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A política tem pernas curtas

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EM ALGUM JORNAL DA CIDADE DE ALGUM CANAL DE TELEVISÃO

– E a seguir, jovem é preso por tentativa de assalto, tem ferimentos graves e morre. Você vai ver essas e outras notícias após o intervalo. Não saia daí, a gente volta já.

COMERCIAIS

Não deixe de conferir as ofertas do Supermercado “Dindin”. Os melhores preços da cidade em verduras, legumes e produtos em geral você só encontra aqui.

Isso tudo, num ambiente amplo e seguro, com funcionários treinados para que você e sua família possam fazer boas compras, sem abrir mão da comodidade, conforto e lazer.

Eles, os funcionários, não nos interessam. Não ligamos para ele. O mais importante é você. A prova disso é que agora, abriremos aos domingos e feriados até às 11 da noite.

Horas extras não existem e se algum reclamar ganha grátis as contas e uma indenização irrisória porque aqui, no supermercado “Dindin” o Caixa “2” canta forte.

OUTRO COMERCIAL PARA NINGUÉM NA SALA

O Governo do estado de Bilubilubiluteteia inicia uma nova era para sua população. Com investimentos em várias áreas, nosso povo, pouco a pouco, vai sentindo as mudanças que estão acontecendo e que darão à Bilubilubiluteteia as chaves para um futuro promissor e feliz. Não é seu José?

É verdade sim senhor, antes aqui em Bilubilubiluteteia as coisas iam mal. Não tínhamos escolas, ruas asfaltadas, cinema 3D. A coisa era tão ruim que só tinha um cemitério.

A coisa tá mudando! Deixa o homem trabalhar. Ele tá mostrando que agora vai.

Diga aí Dona Maria.

Meu filho, antes aqui em Bilubilubiluteteia, eu me lembro, a gente passava um tempão nas filas dos hospitais. Às vezes demorava mais de mês pra ser atendida.

Agora não, só basta chegar cinco da tarde, dormir nos corredores ou no pátio da Fundação Hospitalar de Bilubilubiluteteia que no outro dia, aos tapas e empurrões, com muita força de vontade, a gente consegue uma ficha para ser atendida em menos de um mês. Tá uma beleza.

Agora, o povo tem que ter mais coragem né. Deixar de ser preguiçoso e partir pra luta. Não quer perder uns dias apenas de sono? Não quer ficar na fila? Não quer ter paciência com os funcionários ignorantes e estúpidos? Pode ligar pra isso não! A vida não é mais importante? Então pronto.

É assim. Com força e determinação que estamos construindo uma Bilubilubiluteteia melhor.

VOLTANDO O TELEJORNAL

Estamos de volta com o seu telejornal. Sabemos que você não estava na sala na hora dos comerciais. Você está pensando que somos bestas? Enganou-se! Toma!

Os biscoitos “do branquim” são feitos com carinho e amor para que todos possam ter um lanche saldável. Na hora dos estudos, com a família e até com o namorado ou a namorada, ofereça biscoitos “do branquim”. Biscoitos “do branquim”, porque os outros são muito “ruim”.

Falar de outra violência agora. Um grupo de político se preparava para mais um roubo do dinheiro público, em mais um mega esquema de corrupção, quando um jovem eleitor, aparentando mais ou menos 20 anos reagiu a isso e quis assaltar a opinião dos outros para que não votassem mais neles.

Quem tem essa informação é o repórter Pequim Aquino. Pequim Aquino, conta pra nós que absurdo é esse que aconteceu!

É isso mesmo, Sócrates Morto. Um rapaz de identidade ainda não revelada estava, em pleno dia de eleição, tentando convencer as pessoas a não votarem mais em políticos despreparados.

Segundo testemunhas, o jovem usava armas de grosso calibre. Com ele foram encontrados bons argumentos, opinião própria, vergonha na cara e outros elementos que foram utilizados para cometer o crime.

