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A política brasileira empata num zero a zero no lamaçal da corrupção

Nelson Liano Jr.

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Acabou a inocência. A notícia da delação do presidente da JBS, Joesley Batista, que gravou o presidente Temer (PMDB) afiançando propina pelo silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB) coloca o Brasil no caos. O mesmo empresário alega que o presidente do PSDB, senador Aécio Neves, pediu R$ 2 milhões para pagar advogados dos processos que responde na Lava Jato. Assim os três maiores partidos brasileiros no Congresso Nacional, PT, PMDB e PSDB se veem envolvidos em delações de empresários das empreiteiras OAS, Odebrecht e, agora, do grupo frigorífico JBS. A notícia, se confirmada nas gravações ainda não apresentadas, mas que foram monitoradas pela Polícia Federal, coloca fim ao atual ciclo da democracia brasileira iniciada com a eleição de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 1995. O tucano foi o primeiro presidente eleito e reeleito depois do impeachment de Fernando Collor de Mello (PTB). Durante 22 anos, nos posteriores governos de Lula (PT) até a queda de Dilma (PT), em 2016, o Brasil viveu um raro momento histórico de estabilidade política e econômica que parece ter chegado ao fim.

Nota
O presidente Temer já emitiu nota negando os fatos. Mas o alvoroço político que se estabeleceu em Brasília, depois da notícia, indica que dificilmente conseguirá se manter no cargo. Se não renunciar passará por um processo de impeachment. Inclusive, o deputado federal Alessandro Molon (Rede –RJ), já protocolou na Câmara um pedido de impeachment contra Temer.

Prova “irrefutável”
Se realmente houver essa gravação não haverá saída para Temer. Eu não sou advogado, mas é um evidente caso de obstrução da Justiça. O presidente norte-americano, Trump, nessa mesma quarta, 17, enfrenta indícios de obstrução da Justiça no seu país e a pena lá também é o impeachment. O caso é muito sério.

O quê acontece?
Se Temer renunciar ou for “impedido” quem assume a presidência da República, segundo a atual Constituição, será o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM). Em seguida será convocada uma eleição indireta, com os votos dos deputados e senadores, para um mandato tampão até dezembro de 2018, quando assumirá o eleito pelas urnas em 2018.

Possibilidade de diretas
Para isso acontecer o Congresso Nacional teria que conseguir dois terços dos votos para mudar a Constituição. Os partidos ditos de esquerda como PT, PC do B, Rede, PSOL e parte do PSB, tentarão levar o desfecho dessa crise política sem precedentes na nossa história para uma eleição direta.

Empate na lama
O discurso do PT de que a queda de Dilma (PT) e os processos contra o ex-presidente Lula (PT), na Lava Jato, eram seletivos caíram por terra. Todos os grandes partidos brasileiros estão envolvidos nessa rede corrupção. A Operação Lava Jato está alçando todos os porões escuros escondidos que se estabeleceu nos bastidores políticos do país.

Empate na lama 2
Também as alegações de que a TV Globo é golpista ficam estranhas. A divulgação contra Temer e Aécio partiu do colunista Lauro Jardim de O Globo. A emissora deu farto destaque aos fatos. Um empate entre todas as forças políticas num cenário temeroso ao país.

Homem bomba
Nem os terroristas do El na Síria conseguiram fazer tantos estragos como Eduardo Cunha. Ele foi o principal pivô da queda da presidente Dilma e, agora pode ser o de Temer. Um currículo destrutivo razoável. Se realmente Cunha estava recebendo propinas para se manter em silêncio terá que contar tudo que sabe nos próximos dias para não complicar ainda mais a sua situação jurídica.

Quem manda no Brasil
Não há mais dúvidas de que as grandes empresas mandavam no Congresso Nacional e interferiam diretamente nos resultados eleitorais do Brasil. Desde a presidência, passando pelos parlamentos, estados e municípios, o dinheiro da corrupção dava as cartas do poder. Pelo menos é isso que revelam as delações dessas operações.

Culpa de quem?
Na minha opinião, os principais culpados dessa situação são os nossos deputados federais e senadores, nas últimas cinco legislaturas, que não realizaram uma profunda Reforma Política no país. Tiveram a oportunidade durante o período de grande popularidade de Lula, que poderia ter sido o condutor das mudanças, mas preferiram se manter no poder. Agora, pouco a pouco, estão sendo arrancados do poder e com a pecha de corruptos.

A hora do pesadelo
O empresário da JBS já avisou que além de Temer e Aécio tem uma longa lista de outros parlamentares envolvidos com pedidos de propina e corrupção. Não vejo saída que não seja um pacto entre todas as forças políticas do país para uma nova eleição. Uma antecipação do processo de 2018.

Novo sistema
O problema é o sistema eleitoral brasileiro. As campanhas foram ficando mais caras e o “toma lá e dá cá” colocou os grandes grupos empresariais no centro do poder, manipulando tudo que acontece no país. Tanto nos resultados eleitorais quanto na condução da Nação. Mas para haver reformas concretas é preciso de um presidente e um Congresso com credibilidade popular e isso só é conferido nas urnas.

Antes da cura a doença fica mais forte
Os pajés e xamãs costumam dizer que quando alguém está para ser curado a doença que tem se manifesta antes da cura de maneira muito forte. Acho que é isso que está acontecendo no Brasil. A Reforma Política, que não fizeram no Parlamento, está acontecendo através da insatisfação popular. Não há como interromper esse processo. A Lava Jato não vai parar até remexer todos os porões do poder. O momento é para muita oração, paciência e fé para que a mudança seja para melhor. Que a cura da nossa Nação aconteça para que possamos viver um novo tempo de democracia, liberdade e prosperidade.

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