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A César o que é de César

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Para quem é capaz de ler as tendências políticas fica fácil chegar à constatação de que a habilidosa engenharia idealizada pelos próceres do Partido dos Trabalhadores enredou o PCdoB em um ilusionismo ofuscante.

Animados com a ascensão de Moisés Diniz à Câmara dos Deputados – no lugar de Sibá Machado –, e em compensação ao espaço de vice na chapa da Frente Popular na capital, cedido a Socorro Néri, os camaradas nem ao menos se deram conta de o que ganho imediato será comutado em prejuízo futuro.

Ao emplacar Socorro Neri como vice de Marcus Viana, o PSB mostrou ter ganhado estofo desde que César Messias foi eleito deputado federal pela coligação. É dele também a indicação da delegada Carla Brito como candidata a prefeita de Cruzeiro do Sul.

À sorrelfa, no estilo “come quieto”, que lhe é peculiar, Messias, com as bênçãos dos Viana, foi ganhando terreno também em municípios como Epitaciolândia, cujo candidato a prefeito, Tião Flores, é do seu partido. Em Sena Madureira, o prefeito Mano Rufino já integra a legenda, concorrendo à reeleição. E em outros municípios os socialistas conseguiram indicar os candidatos a vice. Citemos Feijó, onde a aliança é com o PP de Gladson Cameli, e Xapuri, no qual o PSB garantiu a esposa do deputadao Manoel Moraes no palanque de Bira Vasconcelos, do PT.

Esse protagonismo do partido de César Messias aponta para duas vertentes especulativas. A primeira é que se desgastou o longo romance entre o PT e o PCdoB por razões óbvias: a obstinação de Perpétua Almeida em disputar a prefeitura da capital em 2012, e depois o Senado, em 2014, acabou por causar ranhuras na relação. E a derrota dela e do marido, Edvaldo Magalhães, em duas eleições consecutivas para o Senado os reduziu à realidade de “bons de briga, mas ruins de voto”.

Tirar do PCdoB a possibilidade de indicação de vice na chapa do atual prefeito petista, trocando-a por um mandato na Câmara Federal, pareceu aos incautos comunistas um negócio da China. A ponto de o deputado Jenilson Lopes comemorar a transação.

Acontece que ninguém no PCdoB parece ter se dado ao trabalho de calcular que tudo foi feito só pra que o PSB abocanhasse a posição. E com a proximidade para a eleição para o Senado, em 2018, o aceno aos camaradas é de que eles, derrotados duas vezes, terão de ceder a Messias a primazia da disputa.

Ao lado de Jorge Viana, César tem sido visto em frequentes agendas pelo interior do Acre. Esse fato, somado a tudo o que se disse anteriormente, corrobora a conclusão de que o deputado certamente estará no palanque dos postulantes da FPA ao Senado da República.

Como o PT sabe que acabou o tempo em que poderia esmurrar a mesa de negociações na hora de impor os candidatos de sua preferência para disputar eleições majoritárias, resta-lhes minar aqueles com os quais não temem poder morrer abraçados.

O PCdoB, que míngua a olhos vistos, virou um baita de um estorvo. E, ao que tudo indica, caberá a César Messias jogar a derradeira pá de cal sobre a cova comunista.

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