A política foi chamada e, após trocarem tiros, o rapaz foi morto. Seu corpo se encontra no IML, mas até agora ninguém foi lá para fazer os trabalhos de reconhecimento.

Pelegado, podemos dizer que a cidade está mais tranquila agora com menos um delinquente solto pelas ruas?

– Positivo e operante. Claro que o crime não acaba com ele. Mas a política e outras instituições não vão medir esforços para garantir paz e segurança para nossa população continuar votando nos piores candidatos.

– Para o senhor, o que leva um jovem a fazer uma coisa dessa?

– Olha, infelizmente algumas pessoas de hoje não querem mais deixar as coisas como estão. Precisam aceitar que se estivessem lá, fariam as mesmas coisas. O Brasil é assim. O “errado” ocorre em todos os níveis. Da zeladora da escola que leva o resto do sabão em pó pra casa, ao deputado que recebe recursos da licitação fraudulenta. Todos gostam de meter a mão.

Faz parte do nosso DNA. Já nascemos como resultado de um roubo. Afinal essas terras não eram dos índios? Então pronto. A política tá aqui para permitir que essas coisas continuem acontecendo. É natural. É tudo muito natural.

Quem é que nunca se aproveitou de uma situação para se dá bem? Quem nunca trocou a legalidade pela intimidade? Quem? Quem? É isso que essa juventude não entende. São novos! Com o tempo irão aprender mais sobre isso. Vivem agora a fase do protesto sem causa e sem razão.

Da central de flagrante da 13ª Regional, Pequim Aquino para o Jornal dos Surdos.

Por FRANCISCO RODRIGUES PEDROSA       f-r-p@bol.com.br

 

 

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Cotidiano

Bandidos armados invadem loja, fazem o limpa e são presos na Via Verde

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Mais uma ação rápida dos Policiais Militares do 2°Batalhão impediu que uma empresária tivesse um prejuízo de mais de R$ 10 mil. Os assaltantes Giovane Lucas Sousa Santos, 20 anos, Davi da Silva Limeira, 18 anos, e os adolescentes J.W.O e M.M.S, ambos de 17 anos, foram presos após invadirem a loja Jaque Confecções, render a proprietária e roubar vários pertences. O roubo aconteceu no bairro Santa Inês,  Segundo Distrito de Rio Branco.

A polícia foi acionada via Ciosp para atender a uma ocorrência de roubo a loja de confecções. Quarto homens armados em um Fiat Uno, de cor branca, placa NAD-5363, pararam na frente do estabelecimento e três dos criminosos invadiram a loja, renderam a proprietária com uma arma apontada para a sua cabeça e fizeram um limpa, subtraindo vários tênis, sandálias e roupas. A ação dos criminosos durou aproximadamente 10 minutos, os bandidos colocaram os pertences da loja no carro, roubaram o relógio e o anel da vítima e em seguida fugiram do local.

Durante patrulhamento na Via Verde, próximo ao Balneário Águas Claras, uma guarnição da polícia se deparou com o carro, houve um acompanhamento e o veículo foi abordado. Durante a revista no carro foi encontrado em posse dos criminosos, dois revólveres calibre 22, uma Garucha, um simulacro, um anel, um relógio e os pertences da loja. Foi feito uma consulta no sistema e foi constatado que o veículo em que os assaltantes estavam havia sido roubado no dia 8 deste mês por volta das 5h da madrugada.

Diante dos fatos o quarteto foi detido e encaminhado a Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) para os devidos procedimentos.

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Crônicas de um Francisco

É preciso sacudir a Rede

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Esqueçam as armas, os combates, as barricadas e os tambores! A guerra atual se ensaia e é travada nas redes sociais. No maior símbolo da expressão de um mundo sustentado na desigualdade e na informação, a internet, acumulam-se fatos e factoides.

As verdades são montadas, forjadas, climatizadas na frieza das artimanhas e nas tentativas tendenciosas de impor o seu quadro, a sua publicação. A verdade, aquela lá, distante e distanciada, perdida em algum lugar, se ausenta!
Nos sites de relacionamentos, formatam o pensamento, dividem as ideias, separaram as pessoas em duas classes: os da esquerda e os da direita.

