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Vergonha alheia

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A grande imprensa informa que a presidente afastada Dilma Rousseff vai ao Senado se defender no processo de impeachment. Seu intuito é de também constranger os senadores que antes integraram o seu governo e votaram a favor do relatório de Antonio Anastasia (PSDB-MG), que recomenda a cassação do mandato presidencial.

Dilma deveria poupar o País e a si mesma de tamanho despudor. Não que lhe seja vetado defender-se pessoalmente na mais alta corte do legislativo brasileiro, mas daí afirmar que estará ali para causar constrangimentos é o cúmulo do absurdo.

Pelo visto, a companheira não se constrange com a recessão causada por seus desacertos, e menos ainda com o desemprego que atinge mais de 11 milhões de brasileiros.

Cassado por causa de um fiat Elba, Fernando Collor de Melo, o adversário alçado depois à condição de aliado cinco estrelas do PT, não foi ao Senado e refugiou-se em Miami após ter o mandato extinto por força das manifestações da sociedade brasileira e graças à ação dos parlamentares federais.

Dilma não consegue se constranger nem mesmo ante as maiores evidências de que seu partido traficou benesses e surrupiou dinheiro público, tornando a Petrobras a empresa mais endividada do mundo.

Tampouco parece se envergonhar de que a cada dez brasileiros, sete desejam que ela volte pra casa. É insensível, também, ao abandono a que foi relegada pelos próprios companheiros, afinal derrotados em sua retórica desavergonhada de que são vítimas de um “golpe”.

Como Dilma, os petistas do Acre não se constrangem em tentar atribuir aos adversários as consequências inevitáveis dos desmandos causados por um governo marcado pela ineficiência e pela corrupção.

Insistem que Michel Temer é um golpista, que Sérgio Moro persegue o PT e que a imprensa inteira – salvo a que se inclina aos argumentos mais fajutos em favor do partido – está a serviço do capital internacional.

De ladainha em ladainha, os companheiros cavam a própria cova, a ignorar que as evidências são tantas e tão convincentes que esfrangalham qualquer tentativa de defesa do indefensável.

De Daniel Zen, passando por Léo de Brito, até ao próprio governador Sebastião Viana – que dia desses afirmou nas redes sociais ser Lula um “injustiçado” –, o Partido dos Trabalhadores não tem mais como reverter a imagem da sigla mais corrupta do país, desbancando (quem poderia imaginar?) até o PMDB de Renan, Cunha, Jucá, Sarney, Barbalho e tutti quanti.

Antes de desejar constranger ex-aliados no Senado, Dilma deveria se dar conta de que a si mesma é destinado o maior constrangimento da história recente do País.

Mas se a petista não consegue se dar conta dessa necessidade, é porque a todos nós, cidadãos de bem, cabe sentir por ela a tal “vergonha alheia”.

Bombando

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