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Por que tantos políticos trocam o Congresso por prefeituras?

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O senador Marcelo Crivella é o candidato do PRB para a prefeitura do Rio (Divulgação/Marcelo Crivella/)

O senador Marcelo Crivella é o candidato do PRB para a prefeitura do Rio (Divulgação/Marcelo Crivella/)

No próximo domingo, 16 deputados e senadores continuam na disputa pelo controle de prefeituras pelo país. A vantagem para eles, porém, não é salarial

Nas eleições municipais deste ano, 81 deputados federais e 2 senadores decidiram decidiram abrir mão de seus cargos no Legislativo Federal e disputar uma cadeira na prefeitura de cidades brasileiras.

Desse grupo, apenas 10 saíram vitoriosos já no primeiro turno. Outros 16 seguem na corrida pelo segundo turno, cuja votação acontece no próximo dia 30 de outubro.

Esse é o caso do senador Marcelo Crivella (PRB), que concorre com Marcelo Freixo (PSOL) o comando da prefeitura da segunda maior capital do país, o Rio de Janeiro (RJ).

Mas qual é a vantagem de um parlamentar com uma cadeira no Congresso se aventurar em um pleito municipal?

Engana-se quem pensa que a resposta se resume a salário. Pela Constituição Federal, deputados federais e senadores recebem R$ 33,7 mil por mês, enquanto que o prefeito com o maior salário do Brasil fatura cerca de R$ 26,7 mil.

Para especialistas consultados por EXAME.com, o principal motivo para congressistas almejarem a troca de Brasília pelo Poder Executivo dos municípios é a conquista de poder na máquina pública.

Isso é: como chefe do Executivo, o político tem mais visibilidade por se relacionar diretamente com a população. “A prefeitura permite fazer mudanças e reivindicar políticas públicas para a sociedade”, diz o cientista político da Universidade de Brasília (UnB) Antônio Flávio Testa. “O potencial de crescimento político de quem ocupa esse cargo é muito maior, pois a função dá o poder de se executar as coisas. É uma influência que o senador e o deputado federal não têm”.

Vale lembrar que os parlamentares-candidatos têm uma boa vantagem: eles não precisam se afastar de suas funções – e nem abrir mão de seus atuais mandatos – para concorrer a outros cargos.

O cientista político Vitor Oliveira, da consultoria Pulso Público, explica que a chance de um congressista permanecer no cargo em um próximo mandato não é garantida. Sendo assim, segundo Oliveira, é natural que ele busque outras opções de carreira.

“Tanto o deputado como o senador sofre para ter destaque no universo político. Não só pelo fato de serem muitos, o que já atrapalha, mas também pela dificuldade das pessoas em entender como funciona o poder Legislativo”, diz.

Em termos práticos, isso significa que mesmo que um deputado ou senador tenha propriedade para influenciar na criação de leis, por exemplo, ele depende do poder executivo para formar políticas públicas e colocá-las em prática. Ou seja, a ingerência do parlamentar faz com que o cargo seja menos atrativo.

O cientista político da Pulso Público destaca a candidatura de Crivella como exemplo. “Deixar o cargo de senador é politicamente melhor por conta do poder orçamentário do Rio de Janeiro”, diz. “É muito recurso disponível, o que aumenta a chance de implementar políticas públicas e ganhar muita visibilidade. As oportunidades da prefeitura são bem maiores do que as do Senado”.

Por essa razão, as cidades pequenas não entram nessa conta. Os especialistas explicam que a mudança de cargo só é vantajosa nos maiores municípios do país, como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. “Em hipótese alguma um parlamentar vai deixar o seu mandato para chefiar uma cidade com poucos recursos e com pouca notoriedade com a população”, diz Vitor Oliveira.

Veja quem são os 16 parlamentares que disputarão o segundo turno e os 10 já eleitos.

OS 16 CONGRESSISTAS QUE DISPUTARÃO O SEGUNDO TURNO

Candidatos a prefeito
Margarida Salomão (PT) – Juiz de Fora (MG)
Eli Correa Filho (DEM) – Guarulhos (SP)
Sergio Vidigal (PDT) – Serra (ES)
Cícero Almeida (PMDB) – Maceió (AL)
Washington Reis (PMDB) – Duque de Caxias (RJ)
Alex Manente (PPS) – São Bernardo do Campo (SP)
Anderson Ferreira (PR) – Jaboatão dos Guararapes (PE)
Valadares Filho (PSB) – Aracaju (SE)
Duarte Nogueira (PSDB) – Ribeirão Preto (SP)
Max Filho (PSDB) – Vila Velha (ES)
Nelson Marquezan Junior (PSDB) – Porto Alegre (RS)
Edmilson Rodrigues (PSOL) – Belém (PA)
Luiz Carlos Busato (PTB) – Canoas (RS)
Aliel Machado (REDE) – Ponta Grossa (PR)

Candidatos a vice-prefeito
Moroni Torgan (DEM) – Fortaleza (CE)
Marcos Rotta (PMDB) – Manaus (AM)

OS 10 PARLAMENTARES ELEITOS EM PRIMEIRO TURNO

Prefeitos
Arnon Bezerra (PTB-CE) – prefeito de Juazeiro do Norte
Dr. João (PR-RJ) – prefeito de São João do Meriti
Edinho Araújo (PMDB-SP) – prefeito de São José do Rio Preto
Fabiano Horta (PT-RJ) – prefeito de Maricá
Fernando Jordão (PMDB-RJ) – prefeito de Angra dos Reis
Marcelo Belinati (PP-PR) – prefeito de Londrina
Moema Gramacho (PT-BA) – prefeita de Lauro de Freitas
Odelmo Leão (PP-MG) – prefeito de Uberlândia

Vice-prefeitos
Bruno Covas (PSDB-SP) – vice-prefeito de São Paulo
Manoel Júnior (PMDB-PB) – vice-prefeito de João Pessoa

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