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O Diabo da Boina Verde

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Se você vira à esquerda da Avenida Getúlio Vargas, depois de subir a Ladeira da Maternidade, passando uns poucos imóveis, vai se deparar com uma casa de cores envelhecida, pequena, dissimulada e com uma arquitetura modesta.

Nesse local, eu imagino, é a sede do PC do B, um partido que no avançar da modernidade se aprimorou em colorir o vento com receitas ideológicas: velharias teóricas apodrecidas mais pelo fracasso histórico do que pelo tempo.

Já no artigo inicial do seu estatuto, encontramos suas marcas mais indeléveis e grossas:

O Partido Comunista do Brasil… Organização política de vanguarda consciente do proletariado, guia-se pela teoria científica e revolucionária elaborada por Marx e Engels, desenvolvida por Lênin e outros revolucionários marxistas.

O Partido Comunista do Brasil luta contra a exploração e opressão capitalista e imperialista. Visa à conquista do poder político pelo proletariado e seus aliados, propugnando o socialismo científico.

Antes de qualquer coisa, se nota pontualmente a sutileza em esconder os bigodes e barbas de outros sanguinários que namoraram essas ideias. Esses “outros revolucionários” do texto acima talvez se refira ao ASSASSINO DE STALIN, ao vendedor de camisas Che Guevara ou qualquer outro maluco que escovava os dentes com pólvora.

O PC do B abriga em seu seio contradições difíceis de solucionar. São raízes de uma árvore que não dá mais fruto nem flor. Sob o manto vermelho da demagogia desgastada, assistimos a uma triste constatação: essa sigla partidária goza de um direito democrático, o da livre expressão, cultuando monstros que dizimaram a divergência e os opositores de qualquer maneira e forma. Por isso, a certeza de que o inimigo era irmão gêmeo dos sonhos desse partido, pois lutava contra uma ditadura, almejando instalar outra.

Mas nem tudo é sonho! Nem tudo são palavras de efeito e verbetes agonizantes! O diabo da boina preta se cansou de ser mártir, saiu do fogo! Com os novos tempos, as novas fumaças levadas à cabeça, o PC do B assistiu a uma evolução interna que fez com que surgissem novas variantes, menos imaginárias e mais prática.

Isso é visto, quando temos figuras que passaram a se aproveitar das estruturas do poder. São parlamentares satisfeitos com o luxo e com as novidades do dinheiro, a fim de serem, paletó e gravata, o que suas palavras não permitem.

Lendo que esse partido “Visa à conquista do poder político pelo proletariado e seus aliados, propugnando o socialismo científico”, percebemos que, longe dos soníferos marxistas, essa nova classe de comunista abandonou as letras mortas do estatuto e foram resolver coisas mais importantes, viver bem e assistir suas famílias.

Aqui no Acre, o PC do B também resume essa síntese, esse confronto do novo e do velho. De um lado alguns militantes que ainda sustentam essas ingenuidades toscas; do outro, gente mais prática que conseguiu na política novos rumos particulares.

Para atender essa segunda classe de filiados, oportunistas e inteligentes, o PC do B aceitou ser uma folha em branco para os projetos de poder do PT. Não decide, só acompanha. Não se expressa, bate palma. Não reage, ganha cargo político. Não tem candidato, apoia.

Sufocado pela corda que ele mesmo aperta, o PC do B se confina, se apequena mais do que o natural. Esconde-se num artista coadjuvante e garante, para alguns uma felicidade sem fim e para outros um motivo a mais para fazer a cabeça.

Muito além das críticas aos caminhos apresentados a esse partido de identidade tão fértil, havemos de negritar que, do jeito que se mostra e se comporta, é irrelevante a direção para quem se recusa a caminhar.

 

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