Você não pode ficar fora desses dois lados. Nem que isso signifique que você não acredita em muitas coisas que essas duas frentes políticas vem mostrando e revelando. Mesmo que o que você quer é a reprovação e a condenação de todos os que mergulharam, sem a inocência infantil, na lagoa azul do crime contra o patrimônio público.

Ai começa a putaria! Abrem-se os bordeis! Não se sabe se é o cisne que pega o peixe ou se o peixe que vai pra morte.

As reportagens, as manchetes, as investigações, as decisões judiciais, enfim, tudo passa pelo filtro ideológico das afinidades políticas. Temos a impressão de que há um exército munido de brios e bravuras para detonar notícias e escândalos do outro.

O seu “doutor”, juiz, condenou o seu “bixim”. É de um partido de esquerda, foi golpe, manifestação das elites que querem morder a bunda dos revolucionários.

O mesmo seu “doutor” aceitou a denúncia contra o seu “zezim”. É da direita, é sacanagem, é injustiça, foi a esquerda que quando estava no poder conseguiu nutrir o judiciário de mentes vermelhas e avermelhadas.

A delação do “seu xikim” revela que milhões foram dados pro coelho da pascoa trazer ovos pra mim. Ah não, esse aí fazia parte do projeto político que tirou milhões da miséria e os colocou na pobreza. É mentira, difamação de uma elite quadrada que quer controlar ainda mais o Brasil.

A outra delação do seu “toim” forneceu documentos que comprometem um monte de políticos que pediram o impeachment da “lulu”. Ah não! Isso é um absurdo. Não podemos condenar ninguém antes da sentença. Além disso, as doações foram todas registradas e declaradas legais pelo pato que perdeu a pata.

E assim vamos! Cercados por cachoeiras de manchetes, tornados de acusações, campeonato de quem tirou o seu, mas “roubou” menos.

Nessa guerra de estrelas, nessa feroz batalha de quem brilha mais, há a certeza de que nenhum dos dois lados se sustenta, quando em fim raiar o dia.

Fale com Francisco Pedrosa no e-mail f-r-p@bol.com.br

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Afasta de mim este cálice

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Por Francisco Rodrigues Pedrosaf-r-p@bol.com.br

Ele sempre foi o mais vergonhoso na sala. Os professores que não gostavam do magistério o adoravam, não por suspeitar que ele não tivesse aprendido as matérias, mas porque nunca perturbava, nunca atrapalhava o martírio que era suportar quarenta desinteressados em uma sala de aula.

Jonas saía da escola como entrava: calado. Ao longo dos meses, até tentavam fazer disso alguns gracejos e escárnios, mas quando viam que ele não dava à mínima, paravam e aceitavam o colega afeto a poucas palavras.

O estudante não fazia isso de propósito, tinha problemas de se expressar, sentia pânico de usar o verbo e falar o que queria. Muitas vezes não entendia quase nada do assunto tratado, mas se redobrava em casa, sozinho, tentando aprender o que seu silêncio e timidez impediam de esclarecer.

Mas se tudo tem um preço, tudo também tem um fim. Decidiu acabar com aquilo de uma vez por toda. Era razoável pensar que, com seus dezesseis anos, não caía bem um rapaz portar-se como um túmulo. As coisas seriam diferentes, o mundo tinha ouvidos, precisavam lhe escutar.

Foi assim que, certo dia, vendo a professora se aproximar, imaginou ser o momento de romper com as barreiras que lhe afligiam por anos. A cada passo da docente, cada olhar em sua direção, cada corpo reto e uniforme ao seu, Jonas percebia que tinha chegado a hora. Seria agora ou nunca!

