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A Festa na Selva

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– Papai, para onde estamos indo?

– Filho, essa é a melhor parte do passeio. Depois de vermos tantas coisas nessa selva e termos assistido ao julgamento das hienas, iremos fazer um safári.

– As hienas foram condenadas papai? O que foi que elas fizeram? Eu nem prestei atenção!

– Poucos perceberam! É uma pena que não teve a repercussão devida. Muitos ficaram vendo outras coisas.

– Foram condenados?

– Sim, filho! Antes as hienas viviam a raptar carniças e carcaças de restos de animais abatidos pelas grandes feras. Mas de um tempo pra cá, decidiram agir de outro modo e para fazer parte da classe mais alta da pirâmide alimentar, passaram a fazer coisas absurdas. Atos e comportamentos terríveis que deixaram até os mais ferozes caçadores atônitos e assustados.

– O que veremos agora, papai?

– Você irá gostar. Há muitos bichos aqui nessa região. Eu sabia disso. Foi o motivo de ter comprado esse pacote de férias com a Companhia da Mata. Essa empresa está rica. Milionária! Somente ela faz a propaganda desses bichos.

– Tudo bem papai! Espero que o senhor também possa gostar.

– Tome uma bala filho. Beba água, o dia está muito quente.

– Olhe papai! Quantas gazelas a saltitar pelos verdes pastos dessas terras! Parecem felizes, apesar de que há bestas a espreitar seus equívocos e desatentos.

– Sim meu querido. Esses animais são os alvos preferidos de todas as feras que vagam por aqui. Infelizmente, são rápidas, velozes, mas, por que não dizer, ingênuas. Não percebem que precisam se mudar dessas paisagens. Há muito tempo estão aqui. A migração é necessária, pois os campos se desgastam e se corroem. O que foi verde, com o tempo, não passa de palhas secas. É uma pena que elas não percebem isso! Preocupam-se mais com suas funções.

– Por que diz isso papai? Elas são muitas!  Acho que vivem bem. Fazem muita propaganda sobre isso.

Pai, quem são aqueles bichos ali? Não estou reconhecendo muito bem. Acho que nunca os vi.

– São leões, meu filho.

– Leões? Não, pai! O senhor está enganado. Olhe bem, acho que são outros bichos.

– Não, não. São leões sim! Para poder viver nessas planícies, eles precisam se disfarçar. Não viveriam expondo sua essência, seu furor e seus desejos mais íntimos. As presas fugiriam facilmente se vissem a verdadeira identidade dessas feras. Naturalmente, mentem. Vivem assim, pois o engano é sua maior espada.

Olhe que as máscaras não escondem bem suas garras. Os bichos mais atentos não se deixam enganar por essa bela fantasia. Vivem sempre longe delas. Mas infelizmente são poucos assim.

– Papai… e aqueles ali nas margens daquele lago, quem são? Parecem dormir ao sol!

– Você se engana! Aqueles ali, não fazem como os outros crocodilos que vivem no outro lado da savana. São terríveis! Depois que os pássaros pequenos limpam suas sujeiras, tirando dos seus dentes os restos que apodrecem em suas bocas nojentas, eles são devorados. Monstros tão grandes, como podem ter medo de pássaros tão pequenos? Sem contar a ingratidão. Mas na selva que avistamos, essa palavra é o tom maior.

– Verdade, papai. Como podem esquecer que o mutualismo é útil para a própria existência deles.

– Ah meu filho, não se engane: a ganância é igual! O que difere é o tamanho. Aquelas discretas aves fariam pior se tivessem as mesmas medidas. Algumas vezes se confundem e sonham com o dia e que deixem de limpar a boca e possam devorar a própria carne da fera.

– Papai , veja! Do outro lado do lago! Olhe! Aqueles animais parecem sozinhos. Nossa! Como fazem barulhos. Acho que querem cruzar, mudar de lado.

– Já estiveram aqui. São filhos dos mesmos pais. Quando a estação mudou, saíram de madrugada sem ninguém ver e partiram em buscas de melhores dias. Com a imprecisão climática, hoje choram para poder voltar. Poderiam atravessar o lago, mas sabem que os crocodilos não lhes dariam êxitos.

O GUIA DO PASSEIO

Pediríamos que todos fizessem silêncio e que não abrissem nem mesmo pequenas embalagens agora. Passaremos o mais próximo possível da maior fera dessa savana. Ela dorme! Tem o domínio de tudo aqui e, quando algum bicho atrapalha seu sono, ele desperta com muita ira e furor. Ele é vingativo e mordaz. Se a ameaça for maior, não tem constrangimento algum em chamar seus irmãos.

Por FRANCISCO RODRIGUES PEDROSA       f-r-p@bol.com.br

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Cotidiano

Bandidos armados invadem loja, fazem o limpa e são presos na Via Verde

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Mais uma ação rápida dos Policiais Militares do 2°Batalhão impediu que uma empresária tivesse um prejuízo de mais de R$ 10 mil. Os assaltantes Giovane Lucas Sousa Santos, 20 anos, Davi da Silva Limeira, 18 anos, e os adolescentes J.W.O e M.M.S, ambos de 17 anos, foram presos após invadirem a loja Jaque Confecções, render a proprietária e roubar vários pertences. O roubo aconteceu no bairro Santa Inês,  Segundo Distrito de Rio Branco.

