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Uma guerra sem tréguas

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Não existem dados precisos mas a estimativa das entidades que trabalham com o problema é que  mais de 30 mil adolescentes, com idades entre 12 e 17 anos, estão envolvidos com o uso de drogas em Rio Branco. O número de adolescentes em situação de risco ou dependência corresponde portanto a quase 10% do total da população da capital. Isso sem contar o número de adultos, crianças e até pessoas da 3ª idade que vivem o mesmo problema.

Representantes de entidades que trabalham com a dependentes químicos são unânimes em afirmar que o número da demanda por tratamento é 3 vezes maior que a capacidade da oferta. Assim como ecoam a mesma queixa, a de é muito difícil em curto prazo se adequar às regras de funcionamento estabelecidas pela Anvisa, através da Portaria 29.

Todas as mais de 30 entidades tem gente na fila de espera. “Ultrapassamos nosso limite, mas como dizer ao doente que não tem vaga e que ele terá que voltar para as ruas?”, questiona o pastor Wellington Antunes Correa da Igreja Peniel.

Apesar da falta de vagas, é nas entidades que continuam a chegar diariamente dependentes em busca de ajuda, seja levados pela família ou enviados pela justiça e pelo poder público, uma vez que o Estado não dispõe de estrutura para esse tipo de cuidado, embora no final do ano passado o problema tenha crescido tanto que foi impossível não percebê-lo, o que levou o governo federal a lançar o Plano de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas.

No Acre, antes disso a deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB), se reuniu com as entidades e acordou a alocação de emendas específicas, que foram colocadas no orçamento deste ano. O total de R$ 4 milhões visa auxiliar no que for necessário. “ Estamos perdendo a guerra contra as drogas, principalmente porque o Estado se omitiu. Há anos quem assumiu a responsabilidade do Estado no tratamento da dependência química são as entidades. É absurdo ainda exigir uma contrapartida das entidades. A contrapartida delas é o trabalho social que está sendo feito”, disse a deputada Perpétua Almeida, que convocou a reunião para disponibilizar ajuda na elaboração de projetos, uma vez que estes precisam ser apresentados até o final de maio para que o dinheiro seja liberado.

“O momento é esse, na área da justiça também tem muito recurso, até mesmo para a reinserção de doentes à sociedade”, alertou o Secretário Estadual de Segurança Social Antonio Torres.

A secretária de Ação Social Estefânia Pontes alertou para a necessidade de um tratamento continuado “As famílias de dependentes precisam ser tratadas junto, porque adoecem com o dependente e muitas vezes depois que o vício desestruturou a família, o dependente se recupera e precisa do apoio da família, que não existe mais. É um ciclo perverso”.

Dentre as propostas apresentadas na reunião, destacam-se: a necessidade de apoio legislativo estadual na elaboração de leis que amparem o ex- dependente, como a que já existe em alguns estados e que dá isenção de encargos para empresas que contratarem recuperados por um ano e a que prevê que o ICMS de drogas lícitas como álcool e cigarro seja destinado à entidades que trabalham com a recuperação de dependentes químicos.

“ Não podemos entrar nas lutas pela metade, ou nos doamos por inteiro ou nem começamos, pois a nossa solidariedade não pode ser dosada como medicamento, em conta-gotas”, desafiou a deputada comunista.

Angélica Paiva, de Rio Branco

 

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