Na sua cabeça pensativa, no seu coração que palpitava apressado, em suas mãos que suavam, Jonas se lembrou de todas as vezes que ousou dizer algo em sala, queria enriquecer o assunto com algo que sabia, falar de suas opiniões sobre os temas, suas divergências e percepções, mas nunca conseguia se quer levantar o dedo, pedindo a voz aos mestres. Escurecia-se no seu silêncio mais mórbido.

Quando a professora restava alguns centímetros dele, o aluno respirou fundo e finalmente sussurrou alguma coisa que ela entendeu:

– Bom dia, Professora, a senhora tem ideia de quando a greve acaba?

– Não faço ideia Jonas. O Governo é irredutível, diz não haver dinheiro para conceder o mínimo que queremos e o mínimo que a educação precisa para melhorar. Enquanto isso, estamos aqui, sentindo na pele o quanto nosso dinheiro não vale mais quase nada. Você viu como as coisas aumentaram aqui nesse mercadinho? Gostaria muito que o secretário de educação e todos os outros bajuladores vivessem com o que estamos sendo obrigador a viver. Não tem dinheiro, porque gastou, gasta e gastará mal os recursos. Precisamos dar um basta nisso.

– Verdade, professora! Sempre é bom darmos basta em algo.

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Crônicas de um Francisco

Quem ganha com a greve dos professores?

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O dia tinha amanhecido quente! Os organizadores do movimento grevista combinaram na tarde passada mostrar do que o sindicato poderia ser capaz. Como forma de demostrar para o governador o repúdio a suas declarações de que não há dinheiro para conceder as misérias que melhorariam um pouco as misérias dos professores, a categoria iria bloquear as duas pontes do centro da cidade no horário mais tumultuado. O caos seria completo!

Os líderes do movimento sabiam que a peleja era desigual, lutavam contra um governo que reunia nas suas coxas muito da história do sindicalismo público do estado. Os professores sabiam mesmo que o partido que criou, sustentou e legitima ideologicamente o governo tinha inúmeros ex/falsos-sindicalistas. Sujeitos que no passado propuseram o debate, articularam as preposições de luta e criaram aquela linguagem enfadonha e renitente de um fantasioso companheirismo. Ardia mais o fogo, quando vinha do que se imaginava amigo.

Meio dia! O sol de matar formiga, escaldante e rude, lençol típico da Amazônia nessa época do ano, batia nos rostos secos e fustigados de tanto descaso. Pronúncias das mais altas insatisfações, combate do vil combate, pulsos aos céus em intermitentes socos, os professores marcharam em gritos de guerra, formulando inúmeros cânticos e parodias em protesto ao trato que a educação recebe no estado.

Quem realmente perde com a greve dos professores? Quem definitivamente ganha com ela? Perguntas difíceis, dilemas que a mão não consegue tocar: portfólio da irresponsabilidade que já passa dos quinhentos anos. Celebrem, homenageiem quem disse um dia que o Brasil não é serio.

Seu Chiquim ganhou com a greve! Idoso que avançava os setenta, sugado pelo inconformismo das agruras que a vida lhe ofereceu, picolezeiro por opção de se manter vivo ainda, naquele dia, bem dizer, naquela manhã, vendeu todos os seus produtos rapidamente.
Em meio a tantas alegrias, teve tempo de voltar a sorveteria e recarregar seu carrinho uma vez mais de tantos quantos pudessem comportar. Vendeu todos mais uma vez. O apurado no fim do dia foi gordo, iria escolher uma carne com ossos menores no açougue, trocaria a havaiana que namorava uns pregos há tempos e levaria um leite de rosas para a mulher.

Seu Chiquim perdeu com a greve! Feliz da vida com o dia que teve, não se ateve a perceber que avançou nos pratos da janta, descontrolou-se no carinho e tentou ir bem além do beijo seco e do abraço que sustentava aquela santa relação. Não existia mais! O coração não estava preparado para tanta afetividade. Quis muito! Quis amar e demonstrar sua simples felicidade, rememorar os anos em que fechava os bares, e mulher nenhuma sentia algo maior longe de seus braços. O Chicão tinha morrido, só ele não sabia!

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Bombando

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