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Os donos do mundo

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Certo homem antes de morrer chamou seus quatro filhos e deu a cada um uma lembrança guardada há muito tempo consigo.

– Marcos, és de todos o mais belo. Saldariam todos os deuses tua beleza. Tens harmonia na face e encantas a quem te mira. És sonho de muitas mulheres, desejo de muitos amores, ilusão de corações frágeis. Apenas pecaste numa coisa, algo muito grave, mas o tempo há de te mostrar e eu espero, que tua beleza possa isso um dia perceber. Toma! Dou-te esta foice, laminada pelos melhores aços da bela Suécia. Guarda-a e que te sirva ao que sonho e almejo, nesta pouca vida que me resta.

Chamou o segundo.

– Pedro, és de todos o mais forte. Os guerreiros mais combativos do passado admirar-se-iam de tua forma física e de teu porte aberto e frontal. Compassa bons movimentos, és elegante no andar e destaca propositalmente tuas particularidades. Apenas tu pecaste numa coisa, algo muito grave, mas o tempo há de te mostrar e eu espero que tua força possa isso um dia perceber. Toma! Dou-te estas caixas, fortes invólucros que resistem ao tempo e que me acompanham desde tenra idade. Saudosas épocas em que me era tão prazeroso o labor.

Chamou o terceiro.

Carlos, és de todos o mais inteligente. Tem detalhe nas ideias e aproveita bem os rumos que afloram em teus caminhos. Imagino serás grande e toda a riqueza que tenho se curvará às tuas vindouras conquistas. Apenas pecaste numa coisa, algo muito grave, mas o tempo há de te mostrar e eu espero que tua inteligência possa isso um dia perceber. Toma! A beira da estrada, onde todos os caminhos se cruzam, onde fervilham andarilhos, há uma casa. É tua! Foi lá onde tudo começou. Na minha juventude lancei meus planos a partir dela, e sua sombra me fez arquitetar o melhor para nossas vidas.

Chamou o quarto.

José, que fizeste de tua vida? Não tenho adjetivos a te descrever que pudessem me agradar. Buscastes outros caminhos, não valorizou o que eu construí, não se importou com o tempo que desgasta a todos. A mentira foi tua aliada. A persuasão o teu caminho. O que construíste foi fruto do engano. Que teria eu para dar-te? Ao contrário de teus irmãos, erraste em quase tudo. Não sei o quinhão de minha culpa, mas espero que teus defeitos não prossigam em tua vida. Toma! Dou-te esta chave. Deves usá-la, quando sair de minha propriedade, pois nada mais merece que meu desprezo.

Realizando suas intenções, solicitou a todos que saíssem. Gostaria de sentir o terminal suspiro sozinho. A tarde fora enterrado. A noite cada um dos irmãos teve atitudes diferentes com o que ganhou.

O mais belo não dormiu, quarou toda a noite apreciando a delicadeza, a beleza e a perfeição da foice que jamais deveria sentir a terra. Não nascera para isso. O sol não será meu cavalo. Os belos são os donos do mundo!

O mais forte também não dormiu, perdeu-se em razões que justificassem a herança do pai. Quem sabe nas caixas, com sua força, carregaria sua povir riqueza. Nada mais justo, pois era de qualquer forma o mais forte. Minha força moverá meu destino. Os fortes são os donos do mundo!

O mais inteligente dormiu pouco, mas de pronto sabia que juntos poderiam seguir os propósitos do morto pai. Uma foice poderia ajudar no trabalho. Caixas poderiam ser usadas nos transportes. Como tinham a casa, fariam o mais pulsante centro comercial para que ele pudesse administrar a sociedade, fazendo uso de sua enorme inteligência. O mundo é dos que sabem, pensou.

O desprezível dormiu toda a noite. Nada lhe infortunou. Nem mesmo a decepção do pai. Nem se quer o que ouvira atravessou os canais que saem dos ouvidos e chegam ao coração. Duvidavam que tivesse. Guardou no bolso sua chave e, pela manhã, bem antes de nascer completo o dia, trancava o portão porque saía, deixando na casa, guardadas nas caixas, as partes dos irmãos mortos pela foice que neles deslizou.

– Tive uma noite boa! Não sou o mais belo! Viajarei para algum lugar que não valorize tanto a beleza.

Não sou o mais forte, mas farei de tudo para o cansaço não me dominar. Não sou o mais inteligente, mas buscarei não errar o caminho.

Faço parte do mundo. Será que me falta mais alguma coisa?

Os que têm muito a esperar e nada a perder serão sempre perigosos. (Edmund Burke)

Por FRANCISCO RODRIGUES PEDROSA            f-r-p@bol.com.br

 

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Cotidiano

Bandidos armados invadem loja, fazem o limpa e são presos na Via Verde

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Mais uma ação rápida dos Policiais Militares do 2°Batalhão impediu que uma empresária tivesse um prejuízo de mais de R$ 10 mil. Os assaltantes Giovane Lucas Sousa Santos, 20 anos, Davi da Silva Limeira, 18 anos, e os adolescentes J.W.O e M.M.S, ambos de 17 anos, foram presos após invadirem a loja Jaque Confecções, render a proprietária e roubar vários pertences. O roubo aconteceu no bairro Santa Inês,  Segundo Distrito de Rio Branco.

