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Os bonecos de neve

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Quem são esses homens com essas roupas engraçadas? São os ministro do STF, a mais alta corte do país  

Hermann Kristinsson estava muito estranho naquela fria tarde em Bolungarvík, pequena cidadela da bela e encantada Islândia.

Por motivos seus, o velho profissional de imprensa não saiu do quarto, não leu o jornal e não queria tirar a neve da porta da frente de sua casa.

 O lar não reclamaria esse comportamento, caso o neto não estivesse escolhido passar as férias com o seu amado avô. Queria reviver o carinho e afago, esquecidos depois de novos rumos que a família tinha tomado longe da pitoresca cidade natal.

Percebendo a mudança da possível rotina vespertina, o pequeno Bergson abriu a porta abruptamente do quarto e, sem qualquer pudor, quis saber por que não teria companhia na brincadeira de fazer bonecos com o gelo.

– Por que não vem comigo, hoje, vovô? O senhor está triste, e eu não gosto de vê-lo assim. É certo que o coração leve vive por muito tempo, mas flexione suas ideias. Por favor, não me deixe só nessa ilha! São duas mãos que lavam os pratos e copos. Então eu o quero comigo vovô.

– Ah meu filhotinho de peixe. Hoje estou tão perdido como igual às baleias que erram suas rotas e encontram as águas rasas das praias. O óleo da minha memória acabou, e minhas ações estão apagadas. Perdi-me em meus pensamentos demasiadamente muito.

– O que lhe fez assim? Diga-me, pois eu desejo saber. Eu poderei ajudar.

– Nada relevante Berg, abri este velho baú, e lembrei-me de coisa que aconteceram em minha vida de jornalista. Essas fotos sopram meus sentimentos. Esses textos que escrevi são como a fina chuva que não descansa, mesmo ao amanhecer.

– O que tem aí vô? Achei que essas coisas não lhe tocavam mais.

– Sempre tocarão. O jornalismo é parte de mim.

– Posso ver também?

– Sim, sim, sim! Cuidado no manusear, o tempo deixa todos e tudo muito frágeis.

– Nossa! Por que isso? Qual o sentido dessas fotos? Não lhe é macabro esses rostos em horrores? Que prazer pode haver em tanta desilusão?

– Era meu trabalho, meu filho. Corri o mundo inteiro e juntei os maiores atentados dos últimos tempos em fotos que agora estão em suas mãos.

– Puxa! Com pode o mundo ser assim tão errado? Fiquei mais assustado que uma foca, ao ver a grande orca. Onde foi essa foto vô?

– Foi em Mumbai, no hotel Taj Mahal. Nunca vi tanto sangue na vida. Morreram centenas de pessoas. Tive medo naquele caldeirão humano.

– Entendo… e essa vovô? Onde foi esse atentado?

– Foi o Bombardeio em Wall Street. Conheci sua vó nesse cenário, melhorei meu inglês e vivi na América boa parte da minha vida. Mas não gosto do jeito deles. Acham que resumem a humanidade com seus filmes e suas armas.

– Esse eu sei… papai falou muito. Essas fotos são bem conhecidas. Os ataques de 11 de Setembro de 2001 ao World Trade Center sacudiram o mundo e redefiniram uma época.

– Sim meu filho, uma triste prova de que se mata em nome de Deus. A intolerância é um mal terrível.

– Onde foi isso aqui vovô?

– Deixa-me ver… ah sim, nossa como essa foto está envelhecida! Eu pedi a aos céus para não ter de cobrir esse episódio. O atentado de Oklahoma City aconteceu em 1995, no dia 19 de abril, mais ou menos na época que seus pais decidiram ter você. Foi a única notícia boa que tive. Para alguns, a maldade humana é o próprio ar: necessário.

– Quantas fotos! Meu pai! Quantos atentados à humanidade, quanta afronta à vida também. Os seres humanos perderam os valores! São seres sujos, tempestades de invernos tenebrosos. Sou jovem, e não sei os segredos do mundo. Para mim, tudo é mais fácil e simples.

– É meu netinho, passei o dia pensando nessas catástrofes cruéis. Esses países tiveram de suportar duros golpes. Eu fui testemunha das desilusões de muitos povos. Eu fui testemunha de que as letras valem mais que a própria vida. Você tem razão, muitos valores se destroem na tragédia. Lembro-me quando…

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