A polícia foi acionada via Ciosp para atender a uma ocorrência de roubo a loja de confecções. Quarto homens armados em um Fiat Uno, de cor branca, placa NAD-5363, pararam na frente do estabelecimento e três dos criminosos invadiram a loja, renderam a proprietária com uma arma apontada para a sua cabeça e fizeram um limpa, subtraindo vários tênis, sandálias e roupas. A ação dos criminosos durou aproximadamente 10 minutos, os bandidos colocaram os pertences da loja no carro, roubaram o relógio e o anel da vítima e em seguida fugiram do local.

Durante patrulhamento na Via Verde, próximo ao Balneário Águas Claras, uma guarnição da polícia se deparou com o carro, houve um acompanhamento e o veículo foi abordado. Durante a revista no carro foi encontrado em posse dos criminosos, dois revólveres calibre 22, uma Garucha, um simulacro, um anel, um relógio e os pertences da loja. Foi feito uma consulta no sistema e foi constatado que o veículo em que os assaltantes estavam havia sido roubado no dia 8 deste mês por volta das 5h da madrugada.

Diante dos fatos o quarteto foi detido e encaminhado a Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) para os devidos procedimentos.

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Crônicas de um Francisco

É preciso sacudir a Rede

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Esqueçam as armas, os combates, as barricadas e os tambores! A guerra atual se ensaia e é travada nas redes sociais. No maior símbolo da expressão de um mundo sustentado na desigualdade e na informação, a internet, acumulam-se fatos e factoides.

As verdades são montadas, forjadas, climatizadas na frieza das artimanhas e nas tentativas tendenciosas de impor o seu quadro, a sua publicação. A verdade, aquela lá, distante e distanciada, perdida em algum lugar, se ausenta!
Nos sites de relacionamentos, formatam o pensamento, dividem as ideias, separaram as pessoas em duas classes: os da esquerda e os da direita.

Você não pode ficar fora desses dois lados. Nem que isso signifique que você não acredita em muitas coisas que essas duas frentes políticas vem mostrando e revelando. Mesmo que o que você quer é a reprovação e a condenação de todos os que mergulharam, sem a inocência infantil, na lagoa azul do crime contra o patrimônio público.

Ai começa a putaria! Abrem-se os bordeis! Não se sabe se é o cisne que pega o peixe ou se o peixe que vai pra morte.

As reportagens, as manchetes, as investigações, as decisões judiciais, enfim, tudo passa pelo filtro ideológico das afinidades políticas. Temos a impressão de que há um exército munido de brios e bravuras para detonar notícias e escândalos do outro.

O seu “doutor”, juiz, condenou o seu “bixim”. É de um partido de esquerda, foi golpe, manifestação das elites que querem morder a bunda dos revolucionários.

O mesmo seu “doutor” aceitou a denúncia contra o seu “zezim”. É da direita, é sacanagem, é injustiça, foi a esquerda que quando estava no poder conseguiu nutrir o judiciário de mentes vermelhas e avermelhadas.

A delação do “seu xikim” revela que milhões foram dados pro coelho da pascoa trazer ovos pra mim. Ah não, esse aí fazia parte do projeto político que tirou milhões da miséria e os colocou na pobreza. É mentira, difamação de uma elite quadrada que quer controlar ainda mais o Brasil.

A outra delação do seu “toim” forneceu documentos que comprometem um monte de políticos que pediram o impeachment da “lulu”. Ah não! Isso é um absurdo. Não podemos condenar ninguém antes da sentença. Além disso, as doações foram todas registradas e declaradas legais pelo pato que perdeu a pata.

E assim vamos! Cercados por cachoeiras de manchetes, tornados de acusações, campeonato de quem tirou o seu, mas “roubou” menos.

Nessa guerra de estrelas, nessa feroz batalha de quem brilha mais, há a certeza de que nenhum dos dois lados se sustenta, quando em fim raiar o dia.

Fale com Francisco Pedrosa no e-mail f-r-p@bol.com.br

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Afasta de mim este cálice

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Por Francisco Rodrigues Pedrosaf-r-p@bol.com.br

Ele sempre foi o mais vergonhoso na sala. Os professores que não gostavam do magistério o adoravam, não por suspeitar que ele não tivesse aprendido as matérias, mas porque nunca perturbava, nunca atrapalhava o martírio que era suportar quarenta desinteressados em uma sala de aula.

Jonas saía da escola como entrava: calado. Ao longo dos meses, até tentavam fazer disso alguns gracejos e escárnios, mas quando viam que ele não dava à mínima, paravam e aceitavam o colega afeto a poucas palavras.

