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Quantos milhões de milhas você pode se distanciar do seu destino?

Charlene Carvalho

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As possibilidades são incontáveis e dependem muito do lugar para onde você quer ir ou para onde você NÃO quer ir.  Houve um tempo que ouvi muito uma música que diz: Toda estrada é uma ladeira escorregadia/Mas há sempre uma mão em que você pode se segurar/Olhando mais profundamente através do telescópio/Você pode perceber que seu lar está dentro de você… (93 Million Miles – Jason Mraz). Não a vejo como uma canção de amor (até porque não é mesmo), mas como uma bela metáfora do cotidiano. E como sou daquelas pessoas que ouvem milhões de vezes a mesma música, sigo, mesmo passado tanto tempo, ouvindo Jason Mraz para saber a quantas milhas estou (distante) dos caminhos para o qual Ele me preparou.

Destino… Quem acredita em destino? Quase todo mundo, certo? Errado. Se acreditássemos de verdade em destino não nos distanciaríamos tanto dele. Se realmente acreditássemos, deixaríamos a vida seguir seu curso natural. Vai me dizer que você é diferente? Fala sério, leitor! Tá querendo enganar a quem? A mim? Não seria a você mesmo? Pois é. Pare de se enganar. Sente aqui, vamos ter meio dedo de prosa e depois tu me contas o que pensas de verdade.

Te garanto que vale a pena…

Um dos meus escritores favoritos é um rabino. Seu nome é Nilton Bonder. Ele tem livros maravilhosos. Recomendo todos. Um em especial veio à minha memória esta semana ao folhear velhos escritos de 2011. Lá no meu caderninho (como ando a sentir falta dos meus moleskines) li uns comentários sobre situações difíceis que vivenciei no início de um profundo processo de mudança que me encontro desde 2010: “A sombra da sombra é a luz. Quando ficamos muito tempo na escuridão, nossos olhos começam a enxergar as luzes mais ocultas.”  E como disse Zuenir Ventura certa vez ao comentar o belíssimo livro Fronteiras da Inteligência, “não é a claridade, mas a escuridão que revela as estrelas.”


E é sobre escuridão, sombra e luz que quero falar hoje. Creio sinceramente nas palavras do rabino Bonder. E creio por ter vivenciado essa sensação. A vida é assim.  Há momentos em que você precisa se refugiar da luz (não da luz do mundo), mas da luz do dia-a-dia, a luz que vem com sombras, meandros, circunstâncias. Aquela hora em que você entra na caverna e como Elias pede para morrer. Não que você queira morrer de fato, mas a hora em que sua velha natureza precisa morrer para que o novo surja, para que o verdadeiro eu apareça e resplandeça.

Entrar na caverna às vezes (só as vezes) é necessário. Tem o mesmo efeito da águia que sobe ao mais alto cume para ali tirar com o bico cada uma de suas penas e até as unhas e depois vivencia a experiência de esperar as penas nasceram para que possa voar novamente. Mais leve e mais jovem. Mais limpa e mais pura. E ainda mais poderosa.

Entrar na caverna funciona assim também. E não precisa ser a caverna literal. Não há necessidade de esconder-se, trancar-se num quarto escuro e parar a vida.  É aquele momento em que você se volta pra você mesmo e decide reavaliar princípios e prioridades. A hora em que você apaga a luz do cotidiano, do seguir em frente e adiante de acordo com a conveniência e passa a olhar a vida com outros olhos. Os olhos de quem busca uma resposta na escuridão. Na profunda escuridão do seu ser. Naqueles lugares insondáveis que você nunca quis andar. O território proibido. O quarto trancado e que teve a chave jogada em água corrente naquela cidade para onde você nunca mais irá voltar.  É a hora em que você decide quebrar o cadeado e revirar o baú das significâncias, auscultar seu coração e descobrir que há luz por trás das sombras.

Nessa hora as palavras do rabino Bonder fazem todo o sentido, pois conseguimos enxergar além dos muitos véus que colocamos para esconder nossos verdadeiros sentimentos e emoções. E aí você geralmente descobre que pegou o caminho errado. Que a estrada por onde você caminha não é a sua estrada. Não é o seu lugar. E você se sente perdido, a milhões e milhões de milhas distantes da sua real vontade, da sua realidade, do seu destino. Se Jason Mraz diz na canção que toda estrada é uma ladeira escorregadia, ele também diz: “apenas saiba, que onde quer que você vá, não, você nunca está sozinho, você sempre voltará pra casa.”

A boa notícia é que você sempre pode voltar. Você sempre pode recomeçar. Portanto, caro leitor, se você está fora do prumo, do rumo, distante do seu caminho, não tem seguido o seu destino, anime-se! Há sempre uma segunda chance. Voltando às músicas, lembro-me agora de uma do Teatro Mágico que diz: “lapida-me a pedra bruta, insulta, assalta-me os textos, os traços/Me desapropria o rumo, o prumo, juro me padeço com você/ Me desassossega, rega a alma, roga a calma em minha travessia/ Outro “porquê”… Se perder sem se podar e se importar comigo/Aprender você sem te prender comigo.” O processo não é fácil. Às vezes desassossega a alma, mas vale a pena mudar.

Vale a pena sair da sombra para enxergar a luz. E o caminho que nos leva à luz é permeado de possibilidades. Nele conseguimos, se quisermos, enxergar o oculto. Olhar para dentro de nós mesmos e enxergarmos aquilo que nos negamos a ver não é fácil, mas a experiência é preciosa. Realinha o prumo, o rumo. E nos faz entender que aceitar é o melhor a fazer. Dói menos, inclusive.

Como disse o rabino Bonder em um artigo que reli recentemente: “E seja lá por onde nosso destino passou, seja lá o que levamos a cabo como nossas ações, sempre há as que aprovamos e as que desaprovamos. Isso porque há um Olho que vê e uma Mão que escreve no decorrer do tempo humano. Há tempo e há registro… Somos como naves que singram por oceanos de dimensões e profundidades para além de nossas grandezas e temos que zelar para não perder a competência de deslizar e fluir. A existência como indivíduo depende deste delicado contato entre a nau que precisa deslocar-se autônoma e a sustentação que tem que vir do amparo deste mar. Mas como ser livre e sustentado? Como ser móvel e flutuar? Como ser descolado e pendente ao mesmo tempo?”.

Penso que uma boa saída é deixar essa nau, que é a nossa vida, seguir o seu rumo, o seu destino. Quando nos desapegamos do medo e nos deixamos levar pela força das circunstâncias, de sentimentos nobres como amor ao próximo, caridade e servir, encontramos um sentido para o bem viver e nos reaproximamos, em milhões e milhões de milhas, daquilo que realmente nos sustenta e nos faz permanecer vivos: o destino para o qual fomos criados. Você sabe qual o seu? Se não sabe tá na hora de procurar saber.

Uma semana de muita luz e paz!

Carinhos meus,

Charlene Carvalho

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