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Pé na estrada

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O Brasil é um país de dimensões continentais. Uma olhada, ainda que distraída, no mapa da América do Sul, prova isso. Os outros países, em relação ao nosso, pode-se dizer que são bem pequenos. Não sei bem como é que os colonizadores  portugueses conseguiram esse feito, no século XVI. Mas o certo é que conseguiram.

Por conta desse gigantismo, entretanto, apesar das vantagens óbvias proporcionadas pelas diversidades regionais e pela riqueza dos recursos naturais, surgem algumas complicações. Uma delas, talvez a de mais difícil solução, diz respeito às longas distâncias que se tem que percorrer quando se quer ir de um lugar a outro. O viajante pode passar horas para se deslocar dentro de uma mesma região.

A reflexão surge no espaço entre as minhas orelhas quando leio que o Rio Branco, legítimo representante do futebol acreano na série D do campeonato brasileiro de 2015, vai levar mais de meio dia para chegar em Vilhena, onde enfrenta o VEC, time da casa, neste domingo. São mil e duzentos quilômetros entre as duas cidades. Os primeiros quinhentos, o Rio Branco vai de avião. Depois é pé na estrada.

Na semana passada, o mesmo Rio Branco jogou em Roraima, lá na ponta de cima do país. Apesar de o percurso ter sido feito todo por via aérea, foi outra grande confusão para chegar ao local do jogo. É que as rotas estabelecidas pelas companhias que exploram esse tipo de transporte obedecem a uma lógica absolutamente peculiar.

E na estreia, no dia 18 de julho, contra o Clube do Remo, talvez o Estrelão tenha feito a pior das viagens. Como o jogo foi marcado para o interior do Pará, mais especificamente na cidade de Paragominas, o time do Acre precisou subir e descer de voos (sem direito àquele lanchinho “entala gato” de outros tempos), cochilar em cadeiras duríssimas de aeroportos e depois encarar trezentos quilômetros de estrada.

Falo do Rio Branco, por conta de um ponto de vista próprio, mas ressalto que o sacrifício é o mesmo (ou quase) para todos os times, uma vez que a competição é disputada no sistema de ida e volta. Quando o time do Acre joga na condição de anfitrião, quem passa pelos transtornos da viagem estafante é a equipe visitante.

No tocante ao aspecto esportivo, esse desgaste pelo qual passa o time visitante nessas competições de sedes tão distantes e difíceis de chegar, pela lógica, torna o anfitrião mais do que favorito em cada embate. Tudo a favor. E assim, perder um pontinho que seja, pode se transformar numa verdadeira catástrofe. Ao visitante, por seu lado, um empate pode estabelecer a diferença que o fará continuar na competição.

Então é isso, leitor… Navegar é preciso, desde os tempos do poeta português Fernando Pessoa… Os sacrifícios para um time visitante na série D, nesse grupo da região Norte, são enormes, conforme o argumento desenvolvido nessa crônica que você está acabando de ler. Ainda assim, é melhor jogar do que ficar fora, né não?

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