O estudante não fazia isso de propósito, tinha problemas de se expressar, sentia pânico de usar o verbo e falar o que queria. Muitas vezes não entendia quase nada do assunto tratado, mas se redobrava em casa, sozinho, tentando aprender o que seu silêncio e timidez impediam de esclarecer.

Mas se tudo tem um preço, tudo também tem um fim. Decidiu acabar com aquilo de uma vez por toda. Era razoável pensar que, com seus dezesseis anos, não caía bem um rapaz portar-se como um túmulo. As coisas seriam diferentes, o mundo tinha ouvidos, precisavam lhe escutar.

Foi assim que, certo dia, vendo a professora se aproximar, imaginou ser o momento de romper com as barreiras que lhe afligiam por anos. A cada passo da docente, cada olhar em sua direção, cada corpo reto e uniforme ao seu, Jonas percebia que tinha chegado a hora. Seria agora ou nunca!

Na sua cabeça pensativa, no seu coração que palpitava apressado, em suas mãos que suavam, Jonas se lembrou de todas as vezes que ousou dizer algo em sala, queria enriquecer o assunto com algo que sabia, falar de suas opiniões sobre os temas, suas divergências e percepções, mas nunca conseguia se quer levantar o dedo, pedindo a voz aos mestres. Escurecia-se no seu silêncio mais mórbido.

Quando a professora restava alguns centímetros dele, o aluno respirou fundo e finalmente sussurrou alguma coisa que ela entendeu:

– Bom dia, Professora, a senhora tem ideia de quando a greve acaba?

– Não faço ideia Jonas. O Governo é irredutível, diz não haver dinheiro para conceder o mínimo que queremos e o mínimo que a educação precisa para melhorar. Enquanto isso, estamos aqui, sentindo na pele o quanto nosso dinheiro não vale mais quase nada. Você viu como as coisas aumentaram aqui nesse mercadinho? Gostaria muito que o secretário de educação e todos os outros bajuladores vivessem com o que estamos sendo obrigador a viver. Não tem dinheiro, porque gastou, gasta e gastará mal os recursos. Precisamos dar um basta nisso.

– Verdade, professora! Sempre é bom darmos basta em algo.

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Crônicas de um Francisco

Quem ganha com a greve dos professores?

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O dia tinha amanhecido quente! Os organizadores do movimento grevista combinaram na tarde passada mostrar do que o sindicato poderia ser capaz. Como forma de demostrar para o governador o repúdio a suas declarações de que não há dinheiro para conceder as misérias que melhorariam um pouco as misérias dos professores, a categoria iria bloquear as duas pontes do centro da cidade no horário mais tumultuado. O caos seria completo!

Os líderes do movimento sabiam que a peleja era desigual, lutavam contra um governo que reunia nas suas coxas muito da história do sindicalismo público do estado. Os professores sabiam mesmo que o partido que criou, sustentou e legitima ideologicamente o governo tinha inúmeros ex/falsos-sindicalistas. Sujeitos que no passado propuseram o debate, articularam as preposições de luta e criaram aquela linguagem enfadonha e renitente de um fantasioso companheirismo. Ardia mais o fogo, quando vinha do que se imaginava amigo.

Meio dia! O sol de matar formiga, escaldante e rude, lençol típico da Amazônia nessa época do ano, batia nos rostos secos e fustigados de tanto descaso. Pronúncias das mais altas insatisfações, combate do vil combate, pulsos aos céus em intermitentes socos, os professores marcharam em gritos de guerra, formulando inúmeros cânticos e parodias em protesto ao trato que a educação recebe no estado.

Quem realmente perde com a greve dos professores? Quem definitivamente ganha com ela? Perguntas difíceis, dilemas que a mão não consegue tocar: portfólio da irresponsabilidade que já passa dos quinhentos anos. Celebrem, homenageiem quem disse um dia que o Brasil não é serio.

Seu Chiquim ganhou com a greve! Idoso que avançava os setenta, sugado pelo inconformismo das agruras que a vida lhe ofereceu, picolezeiro por opção de se manter vivo ainda, naquele dia, bem dizer, naquela manhã, vendeu todos os seus produtos rapidamente.
Em meio a tantas alegrias, teve tempo de voltar a sorveteria e recarregar seu carrinho uma vez mais de tantos quantos pudessem comportar. Vendeu todos mais uma vez. O apurado no fim do dia foi gordo, iria escolher uma carne com ossos menores no açougue, trocaria a havaiana que namorava uns pregos há tempos e levaria um leite de rosas para a mulher.

Seu Chiquim perdeu com a greve! Feliz da vida com o dia que teve, não se ateve a perceber que avançou nos pratos da janta, descontrolou-se no carinho e tentou ir bem além do beijo seco e do abraço que sustentava aquela santa relação. Não existia mais! O coração não estava preparado para tanta afetividade. Quis muito! Quis amar e demonstrar sua simples felicidade, rememorar os anos em que fechava os bares, e mulher nenhuma sentia algo maior longe de seus braços. O Chicão tinha morrido, só ele não sabia!

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Bombando

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