A polícia foi acionada via Ciosp para atender a uma ocorrência de roubo a loja de confecções. Quarto homens armados em um Fiat Uno, de cor branca, placa NAD-5363, pararam na frente do estabelecimento e três dos criminosos invadiram a loja, renderam a proprietária com uma arma apontada para a sua cabeça e fizeram um limpa, subtraindo vários tênis, sandálias e roupas. A ação dos criminosos durou aproximadamente 10 minutos, os bandidos colocaram os pertences da loja no carro, roubaram o relógio e o anel da vítima e em seguida fugiram do local.

Durante patrulhamento na Via Verde, próximo ao Balneário Águas Claras, uma guarnição da polícia se deparou com o carro, houve um acompanhamento e o veículo foi abordado. Durante a revista no carro foi encontrado em posse dos criminosos, dois revólveres calibre 22, uma Garucha, um simulacro, um anel, um relógio e os pertences da loja. Foi feito uma consulta no sistema e foi constatado que o veículo em que os assaltantes estavam havia sido roubado no dia 8 deste mês por volta das 5h da madrugada.

Diante dos fatos o quarteto foi detido e encaminhado a Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) para os devidos procedimentos.

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Crônicas de um Francisco

É preciso sacudir a Rede

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Esqueçam as armas, os combates, as barricadas e os tambores! A guerra atual se ensaia e é travada nas redes sociais. No maior símbolo da expressão de um mundo sustentado na desigualdade e na informação, a internet, acumulam-se fatos e factoides.

As verdades são montadas, forjadas, climatizadas na frieza das artimanhas e nas tentativas tendenciosas de impor o seu quadro, a sua publicação. A verdade, aquela lá, distante e distanciada, perdida em algum lugar, se ausenta!
Nos sites de relacionamentos, formatam o pensamento, dividem as ideias, separaram as pessoas em duas classes: os da esquerda e os da direita.

Você não pode ficar fora desses dois lados. Nem que isso signifique que você não acredita em muitas coisas que essas duas frentes políticas vem mostrando e revelando. Mesmo que o que você quer é a reprovação e a condenação de todos os que mergulharam, sem a inocência infantil, na lagoa azul do crime contra o patrimônio público.

Ai começa a putaria! Abrem-se os bordeis! Não se sabe se é o cisne que pega o peixe ou se o peixe que vai pra morte.

As reportagens, as manchetes, as investigações, as decisões judiciais, enfim, tudo passa pelo filtro ideológico das afinidades políticas. Temos a impressão de que há um exército munido de brios e bravuras para detonar notícias e escândalos do outro.

O seu “doutor”, juiz, condenou o seu “bixim”. É de um partido de esquerda, foi golpe, manifestação das elites que querem morder a bunda dos revolucionários.

O mesmo seu “doutor” aceitou a denúncia contra o seu “zezim”. É da direita, é sacanagem, é injustiça, foi a esquerda que quando estava no poder conseguiu nutrir o judiciário de mentes vermelhas e avermelhadas.

A delação do “seu xikim” revela que milhões foram dados pro coelho da pascoa trazer ovos pra mim. Ah não, esse aí fazia parte do projeto político que tirou milhões da miséria e os colocou na pobreza. É mentira, difamação de uma elite quadrada que quer controlar ainda mais o Brasil.

A outra delação do seu “toim” forneceu documentos que comprometem um monte de políticos que pediram o impeachment da “lulu”. Ah não! Isso é um absurdo. Não podemos condenar ninguém antes da sentença. Além disso, as doações foram todas registradas e declaradas legais pelo pato que perdeu a pata.

E assim vamos! Cercados por cachoeiras de manchetes, tornados de acusações, campeonato de quem tirou o seu, mas “roubou” menos.

Nessa guerra de estrelas, nessa feroz batalha de quem brilha mais, há a certeza de que nenhum dos dois lados se sustenta, quando em fim raiar o dia.

Fale com Francisco Pedrosa no e-mail f-r-p@bol.com.br

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Afasta de mim este cálice

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Por Francisco Rodrigues Pedrosaf-r-p@bol.com.br

Ele sempre foi o mais vergonhoso na sala. Os professores que não gostavam do magistério o adoravam, não por suspeitar que ele não tivesse aprendido as matérias, mas porque nunca perturbava, nunca atrapalhava o martírio que era suportar quarenta desinteressados em uma sala de aula.

Jonas saía da escola como entrava: calado. Ao longo dos meses, até tentavam fazer disso alguns gracejos e escárnios, mas quando viam que ele não dava à mínima, paravam e aceitavam o colega afeto a poucas palavras.

