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A crônica de Francisco Dandão conta a história de um acreano apaixonado por futebol que foi em três copas

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Vítima de complicações causadas por diabetes, o acreano Francisco ModestodaCosta, conhecido por Chico Modesto, faleceu em 1993, aos 54 anos. Caso fosse vivo nos dias que correm, ele, que nasceu no seringal Capital, estaria com 75 anos e, muito provavelmente, finalizando os preparativos para assistir e torcer pelo Brasil na Copa do Mundo.

Fanático por futebol desde a juventude, tanto que chegou a arriscar uns chutes como atacante do Comercial, de Sena Madureira, além de dirigir o clube por várias décadas, Chico Modesto, por muitos anos funcionário do Basa daquela cidade, foi a três Copas do Mundo: 1978, na Argentina; 1982, na Espanha; e 1986, no México. Em nenhuma viu o Brasil ser campeão.

Das suas três viagens às copas, Chico Modesto, que aproveitava o evento para visitar os países vizinhos às sedes do mundial, trouxe centenas de fotografias e dezenas de lembranças. Ora ele aparece descendo de um navio junto a outros torcedores, ora ele posa ao lado de craques da seleção brasileira, ora ele registra sua passagem em uma arena de touros etc.

Entre as fotografias, duas demonstram o quanto ele conseguia chegar perto dos jogadores da seleção verde e amarela. Numa delas, Chico Modesto aparece com a mão no ombro do atacante Zico, numa situação que parece ser a de um treino do time brasileiro. Em outra, também no que parece ser uma situação de treino, ele posa abraçado com o lateral Branco.

Entre as recordações de viagem, duas peças se destacam no acervo cuidadosamente guardado pela filha, secretária executiva Cláudia Modesto: um legítimo “sombrero” mexicano, que Chico Modesto trouxe da Copa do Mundo de 1986; e uma camisa amarela autografada por todos os jogadores brasileiros que participaram da campanha da Espanha, em 1982.

O sonho irrealizado de Chico Modesto

Cláudia conta que a decisão do pai de ir às Copas do Mundo foi tomada depois do tricampeonato do México, em 1970. “Meu pai ficou tão empolgado com a conquista brasileira daquele ano que garantiu que estaria presente no estádio na próxima em que o Brasil levantasse uma taça de campeonato mundial. Ele morreu perseguindo esse sonho”, afirmou ela.

Um ano depois de ir à Copa de 1986, ele teve sua saúde agravada por conta do diabetes, perdendo 80% da visão, não podendo ir aos estádios italianos, aonde a seleção brasileira viria a sucumbir pela quinta vez seguida. No torneio seguinte, realizado nos Estados Unidos, o Brasil levaria o “caneco” pra casa, porém Chico Modesto já não estava mais entre nós.

“Na Copa de 1986, duas coisas foram marcantes para meu pai. Uma foi aparecer na Rede Globo como um torcedor de um dos locais mais inusitados. A outra coisa foi descobrir o paraguaio Romerito, jogador do Fluminense, na arquibancada e tirar uma foto com ele. Para o meu pai, que era tricolor fanático, aquilo foi o máximo”, explicou Cláudia.

Neste ano de 2014, a família Modesto se prepara para sua sexta Copa sem o patriarca. E como sempre depois da morte de Chico Modesto, em cada jogo do Brasil será realizado um ritual: abre-se o álbum de fotografias do falecido na frente do televisor; toca-se o Hino Nacional, na voz do Padre Marcelo Rossi, e distribui-se cerveja e churrasquinho para os presentes.

Para finalizar, uma promessa de Cláudia Modesto: “Em 2018, na Rússia, vou me planejar para seguir os passos do meu pai e ver ao vivo a Copa do Mundo, junto com o meu filho, o Gabriel. Só não fomos esse ano porque o Gabriel ainda é muito pequeno [o menino tem 4 anos] e não iria aproveitar muito. Mas na próxima nós estaremos lá, se Deus quiser”.

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