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Nas nuvens

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Conselho editorial do ac24horas

O senador Jorge Viana (PT), que passou meses a repetir a ladainha dos aliados sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff, subscreveu a proposta de novas eleições para outubro deste ano. É a vez dos adversários dizerem aos petistas: não vai ter golpe!

Não foi coincidência o encontro, nesta quarta-feira, 27, de Jorge Viana e outros cinco senadores, que também assinam a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) de número 20, com o ex-presidente Lula, enquanto Dilma reconhecia a aliados que seu afastamento é inevitável.

O PT, que presumiu até o domingo, 17, poder barrar o impedimento da presidente na Câmara dos Deputados, passou a abraçar a ideia de novas eleições tão logo se deu conta de que, no Senado, a margem de manobra será menor ainda.

Se o partido não fica na presidência, Michel Temer também não poderá ficar. Eis o lema de quem ajudou a cassar Fernando Collor de Melo em 1992, e em seguida entrou com pedido de impeachment de Itamar Franco. Tudo porque a saída de ambos beneficiaria, claro, os próprios companheiros.

De contradição em contradição, o PT vai admitindo a todos, e com a maior desfaçatez, do que é capaz para manter-se no poder, uma vez que já está bem claro quase tudo que fez para chegar lá.

Ocorre que o grau de esquizofrenia política dos companheiros chegou ao cúmulo do rompimento com a realidade. Senão, vejamos:

A aprovação das PECs depende do voto de 60% dos congressistas, em duas votações – uma na Câmara e outra no Senado. São necessários 308 deputados e 49 senadores para aprovar a proposta.

Como o governo – com toda a pressão da base aliada, a gritaria da militância nas ruas e nas redes sociais e a pífia intervenção de Lula – só conseguiu 137 deputados na votação do impeachment, dá pra imaginar o que acontecerá com a PEC endossada por Jorge Viana.

Mais realista que os companheiros, Lula, no encontro desta quarta, disse, após ouvir o grupo, que pensará sobre a PEC das novas eleições. No fundo, ele deve intuir que a proposta jamais passaria no Congresso.

Nessas horas, alguém precisa ter os pés no chão. O que espanta é que seja justamente quem parecia destinado a viver sempre nas alturas.

 

 

 

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