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“Quem praticou crime, independente de ser grande ou de pequeno vai ser preso e vai responder pelo fato criminoso”, diz secretário Emylson Farias

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REPORTAGEM DE RAY MELO E LUCIANO TAVARES

Pela primeira vez, após uma semana de divulgação de reportagens exclusivas dos autos do processo que está sob a responsabilidade do juiz da segunda Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Acre, Gilberto Matos de Araújo, que apura a ação de uma quadrilha que atuava dentro da Secretaria de Habitação e interesse Social do governo do Acre,  vendendo casas populares do Programa Sociais do Governo, que deveriam ser distribuídas para a população de baixa renda na capital, fato que ganha grande 1_juiz_Gilberto_Matosrepercussão em todo Estado, os principais responsáveis pela investigação que resultou na prisão e indiciamento de servidores públicos e pessoas que compraram – de forma irregular – as unidades habitacionais, os secretários de Segurança Pública, Emylson Farias, e de Polícia Civil, Carlos Flávio Portela, se pronunciaram por meio de entrevista concedida ao ac24horas para falar do desenrolar da Operação Lares.

Ao ser perguntado se a polícia irá ouvir pessoas influentes do governo, como foi o caso da chefe da Casa Civil, Márcia Regina e Rostênio Sousa, citados nos depoimentos de Rossandra Melo e Cícera Dantas, o secretário de Segurança Pública, Emylson Farias, salientou que “uma simples citação não significa que você responde a um fato criminoso. Uma pessoa que é citada você precisa ouvir outros elementos de prova pra poder formar convicção pra verificar se tem participação ou não. Uma simples citação não significa que você responde um fato criminoso. Citações vão sempre ocorrer em todo e qualquer lugar. O que você não pode ser principalmente num inquérito policial é irresponsável.”

Segundo depoimento – gravado em vídeo – concedido ao delegado Roberth Alencar por Rossandra Melo, uma das presas na Operação Lares, acusada de participação na máfia de venda de unidades habitacionais, cita o ex-secretário de Habitação, Rostênio Sousa, como um dos cabeças do esquema, e a chefe da Casa Civil, Márcia Regina, que segundo ela teria uma lista direcionada com o nome de 125 pessoas para serem beneficiadas com casas negociadas. Farias acrescentou que a operação ainda está em sua terceira fase e que mais pessoas devem ser ouvidas pela polícia.

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“A investigação tá na terceira fase. A Operação Lares foi instaurada por uma diretriz clara do próprio governador, mas não seria diferente porque é uma diretriz processual penal, busca da verdade real, interesse de estabelecer a verdade dos fatos. Então nós temos três fases dessa operação. Deixamos claro que essa operação terá outras fases e outros desdobramentos. Tudo tá sendo avaliado minuciosamente com imparcialidade, com transparência, com equilíbrio, quem acompanha é um juiz natural do caso. O juiz natural é quem tem acompanhado junto com o Ministério Público e é quem tem  acompanhado todas as medidas judiciais. Qualquer pessoa citada num inquérito policial sempre é avaliado, investigado, verificado se aquilo tem prova robusta, não tem. Porque tudo isso é feito com absoluta tranquilidade. Nós não temos nenhum problema não. Todo inquérito policial.”

 
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O secretário afirma que a Operação Lares segue uma linha imparcial de investigações e quem praticou crime, independente de grande ou de pequeno vai ser preso e vai responder pelo fato criminoso. Quando se diz que se prendeu peixe pequeno, eu não sei o que é peixe pequeno e nem o que é peixe grande.  A polícia não faz distinção entre peixe grande e peixe pequeno. Ela pega qualquer peixe”, diz.

Emylson Farias comenta sobre os pronunciamentos políticos acerca da operação. Ele lembra que o meio policial se difere do político, “onde tudo pode”. O critério policial, ao contrário, segue uma linha técnica e isenta. “No meio político tudo pode. No meio policial que é o meio científico, o meio técnico não é bem assim. A responsabilidade ela tem que tá acima de qualquer coisa. Você pode sair e falar, sair com ilações onde quer que queira, quem não pode sair com ilações é quem preside o inquérito, é o promotor de Justiça, é o juiz natural da causa, é secretário de Segurança, é o secretário de Polícia Civil, esses não podem sair com ilações, esse tem que estar sempre calcado na prova e na busca da verdade real.”

