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Café foi moeda de troca para Peru abrir mercado à carne suína do Acre, diz jornal

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Por trás da decisão do Ministério da Agricultura de revogar a suspensão da importação de café verde em grão do Peru, no último dia de Kátia Abreu à frente da pasta na semana passada, está uma negociação mais ampla entre os governos dos dois países. O Brasil decidiu retirar a suspensão depois de ter a garantia de que Lima deve autorizar as exportações brasileiras de carne suína ao mercado peruano.

A negociação entre os dois países teve a inusitada participação de um Estado pouco expressivo para o agronegócio brasileiro e menos ainda para a cafeicultura brasileira: o Acre, que faz fronteira com o Peru.

Desde o fim do ano passado, o governador acreano, Sebastião Viana (PT), seu irmão, o senador Jorge Viana (PT), e representantes do frigorífico local, Dom Porquito, procuraram a então ministra da Agricultura, Kátia Abreu, para demonstrar o interesse do Estado em vender carne suína para os vizinhos peruanos. A estratégia, como explicou o senador ao Valor, tinha como objetivo desenvolver um polo industrial para o segmento de carnes na região, que tem uma rodovia destinada a escoar essa produção.

O senador e o governador deixaram claro para a ministra que em troca da abertura de seu mercado à carne suína do Acre o governo do Peru exigia que a o ministério aprovasse a entrada de café verde peruano. A importação foi autorizada pelo governo brasileiro em abril de 2015, mas foi suspensa um mês depois, em meio à grande reação de cafeicultores mineiros e capixabas.

A autorização para comprar o café do Peru interessa a indústrias instaladas no Brasil, como a Nestlé, que pretendem usar matéria-prima de outros países para produzir os blends de suas cápsulas de café.

“Não pudemos vender carne para o Peru ainda, mas já está em negociação pelo Itamaraty uma cota pequena para o Brasil exportar carne suína para lá”, destacou Jorge Viana.

Procurado, o Ministério da Agricultura respondeu que “não há nenhuma negociação com o Peru que indique a troca de produtos para abertura de eventual mercado peruano à carne suína do Brasil”. Mas está trabalhando para abrir esse mercado, que ainda está fechado. Segundo o ministério, a estimativa é de que as importações de café verde peruano somem apenas 400 toneladas por ano, entre cafés gourmet e orgânico.

Um técnico do ministério admitiu, porém, que a habilitação de frigoríficos brasileiros para exportação ao Peru “somente ocorrerá nesse tom” e que Lima “tem endurecido” com o Ministério da Agricultura em Brasília nas negociações de maneira geral.

“Essa troca de carne suína é tão pequena que não teria peso maior para um país [Peru] que produz 5 milhões de sacas de café e consome 110 mil sacas, e quer o Brasil para escoar aquele excesso que eles têm. Isso não beneficia ninguém”, disse o presidente do Conselho Nacional do Café, o deputado Silas Brasileiro. Ontem, Silas e outros parlamentares estiveram com o novo ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que prometeu analisar o pedido deles para que a portaria que autorizou a importação de café importado do Peru seja revogada. A resposta deve vir nos próximos dias.

Fonte: Valor Economico

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