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Zacarias e Palheta

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Fiquei quatro dias da semana passada em Manaus. Fui à capital amazonense participar de um congresso regional de comunicação. É que mesmo aposentado, eu continuo na estrada. Não tenho intenção alguma de parar com a produção acadêmica tão cedo. Como eu disse num outro texto, agora, sem a obrigação de cumprir horários, é que eu tenho tempo mesmo para me debruçar sobre os diversos temas.

O giro pela capital das “amazonas” (mulheres guerreiras, segundo um relato seminal, datado do século XVI, perpetrado por um certo Frei Gaspar de Carvajal), porém, não se limitou às atividades do congresso. Acabei circulando por ruas, rios e restaurantes do local. Tucunarés, tambaquis, jaraquis e pacus quase saltam às calçadas para convidar os transeuntes a “cair de boca” nos seus corpos temperados.

E, como se não bastasse, tive ainda o prazer de curtir dois espetáculos no lendário Teatro Amazonas. Primeiro, na quinta-feira (28), um show da Orquestra Filarmônica do Amazonas. Depois, no sábado (30), um show de um grupo de mães cantoras. Em ambos os dias com a participação do Coral do Amazonas. Coral que, a propósito, é regido por um filho de Sena Madureira: o maestro Zacarias Fernandes.

O Zacarias, aliás, que eu já conheço há uns bons 15 anos, me proporcionou um desses encontros almejados por qualquer torcedor do futebol acreano das décadas de 1960 e 1970. Um encontro justamente com o ex-zagueiro Palheta, amazonense que migrou para Rio Branco em 1967 e que permaneceu no Acre até 1977, defendendo as cores do Grêmio Atlético Sampaio (GAS) e do Independência. Uma lenda viva!

Passamos, eu, o Zacarias e o Palheta, um bom par de horas relembrando casos do futebol acreano daquela época. Naturalmente, eu e o Zacarias mais ouvimos (e perguntamos, claro) do que falamos durante o agradável par de horas daquele final de tarde. Memória prodigiosa e sem nenhum constrangimento quanto a qualquer tipo de fato, o Palheta contou-nos inúmeras passagens da sua vitoriosa e brilhante carreira.

Passagens, por exemplo, como a de uma certa manhã em que a direção do Juventus tentou contratá-lo, justo no dia de uma decisão de título contra o seu Independência. O fato deu-se em 1973, em jogo para decidir o certame de 1972 (a famosa quarta partida). Palheta contou que era muito dinheiro, mas ele disse que não aceitou. Ele foi para o jogo e ajudou o Independência a ser campeão, nos pênaltis.

Sobre a sua fama de zagueiro violento, quando estava sem a bola, o Palheta disse, mais ou menos, o seguinte: “Eu não entrava para machucar adversário nenhum, mas eu chegava junto mesmo. Zagueiro não pode dar moleza, tem que mostrar para o atacante quem é que manda nas proximidades da área. Eu e o Sarapó [apelido do Deca, parceiro de zaga do Palheta] seguíamos essa regra. Respeito na nossa área”.

É isso por hoje. Outro dia eu conto mais sobre as histórias do Palheta. Agora, além de ter acabado o espaço no qual me compete escrever essa crônica, chama-me um sol lindíssimo que daqui a pouco vai se por do outro lado do rio Guaíba. Não, leitor, eu não confundi a geografia. É que no momento em que escrevo esse texto estou em Porto Alegre. Participo de outro congresso. Mas essa é uma outra história.

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