas vou te contar um segredo: as melhores pessoas são”.

O diálogo é bonitinho e atual, não? E não. Não, não sou louca. Não mesmo. Você acha?!?! Sério?!?! Não acredito que você me julgue doida, leitor, porque se assim o for, que decepção! Eu aqui me achando a pessoa mais normal do mundo e você aí pensando um absurdo desses a meu respeito! Que feio!!!

Mas tudo bem. Não vai ser isso que vai me jogar na bacia das almas. Não vou me vender por essa ninharia. Jamais! Voltando a Alice, gosto particularmente do coelhinho apressado que nunca tem tempo pra nada, que está sempre atrasado e olhando pro relógio como a lamentar o tempo perdido.

Tempo, tempo, tempo…

Vivemos um tempo mais louco que o chapeleiro. E sim, chapeleiro é doidim da bola, viu?

Um tempo onde os dias são longos e efêmeros. E aqueles que queremos que se prolonguem são abreviados. Os que queremos abreviar duram uma eternidade. O dito homem moderno é igual o coelhinho da Alice. Está sempre apressado, atrasado. E ainda usa o argumento do chapeleiro para nos chamar a todos de loucos! Santa paciência, Batman!

Dessa pressa do mundo moderno, a única que eu aceito é a pressa divina. Deus tem pressa! O fim está próximo e Jesus está voltando! Nisso acredito piamente. E por acreditar, quero ficar bem longe da bacia das almas, da troca barata do certo pelo duvidoso, do trocar minha primogenitura por um prato de lentilhas. Ah, isso não! Quero mais é morar na Nova Jerusalém. Mas isso é assunto para outra hora. Voltemos à pressa que nos afasta do foco, do alvo e do que realmente importa. Até porque já passou das três, tô atrasada pra entregar a coluna pro que deveria ter sido enviada ontem e já basta a da semana passa que esqueci por pura pressa.

Voltando ao assunto…

Como você tem usado seu tempo? Quais são as suas prioridades? Passada a correria do dia de trabalho, onde você descansa? Com quem você gasta o seu tempo, esse bem tão precioso e escasso?
Muitas perguntas?
Sem tempo para responder?
Sem tempo para ler esse misto de artigo-crônica sempre longo e chato?
Véi, na boa, você tá fazendo isso errado, ó. E depois ainda tem a pachorra de dizer que a louca sou eu. Só que não. Não mesmo.

Pare.

Pense.

Desacelere.

Espere.

Ame.

Viva!

Tá certo que a vida moderna, o trabalho, os filhos, o marido, a mãe, o pai, o irmão, os amigos, o tudo-ao-mesmo-tempo-e-agora nos obriga a sermos mais rápidos que jamaicano Usain Bolt, mas não podemos perder o ritmo nesse mundo acelerado onde o que é escrito em 140 caracteres já é coisa demais para se ler pela manhã. Graças a essa pressa, o colesterol de um menino de 20 anos está mais alto que o de um senhor de 80, o alemão já não é mais uma preocupação dos idosos. A memória está pregando peça nos mais jovens.

Assim, o que adianta saber que os 50 são os novos 30? Que o botox e o cirurgião plástico nos deixam mais jovens? Que adianta ir à academia depois das 22h ou antes da 5h? Eu te respondo: nada, caro amigo (a) leitor (a). Não adianta nada. Isso é a mesma coisa que comprar uma esteira e fazer dela cabide (coisa que a maioria das pessoas fazem). É ter uma bela jacuzzi no quarto e morrer de dores musculares. É gastar uma fortuna por mês na manutenção da piscina que você nunca usa.
E por quê? Porque não tem tempo. Tempo, tempo, ah, o tempo! Quem me dera ter tempo, hein?

Me diz sinceramente: se tivesses todo esse tempo, o que farias dele? Pois é…

Portanto, do que adianta correr tanto para não usar os benefícios dos muitos reais que você ganha por mês? Do que adianta ter um monte de amigos se você não tem tempo pra eles? Do que adianta sua casa super-mega-decorada com objetos caros e valiosos se você desce correndo de manhã e sobe correndo a noite?

De novo o tempo…

Espera, não se vá! Deixa eu te dizer: também não tenho muito tempo. Também corro. E o que escrevo, antes de servir pra ti, serve pra mim. Precisamos usar melhor nosso tempo. Aproveitar melhor os raros momentos que dispomos nessa vida louca para compartilhar, dividir e multiplicar as alegrias, os sonhos e as esperanças. Voltando a Alice, lembro de outro diálogo clássico do livro:

“Aonde fica a saída?”, Perguntou Alice ao gato que ria.

”Depende”, respondeu o gato.

”De quê?”, replicou Alice;

”Depende de para onde você quer ir…”

E a minha pergunta a você, caro leitor, nessa coluna cheia de interrogações e pouca significância é: para onde você quer ir?

Beijos carinhosos,

Charlene

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