Farias também afirma que não há qualquer interferência política na operação e disse que “a imparcialidade faz parte do meu caráter. E caráter você não acha no meio do lixo, caráter é forjado e formado. Eu tenho princípios básicos, a minha imparcialidade ela sempre e nunca foi questionada por ninguém. Eu sempre dei demonstrações na minha carreira da minha imparcialidade. Sempre trabalhar da forma que eu trabalhei. O meu compromisso é com a verdade. Um secretário de Segurança ele não tem o poder pra direcionar a investigação pra onde quer que seja. As instituições são maduras. Você tá vendo uma operação em nível nacional (Lava Jato). Por acaso o ministro da Justiça interferiu no trabalho da Polícia Federal? Por acaso alguém de outra esfera política interferiu no trabalho da investigação da Polícia Federal? Não! E porque que aqui teria que ser diferente de outro locais. Aqui não é diferente. As instituições são maduras”.

Já o secretário de Polícia Civil, Carlos Flávio, ao ser questionado sobre o destino de Cleuda Maia, apontada como uma das cabeças do esquema, disse que ela já foi ouvida e que em um posterior mandado de condução coercitiva pode ser interpelada novamente. “Ela já foi ouvida. No que houver necessidade de localizá-la, tiver algum tipo de mandado de condução coercitiva certamente ela será localizada e responderá perante não só a Polícia Judiciária, mas perante a própria Justiça.”

A reportagem de ac24horas tomou o cuidado de seguir a recomendação de Emylson Farias, que antes de entrar no veículo que o esperava no estacionamento do Ministério Públicos Estadual, disse a seguinte frase: “gostaria de pedir que vocês coloquem exatamente da forma que eu falei. Que não mudem o contexto das informações aqui prestadas.” Sobre a autorização da Justiça para que os depoimentos se tornassem públicos, Emylson Farias afirmou que “não cabe a polícia fazer essa análise. Essa é uma decisão puramente do Judiciário. O juiz tem discricionariedade total pra levantar o sigilo na hora que entender. Assim diz a lei”, encerra.

 

 

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Acre

A igreja, a família e o pé de goiaba

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“Aos dez anos de idade, eu ia me matar. Eu peguei uma substância e ia tomar aquela substância. A casa pastoral do meu pai ficava no fundo da igreja e do lado da casa do meu pai tinha um pé de goiaba. E é naquele pé de goiaba que eu subia e chorava. E no dia que eu estava com o veneno em cima do pé de goiaba aconteceu algo extraordinário, prestem atenção, vocês acreditem se vocês quiserem: quando eu ia tomar o veneno, eu vi Jesus se aproximando do pé de goiaba. Eu tive uma revelação extraordinária!”

O testemunho acima é da futura ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves. Foi contado no altar de um templo evangélico tomado de fiéis.

Damares, a futura ministra, nasceu em um lar cristão evangélico. Seu pai, segundo ela registra no testemunho, era pastor. O nome dela, certamente, foi uma homenagem a uma outra Damares, personagem da Bíblia que teria se convertido provavelmente após uma pregação de Paulo, o apóstolo, conforme registro do livro de Atos dos Apóstolos, o quinto do Novo Testamento.

A Damares que vai virar ministra de Bolsonaro teve uma infância difícil, dolorosa, similar a de muitas meninas pelo país afora. Dos 6 aos 8 anos de idade, ela foi abusada e apesar de sinalizar a situação à família crente, pregadora da justiça e da compaixão, ninguém percebeu. Em uma parte de seu depoimento aos seus irmãos de igreja, ela afirma:
“A família não viu, a igreja não viu. O meu ambiente de proteção era a igreja e a família”.

Eu tenho um amigo de infância, o Chicó, que tentou suicídio algumas vezes. Aos 16 anos, mergulhado em uma depressão profunda, ele tomou veneno e conseguiu ser salvo porque uma tia dele o viu passando mal no quarto e o levou a um hospital. Dois anos depois, ainda depressivo e desenvolvendo esquizofrenia, Chicó outra vez tentou tirar a própria vida.

O enredo da vida de Chico é bem parecido com o de muita gente. A mãe dele apanhava diariamente do pai, que era alcoólatra. Suas duas irmãs menores indefesas sofriam com a violência dos pais. Ele, o mais velho dos filhos, mais ainda.

