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Roberto Vaz: o cronista esportivo que se transformou em empresário da comunicação

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O empresário do ramo da comunicação Roberto Carlos Vaz de Azevedo tinha tudo para dar errado na vida. Afinal, nascido num seringal (Jarinal), ele perdeu o pai  muito cedo e só mudou para a cidade (bairro Estação Experimental) aos cinco anos de idade. Quando ele tinha sete anos também perdeu a mãe e, assim, teve que viver numa pousada de menores e vender sabonetes na rua para faturar um dinheirinho.

Um momento de descontração do jornalista Roberto Vaz, a época, ainda criança. Crédito: arquivo pessoal de Roberto Vaz

Um momento de descontração do jornalista Roberto Vaz, a época, ainda criança. Crédito: arquivo pessoal de Roberto Vaz

Na pousada, denominada Fundação do Bem-Estar Social (Funbesa), Roberto Vaz conviveu com marginais de toda a espécie. A escória social infanto juvenil ficava recolhida no referido local. Mas ele não se deixou levar pelas “forçadas” péssimas companhias. O seu bom comportamento acabou por levá-lo a conseguir um emprego de estafeta no Palácio Rio Branco, na gestão do governador Geraldo Mesquita.

Foi no Palácio Rio Branco que ele conheceu o radialista Campos Pereira. Um dia, “Campito” o convidou para trabalhar na equipe de esportes da Rádio Difusora Acreana. Corria o ano de 1980, Roberto Vaz estava prestes a completar 17 anos (ele nasceu em 27 de agosto de 1963) e a sua função seria a de carregar o equipamento da equipe esportiva, puxar e recolher fios e fazer gravações com jogadores e dirigentes.

Roberto Vaz e Campos Pereira durante realização de um Torneio Início, na década de 1980. Crédito: arquivo pessoal de Roberto Vaz

Roberto Vaz e Campos Pereira durante realização de um Torneio Início, na década de 1980. Crédito: arquivo pessoal de Roberto Vaz

Para executar esse trabalho, Roberto Vaz ganhava só alguns trocados, dados pelo próprio Campos Pereira, além de ter o direito de almoçar num restaurante chamado Pensão da Dona Bilu. “Eu queria mais do que aquilo. Eu nem sequer tinha o direito de ouvir minha voz no rádio. Eu gravava entrevistas, mas só ia ao ar a voz do entrevistado. O meu sonho era um dia ser igual ao Campos Pereira”, disse Roberto.

A experiência no microfone e na redação

Em 1983, pouco antes de completar 20 anos, a grande oportunidade de ocupar um microfone surgiu pelas mãos do radialista Sérgio Pitton, um paulista que migrara para o Acre no intuito de estruturar a Rádio Capital (ex-Novo Andirá). Pitton queria criar uma equipe de esportes composta só por nomes novos e Roberto Vaz foi convidado para ser o narrador principal. Roberto aceitou. Era tudo que ele queria.

Roberto Vaz apresenta proposta da Acea em reunião de clubes. Crédito: arquivo pessoal de Roberto Vaz

Roberto Vaz apresenta proposta da Acea em reunião de clubes. Crédito: arquivo pessoal de Roberto Vaz

“A nossa equipe era formada por mim, pelo Luiz Periquitão, pelo Estevão Bimbi, pelo Evilásio Galvão e pelo Sebastião Cândido. Nós tínhamos que competir e, se possível, ganhar a audiência do pessoal da Difusora Acreana, cuja equipe de esportes era formada pelos melhores da época. Era uma tarefa árdua. Mas acho que demos conta do recado. Foi o meu primeiro contrato profissional”, afirmou Roberto.

Toniquim, Norma Lameira, Roberto Vaz e a então governadora Iolanda Lima, em 1987. Crédito: arquivo pessoal de Roberto Vaz

Toniquim, Norma Lameira, Roberto Vaz e a então governadora Iolanda Lima, em 1987. Crédito: arquivo pessoal de Roberto Vaz

No ano seguinte, Roberto Vaz empreendeu outro salto profissional, passando do microfone para uma redação de jornal. É que ele foi convidado para assumir a editoria de esportes do recém-fundado jornal Folha do Acre. Apesar de não dominar praticamente nada do processo da escrita jornalística, ele topou o desafio. Tendo concluído apenas o primário, aquela se configurava uma tarefa quase impossível.

“Eu penei. Só consegui aprender a escrever graças à ajuda dos amigos. O Sílvio Martinello, que era o editor do jornal, me disse que eu tinha um mês para aprender. Ele me deu um prazo curto, mas teve muita paciência comigo. Todos os dias ele repassava o meu texto e me ensinava alguma coisa nova. Além dele outro cara que me ajudou muito foi o diagramador Afonso Marcílio”, explicou Roberto.

Depois da redação, Roberto virou patrão

A experiência como editor de esportes da Folha do Acre durou somente seis meses. Uma ingerência política fez vários repórteres, entre os quais Sílvio Martinello, pedirem demissão do jornal. Em solidariedade, Roberto Vaz saiu junto. Daí, os dois, mais outros seis jornalistas, resolveram fundar o periódico Repiquete. Aí Roberto, em vez de correr atrás da notícia, começou a correr atrás do dinheiro dos patrocinadores.

Roberto Vaz durante entrevista para o jornalista Francisco Dandão. Foto: Manoel Façanha

Roberto Vaz durante entrevista para o jornalista Francisco Dandão. Foto: Manoel Façanha

Daí pra frente, a vida de empresário virou uma ciranda e Roberto passou, sucessivamente, a mandatário dos jornais A Gazeta do Acre, A Gazeta, emissoras de rádio FM e sites de notícias (ele hoje dirige o site www.ac24horas.com). No meio disso tudo, Roberto ainda teve tempo de produzir programas esportivos de televisão, além de dirigir a Associação de Cronistas Esportivos do Acre, no biênio 1987/1988.

Nesse período todo de militância na mídia acreana, uma das coisas que mais dá orgulho a Roberto Vaz é o fato de ter sido responsável pela inclusão de alguns profissionais no jornalismo esportivo impresso. São os casos dos repórteres Raimundo Fernandes, Jota Edson (este falecido num acidente de trânsito) e Sérgio Valle (fotógrafo). Todos, no dizer dele, se transformaram em excelentes profissionais.

À guisa de conclusão da nossa conversa, Roberto Vaz fez questão de fazer duas considerações. A primeira, para confessar a sua admiração pelo narrador Deise Leite. “Eu gosto muito da postura do Deise. Ele transmite emoção, empolgação, vibra com a narração”, afirmou. A segunda, com respeito ao seu desinteresse atual pelo futebol. “Eu me desinteresso das coisas quando não estou envolvido nelas”, finalizou.

 

 

 

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