O estudante não fazia isso de propósito, tinha problemas de se expressar, sentia pânico de usar o verbo e falar o que queria. Muitas vezes não entendia quase nada do assunto tratado, mas se redobrava em casa, sozinho, tentando aprender o que seu silêncio e timidez impediam de esclarecer.

Mas se tudo tem um preço, tudo também tem um fim. Decidiu acabar com aquilo de uma vez por toda. Era razoável pensar que, com seus dezesseis anos, não caía bem um rapaz portar-se como um túmulo. As coisas seriam diferentes, o mundo tinha ouvidos, precisavam lhe escutar.

Foi assim que, certo dia, vendo a professora se aproximar, imaginou ser o momento de romper com as barreiras que lhe afligiam por anos. A cada passo da docente, cada olhar em sua direção, cada corpo reto e uniforme ao seu, Jonas percebia que tinha chegado a hora. Seria agora ou nunca!

Na sua cabeça pensativa, no seu coração que palpitava apressado, em suas mãos que suavam, Jonas se lembrou de todas as vezes que ousou dizer algo em sala, queria enriquecer o assunto com algo que sabia, falar de suas opiniões sobre os temas, suas divergências e percepções, mas nunca conseguia se quer levantar o dedo, pedindo a voz aos mestres. Escurecia-se no seu silêncio mais mórbido.

Quando a professora restava alguns centímetros dele, o aluno respirou fundo e finalmente sussurrou alguma coisa que ela entendeu:

– Bom dia, Professora, a senhora tem ideia de quando a greve acaba?

– Não faço ideia Jonas. O Governo é irredutível, diz não haver dinheiro para conceder o mínimo que queremos e o mínimo que a educação precisa para melhorar. Enquanto isso, estamos aqui, sentindo na pele o quanto nosso dinheiro não vale mais quase nada. Você viu como as coisas aumentaram aqui nesse mercadinho? Gostaria muito que o secretário de educação e todos os outros bajuladores vivessem com o que estamos sendo obrigador a viver. Não tem dinheiro, porque gastou, gasta e gastará mal os recursos. Precisamos dar um basta nisso.

– Verdade, professora! Sempre é bom darmos basta em algo.

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Crônicas de um Francisco

Quem ganha com a greve dos professores?

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O dia tinha amanhecido quente! Os organizadores do movimento grevista combinaram na tarde passada mostrar do que o sindicato poderia ser capaz. Como forma de demostrar para o governador o repúdio a suas declarações de que não há dinheiro para conceder as misérias que melhorariam um pouco as misérias dos professores, a categoria iria bloquear as duas pontes do centro da cidade no horário mais tumultuado. O caos seria completo!

Os líderes do movimento sabiam que a peleja era desigual, lutavam contra um governo que reunia nas suas coxas muito da história do sindicalismo público do estado. Os professores sabiam mesmo que o partido que criou, sustentou e legitima ideologicamente o governo tinha inúmeros ex/falsos-sindicalistas. Sujeitos que no passado propuseram o debate, articularam as preposições de luta e criaram aquela linguagem enfadonha e renitente de um fantasioso companheirismo. Ardia mais o fogo, quando vinha do que se imaginava amigo.

Meio dia! O sol de matar formiga, escaldante e rude, lençol típico da Amazônia nessa época do ano, batia nos rostos secos e fustigados de tanto descaso. Pronúncias das mais altas insatisfações, combate do vil combate, pulsos aos céus em intermitentes socos, os professores marcharam em gritos de guerra, formulando inúmeros cânticos e parodias em protesto ao trato que a educação recebe no estado.

Quem realmente perde com a greve dos professores? Quem definitivamente ganha com ela? Perguntas difíceis, dilemas que a mão não consegue tocar: portfólio da irresponsabilidade que já passa dos quinhentos anos. Celebrem, homenageiem quem disse um dia que o Brasil não é serio.

Seu Chiquim ganhou com a greve! Idoso que avançava os setenta, sugado pelo inconformismo das agruras que a vida lhe ofereceu, picolezeiro por opção de se manter vivo ainda, naquele dia, bem dizer, naquela manhã, vendeu todos os seus produtos rapidamente.
Em meio a tantas alegrias, teve tempo de voltar a sorveteria e recarregar seu carrinho uma vez mais de tantos quantos pudessem comportar. Vendeu todos mais uma vez. O apurado no fim do dia foi gordo, iria escolher uma carne com ossos menores no açougue, trocaria a havaiana que namorava uns pregos há tempos e levaria um leite de rosas para a mulher.

Seu Chiquim perdeu com a greve! Feliz da vida com o dia que teve, não se ateve a perceber que avançou nos pratos da janta, descontrolou-se no carinho e tentou ir bem além do beijo seco e do abraço que sustentava aquela santa relação. Não existia mais! O coração não estava preparado para tanta afetividade. Quis muito! Quis amar e demonstrar sua simples felicidade, rememorar os anos em que fechava os bares, e mulher nenhuma sentia algo maior longe de seus braços. O Chicão tinha morrido, só ele não sabia!

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Bombando

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