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Morre o professor Raimundo “Cabeludo”; velório acontece na capela Morada da Paz

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aef51bee-f3b7-4d22-9acf-27f070d40bb9O velório do professor Raimundo Melo “Cabeludo” acontece nesta terça-feira, 22, na capela Morada da Paz. O sepultamento será no cemitério Morada da Paz, no bairro Calafate, às 16h.

Professor Raimundo faleceu no último sábado, 19, em um hospital em Goiânia (GO), vítima de complicações no coração. Ele tinha 74 anos.

Raimundo “Cabeludo” é pai do jornalista Stalin Melo e de outros cinco filhos. Era figura bastante conhecida no meio universitário, principalmente por suas relevantes atividades no departamento de Geografia da Universidade Federal do Acre.

Em sua página no Facebook, o senador Jorge Viana (PT) lembrou do professor como “um militante de vida toda, um ativista e, eu queria aqui, fazer esse registro em respeito à sua memoria, dos seus familiares e amigos.”

Em seu Facebook, o jornalista Régis Paiva fez uma homenagem ao professor. Veja:

Hoje, a noite vai ser triste, assim como os demais dias que virão. Aquela risada rasgada se calou. O fuzileiro acreano que estava amotinado no sindicato dos metalúrgicos em 1964 – o que deu azo ao golpe militar, aquele cabeludo que movimentava festas no Acre dos anos 60 com discos debaixo do braço e que alguns até nominaram “Nico Fidenco”, o mesmo que enfrentou os censores e perseguidores da ditadura ao nominar o filho tal qual o ditador soviético primeiro, o professor da UFAC que quando dava aulas os outros pavilhões também escutavam, perdeu a guerra da vida.

A história viva de um passado distante não pode mais ser ouvida. Calou-se a voz de trovão. Silenciou o guerreiro.
Um amigo, que muito me ensinou sobre a história e a geografia do Acre. Conhecia cada um dos antigos seringais e os nominava e a seus donos. Sempre encrenqueiro e alegre, um grande gozador.

Amigo de todos. Não importava se era um desembargador, professor doutor ou simples peão. A todos reconhecia. Mas era no campo que se identificava. Homem de mãos calejadas e sabedoria fina. Quem lhe apertava a mão por vezes não lhe entendia o cérebro, pois por trás da figura estava um grande conhecimento.

Tinha uma grande paixão: a Ufac. Ali, onde um dia fora sua propriedade – sim, uma das terras desapropriadas para a construção da universidade era dele – ele pode contribuir para a formação de muitos. Mesmo depois de aposentado, nunca deixou de contribuir com o movimento dos docentes.

Mas, foi traído pelo coração. O mesmo coração que tantas vezes o levou por caminhos amorosos, desta vez o laçou e derrubou.

Às vezes nos perguntamos se a vida é justa, pois perdemos pessoas que nos são caras. Mas vida é apenas a vida, um fio a partir-se em um instante. Não é uma questão de justiça, mas apenas nosso único destino. Espero que ele tenha sido recepcionado pela minha mãe e com ela esteja tomando um mate agora – sempre tomava chimarrão quando ia lá em casa – e que os Céus estejam mais alegres com a sua risada potente e rasgada.

A mim, restará sempre a lembrança de nossas andanças pelo Acre, as conversas no carro e as lágrimas vertidas ao escrever este texto de muito longe do Acre.
Adeus, Raimundo Lopes de Melo, meu amigo.

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