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O Acre está dominado pelo medo da violência e da conveniência política

Nelson Liano Jr.

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A violência tem assustado os acreanos com as guerras entre facções pelo domínio do tráfico de drogas. Além de assaltos aos taxistas, às residências, tentativas de homicídios contra policiais, assassinatos de jovens, mulheres e até crianças. Um quadro desolador que reflete uma sociedade fragilizada por uma política de gestão que não tem nos problemas mais prementes o seu foco principal, na minha opinião. Um exemplo é o recente anúncio do Governo do PT de investir mais R$ 8 milhões na sua agencia de negócios. Isso em plena crise econômica. Mesmo com os investimentos na famigerada “industrialização” do Estado não estando dando resultados muito animadores. É só no olhar para a Peixe da Amazônia S/A, ZPE (Zona de Processamento de Exportação) e outros elefantes brancos. Essas empresas públicas/privadas foram criadas na intenção de gerar empregos, mas na prática não têm alcançado o seu objetivo. Acho que esses recursos deveriam estar sendo direcionados para a saúde pública e a segurança. Fazer o simples sempre me parece mais coerente. Mas quem é que pode conter a “vaidade” de quem tem a caneta na mão?

Política do medo
Enquanto isso, a nossa política reflete também esse clima de medo. Na sessão desta quarta, 20, na ALEAC, um projeto com uma emenda que garantiu um substancial aumento para os pagamentos dos plantões dos profissionais de enfermagem virou uma polêmica sem fim. A Lei aprovada em plenário e sancionada pelo governador Tião Viana (PT) terá que ser revista. No auge dos debates sobre o tema polêmico o presidente da ALEAC, Ney Amorim (PT) suspendeu a sessão. Isso depois de um arroubo de fúria do líder do Governo, Daniel Zen (PT) que chamou o seu colega de oposição, Gehlen Diniz (PP), redator da Lei, de “moleque”, entre outros adjetivos. O debate que deveria continuar no plenário para todos verem foi convenientemente transferido para os bastidores. Algo nada democrático.

Silêncio geral
Nem o pessoal da oposição se manifestou pela interrupção dos debates. Tudo muito conveniente para não perder o apreço do presidente da Casa que, realmente, tem as bases governistas e oposicionistas nas mãos. Só ouvi algum chororô por ali meio tímido, mas não vi nenhum parlamentar protestar.

Cada um na sua
Não posso criticar o deputado Ney Amorim por “dominar” a situação. Mostra a sua habilidade política fazendo o papel que lhe deram. Mas o medo e o silêncio da maioria me assustou. A ALEAC é uma extensão do atual Governo e não tenho visto ninguém “peitar” essa situação. Deputados de oposição que criticam a atual gestão petista existem, mas dentro de um limite e de uma conveniência sem fim.

O espelho de Narciso
Se o presidente Temer (PMDB) tivesse uma oposição como essa do Acre no Congresso Nacional estaria “nadando de braçada”. Se uma interrupção de uma sessão na Câmara ou no Senado, desfavorável ao presidente, acontecesse assim como vi na ALEAC, deputados e senadores do PT, PSOL, Rede, sairiam esbravejando, protestando para a imprensa, fazendo greve de fome, em suma…Mas no Acre os nossos parlamentares estaduais são bem educados, “bonzinhos” e todos serão felizes para sempre…

Mas não leram?
Chega a ser absurdo uma Lei ser aprovada e sancionada para depois se precisar fazer outra, em seguida, para anulá-la. Não acredito que o aumento de despesas com os profissionais de saúde possam “quebrar” o Estado. Mas o excesso de cargos comissionados talvez “quebre”. Agora, tudo isso aconteceu porque simplesmente os deputados e o governador não leram direito o que estava sendo aprovado? O poder da maioria parlamentar do PT, dado pelo voto do povo do Acre, garante essa prerrogativa. E mais silêncio para não incomodar ninguém.

Tábua de salvação
Ninguém vai admitir publicamente que não leu a Lei. O líder Daniel Zen, apesar de alguns excessos, é hábil e me explicou que o aumento dos valores dos plantões do pessoal de enfermagem elevaria os gastos governamentais com esse quesito da saúde de R$ 2,4 milhões para R$ 9,7 milhões mensais. Zen também ponderou que, na realidade, o governador Tião Viana leu a lei e viu a emenda. Mas sancionou a Lei porque nela tinha também a possibilidade da abertura de novas vagas para enfermeiros e técnicos, aprovados em concurso, que serão convocados. Se o projeto voltasse à ALEAC demoraria mais tempo. Zen explicou “direitinho” e cumpriu seu papel de líder do Governo. Entenderam?

Coelho da cartola
Ainda no seu papel de líder do Governo do PT, Zen tirou mais um “coelho da cartola”, para explicar toda a “patuscada” da história da aprovação dessa Lei. Ele aconselhou o Governo a arguir a inconstitucionalidade da emenda que aumenta o valor dos plantões. Realmente um projeto do Legislativo não pode demandar despesas para o Executivo. Assim os deputados da base não terão que sofrer o desgaste de votarem numa outra lei que tira direitos recém adquiridos por trabalhadores. E o ano que vem é eleitoral…

Duas velas e um santo
O deputado estadual Raimundinho da Saúde (Podemos) tem que se decidir entre ser parlamentar ou sindicalista. No discurso sobre esse imbróglio da Lei que aumentou o salário do pessoal da enfermagem, não entendi a posição dele. Afirmou que não votará uma nova lei sobre o tema para não prejudicar os colegas da saúde. Mas deu a entender que concorda com as argumentações do Governo para cancelar o benefício. E durma-se com um barulho desses…

Sucupira é aqui
Tinha uma novela Global chamada Saramandaia com uma cidade fictícia chamada Sucupira. Ali aconteciam as coisas mais inimagináveis e absurdas. Pois, por aqui, a gente sempre tem os nossos momentos de Sucupira. O deputado estadual Éber Machado (PSDC) ocupou a tribuna para dizer que não aceita ser candidato a vice da oposição. Mas o quê não entendi foi quem convidou o Éber para ser vice? Pelas explicações dele foi uma nota de uma coluna política de um colega jornalista que aventou essa possibilidade. Não foi nenhuma liderança, nenhum dirigente partidário, não teve nenhum sondagem, nada. Uma nota valeu um longo discurso do Éber para rejeitar um convite que não foi feito. Convicto a concorrer para deputado federal, em 2018, o deputado já adiantou que não aceitaria nem o convite do provável candidato ao Governo do PT, Marcus Alexandre (PT), para ser vice. Então oposição e FPA não percam tempo convidando o Éber Machado para integrar as chapas majoritárias.

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