O chão de Chicó desmoronava precocemente até que um dia ele conheceu uma pessoa, sujeito do tipo raro, generoso. Vidal era seu nome, um membro de uma comunidade daimista. Vidal convidou Chicó para uma reunião em uma comunidade de gente simples. Ele foi, e desde o primeiro dia em que Chicó pisou naquela congregação de pessoas comuns sua vida mudou. A mente suicida, agora transborda vida.

Mecânico, hoje com 34 anos, Chicó sustenta a mãe, que mora com ele. O pai morreu. Suas irmãs são estudantes.

Conversa vai, conversa vem, Chicó começa a contar suas experiências. Lembra dos dias em que esteve à beira da morte e agora conta que a primeira vez que tomou daime teve a sensação de estar flutuando em outra dimensão em um lugar de paz profunda, um ambiente jamais experimentado. Algo do transcendente. “Quando estou naquele lugar tenho paz”, conta ele, ao garantir que venceu a depressão e nunca mais pensou em suicídio.

Chicó e Damares, cada um da sua forma e com seu credo, o que é muito individual, acreditam que venceram a depressão e a alma suicida com a ajuda divina. Damares diz ter visto o Filho de Deus. Chicó garante estar acompanhando por seres angelicais.

Sou extremamente cético, me encontro às vezes no niilismo, mas aprendi a entender as várias formas em que o indivíduo tenta se encontrar no mundo.
Há quem procure nos espíritos da floresta seu guia. Existem os que acreditam nos orixás. Ou aqueles que observam as águas como um componente espiritual. Há ainda quem prefira a forma oriental de observar o mundo transcendental.
Existem os que se vestem de ateus porque precisam ser aceitos na rodinha supostamente intelectual da universidade e que
acham que ser religioso é para os fracos. Há os ateus que não fazem propaganda, pois não necessitam de autoafirmação e tem aquele ateu que é ativista e faz do seu ateísmo uma espécie de religião.

Eu não sei se Damares viu Jesus. Isso não me interessa. Mas o contexto da infância dela é que é perturbador.

Sobre a ida de Damares para o Ministério dos Direitos Humanos não vou me antecipar com críticas. Ela sequer assumiu o setor. Mas espero, sinceramente, que Damares não sofra daquela mesma surdez e insensibilidade da igreja e da família.

“A família não viu, a igreja não viu.”

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Acre

Folha de São Paulo traz especial sobre o povo Yawanawá

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Janete, da aldeia Escondido, que usa pulseira com desenhos geométricos feitos com miçangas e segura jijus pescados no rio - Foto: Sebastião Salgado

Em sua edição deste domingo (16), o jornal Folha de São Paulo publicou um caderno especial com textos e fotos sobre o povo Yawanawá, que vive na Terra Indígena do Rio Gregório, em Tarauacá. As imagens são do conceituado e premiado fotógrafo Sebastião Salgado, que em 2016 iniciou projeto para retratar as populações tradicionais do país.

O primeiro trabalho publicado por ele no jornal paulista foi com os Ashaninka, da Terra Indígena do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo. Os textos são do jornalista Leão Serva, que acompanha Salgado em suas viagens.

O fotógrafo é mundialmente conhecido por suas belas fotografias no estilo preto e branco. Com os Yawanawá, Sebastião Salgado realizou ensaio que mostra toda a riqueza cultural deste povo acreano, que todos os anos realiza seu festival reunindo turistas de todos os cantos do planeta.

Clique aqui e confira o especial

 

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Acre

Motoristas de Uber são vítimas de assalto em Rio Branco

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Mais dois motoristas do aplicativo Uber foram alvos de assalto na noite de sábado (14), na capital, e tiveram seus bens pessoais roubados enquanto trabalhavam fazendo corridas.

Os motoristas teriam aceitado fazer uma corrida a cerca de oito homens no bairro Geraldo Fleming e direcionados a fazer a corrida até o bairro Tancredo Neves. Quando chegaram em uma área isolada do bairro, os passageiros anunciaram o assalto e saíram levando de um dos motoristas o carro modelo Fiat UNO de placa MAG 4239 e um celular, do outro, também o celular e a chave do veículo.

Eles pediram ajuda de populares que acionaram uma guarnição do 5º Batalhão e foram levados para a Delegacia onde registraram o Boletim de Ocorrências.

Caso alguém tenha informações sobre a localização do veículo roubado, o trabalhador pede que acione a polícia.

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