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Herança maldita

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Conselho editorial do ac24horas

O discurso de que o pagamento dos servidores estaduais acreanos continua em dia tem sido repetido à exaustão pelos jornais locais e por membros do governo como um salvo-conduto à crise que se alastrou pelo país. O próprio governador Sebastião Viana se encarrega, vez por outra, de alardear o fato de que por estas bandas se honram com os compromissos financeiros, ao passo que estados bem mais ricos, como o Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, não.

Mesmo mantendo em dia o pagamento do funcionalismo, o atual governo suprime investimentos e rola as dívidas com fornecedores. Por causa disso, alguns já decretaram falência. E a incerteza quanto à liquidez da nossa economia tem afastado das licitações aqueles que antes se engalfinhavam para vencê-las.

Muitos setores da administração pública estadual foram vítimas de cortes orçamentários. Não há, sequer, combustível suficiente para os veículos oficiais, o que pode ser facilmente constatado pela população dos bairros mais violentos da capital, aonde as viaturas de polícia não chegam como antes.

Sem dinheiro em caixa para cumprir os compromissos e tocar a administração pública, o governo tratou de fechar o cerco aos empresários, de quem passou a cobrar mais ICMS.

Com menos dinheiro em circulação, os consumidores desapareceram, o comércio míngua e empresas fecham as portas. A inflação, por sua vez, parece ser o menor dos males num cenário de altos índices de desemprego.

Antes orgulhoso de sua agenda cheia e jornada de trabalho prolongada, o governador se recolheu às atividades protocolares. Afinal, já não há investimentos a anunciar, nem obras concluídas que sirvam à pirotecnia das inaugurações. O governo sucumbiu à paralisia.

A despeito disso, o cabideiro estatal segue abarrotado de companheiros ciosos de que nada têm a fazer para que recebam seus proventos no final do mês. A letargia dessa gente contrasta cada dia mais com o esforço diário de dezenas de milhares de acreanos que pegam no pesado pra sobreviver.

A exemplo do governo Dilma Rousseff, o do Acre acabou no final do ano passado, quando a crise bateu às portas do país e a receita oriunda do FPE se viu encolhida em centenas de milhões de reais.

Não foi à toa que Sebastião Viana, em entrevista recente a um blogueiro local, admitiu que, terminado o mandato, ele se recolherá à vida doméstica.

O período pós-PT no Acre não será diferente do que reserva o futuro para o restante do país. E não obstante tudo isso, nós ainda veremos os companheiros cobrando dos sucessores de Dilma e Viana a solução para os problemas que ambos haverão de nos legar.

 

 

 

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