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Depois da chuva, noticiário brasileiro me faz duvidar que a bonança chegará

Charlene Carvalho

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Começo a escrever a coluna com os primeiros pingos da chuva que chega no meio da noite para refrescar um dia quente e cheio de informações, ilações, retratações, desfiliação, recolhimentos, revogações, aprovações desaprovadas, gente indo, gente vindo, política em plena ebulição. Todos à espera da bonança da tempestade que não tem fim.

Fico olhando o noticiário e a velocidade da notícia. Às vezes elas chegam devagar como a chuva marota que já está indo embora. Chegam e saem sem grande alarde. Em outras, tem a força de um típico temporal de setembro, aqueles que assustam por sua força e brutalidade. Saem destruindo tudo que vem pela frente. Nossos Hurricanes particulares. Em alguns momentos destroem até a nossa esperança em dias melhores.

E depois de duas super quartas seguidas, ontem tivemos o vislumbre de uma super terça. Agitada, eloquente e com tanta informação para consumir que fica difícil digerir. O que dizer da carta do Palocci – sim eu li a carta -, exceto que ele não apenas desnuda o rei e a si mesmo revela, ainda que com um ar quixotesco? Há ali a frieza bem pensada do médico e a verdade nua e crua de que nos falava Nelson Rodrigues. A seita a que ele se refere nos põe a pensar sobre os demônios que nos rondam. Eram poucos, agora são tantos! Sangue de Jesus nos cubra, porque tá puxado o trem ó…

Tem o recolhimento judicial de Aécio Neves, a revogação do recolhimento do Garotinho que volta a usar blogs, rádios e redes sociais a vontade, enquanto Aécio vai ter que se afastar novamente do mandato e ficar em casa à noite. Deve ser terrível para um cara notívago como ele ficar em casa. É, a lei é dura, mas é a lei. Cumpra-se a lei. Pelo menos de quando em você tem algum efeito.

Duro de engolir mesmo é a decisão do Senado de aprovar o Fundo Especial de Financiamento de Campanha, coisa aí de ao menos R$ 1,7 bilhão em recursos públicos para custear o processo eleitoral em 2018. As emendas impositivas de bancada são a principal fonte de recursos desse novo fundão. Provavelmente em São Paulo, Rio de Janeiro e sei lá mas adonde, essa emendas não são grandes coisas, mas para estados como o Acre, ajudam e muito no desenvolvimento regional.

Fico pensando que recursos sonhados como os R$ 70 milhões da emenda da bancada acreana para os ramais do Acre, que já não são suficientes para resolver o problema, em 2018 vão financiar eleições, uma vez que o Supremo proibiu o financiamento privado. Outra vez pagamos a conta.

Nisso, lembro de uma conversa com amigas no início do dia, muito antes da chuva de notícias, sobre figuras folclóricas da Sena Madureira da minha adolescência. Uma dela, a Maguina, odiava quando a gente gritava: Maguina, cadê o pato? Elegante em suas saias rodadas e saltos altos no estilo Maga Patológica, ela saia a correr, com sua sombrinha em punho, atrás da meninada rua acima, rua abaixo. Se pegasse, colega, o negócio ficava tenso. Pense numa sombrinha pesada no lombo!!

Vendo tanta notícia ruim no noticiário, há horas que tenho vontade de dar uma de doida e sair correndo atrás de uma meia dúzia de cabra sem-vergonha que acha que nós brasileiros temos cara de pato. Porque olha, aqueles recibos e aquelas notas da Odebrecht são mais duros de engolir que esse financiamento público de campanha que eu e você vamos pagar.

A chuva foi embora. Chegaram notícias de tão, tão distante. Tá na hora de dormir sem a menor esperança de que, ao acordar, as coisas estejam melhores. Mas a vida segue e cortejo fúnebre do Brasilzão sem porteira também.

Bom dia, leitor!

Charlene Carvalho

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