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Observatório da Imprensa diz que grande jornal descobre drama de haitianos no Acre

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Um artigo publicado nesta segunda-feira (26) no Observatório da Imprensa afirma que tardiamente a grande imprensa brasileira  descobre o drama dos refugiados haitianos no Brasil. A Folha de S.Paulo, de hoje, dedicou uma página inteira ao assunto.

 Um drama na fronteira

Por Luciano Martins Costa em 26/12/2011 na edição 673

 

Demorou, mas a chamada grande imprensa acabou descobrindo o drama dos refugiados haitianos que se concentram na cidade de Brasiléia, fronteira do Acre com a Bolívia. É uma página inteira na Folha de S.Paulo, na edição de segunda-feira (26/12), contando como centenas de trabalhadores viajam do Haiti e, com ajuda de “coiotes” bolivianos, chegam à cidade brasileira.

Já são 900, na maioria homens de até 40 anos, muitos pedreiros e pintores de parede, vivendo precariamente em um pequeno hotel e em algumas casas alugadas nas proximidades da praça central de Brasiléia.

Oficialmente, eles não devem ser tidos como refugiados, uma vez que não sofrem perseguição política em seu país, esclarece a Folha, mas acabam recebendo o protocolo que lhes permite trabalhar no Brasil por uma questão humanitária. E é justamente a questão humanitária o ponto central desse drama que foi ignorado durante meses pela imprensa.

Crianças pequenas

A reportagem relatando o Natal dos haitianos no Acre fica devendo em personagens e boas histórias, mas já cumpre a função de registrar a epopeia que eles precisam realizar para tentar um trabalho no Brasil.

Está ali o roteiro da viagem do Haiti até Brasiléia, com um mapa, o dia a dia dos refugiados e o custo da aventura. Também estão relatados os riscos por que passam, a exploração que sofrem pelo caminho e seus planos de seguir adiante, para cidades onde possam encontrar parentes e amigos que os antecederam.

Mas falta justamente o mais saboroso da pauta: o clima na praça central de Brasiléia, que se tornou uma Meca para eles, como uma fortaleza a ser alcançada no caminho para uma vida melhor.

A reportagem da Folha é precisa e objetiva na medida do possível, mas tem dificuldades para descrever o ambiente emocional dos reencontros de amigos, o calor da solidariedade que os acolhe em Brasiléia, as expectativas dos que conseguem terminar a travessia. Nem mesmo a celebração do Natal, na praça da cidade, com churrasco, refrigerantes e um baile a céu aberto, parece ter animado o repórter.

E não teria sido por falta de assunto: a presença, entre os refugiados, de quase duas dezenas de mulheres grávidas e crianças muito pequenas poderia transferir a reportagem do caráter meramente diplomático para a questão humanitária propriamente dita, muito mais saborosa e até mais informativa.

Faltou gente

O relato da Folha tem o mérito de trazer para a opinião pública dos grandes centros do país um drama que se desenvolve na fronteira amazônica, como reflexo da miséria que assola o país mais pobre das Américas. Serve como introdução ao noticiário que deverá vir de Brasília, nos próximos dias, sobre o resultado de reuniões que vêm ocorrendo desde a semana passada, destinadas a propor uma solução oficial para o problema.

Sem uma política oficial da ONU, os haitianos que saem de seu país em busca de trabalho no Brasil ficam à mercê de criminosos, que lhes tiram o pouco dinheiro, telefones celulares e as melhores roupas que carregam. Há muitos relatos, entre eles, de abusos cometidos por autoridAdes alfandegárias da Bolívia, principalmente contra as mulheres.

Uma reportagem correta sobre uma questão humanitária não é a reportagem mais correta. Quadros, mapas, dados, por mais bem organizados e precisos, não contam bem uma história que envolve sofrimento e solidariedade. Por isso, as duas fotografias publicadas pela Folha dizem mais do que o texto sobre a rotina dos haitianos que esperam por uma autorização de trabalho.

Na primeira página, eles dançam a kompa – dança típica do Haiti – durante a comemoração do Natal na praça central de Brasiléia. Na foto interna, dois haitianos caminham sob a ponte que une os dois lados da fronteira com a Bolívia. A primeira revela muito sobre a surpreendente alegria dessa gente que vem sendo castigada há séculos pela escravidão, por tiranias e desastres naturais. A segunda foto mostra o que os haitianos fazem para passar o tempo: eles caminham e conversam.

Os 900 refugiados formam uma comunidade exótica, numa região onde são raros os descendentes de africanos. O fato de serem acolhidos pela população de Brasiléia é seguramente a única razão para que essa epopeia não tenha até aqui se transformado em tragédia.

A silenciosa e anônima solidariedade que garante alimento, abrigo, roupas e fraldas para as crianças é uma parte importante dessa reportagem. Mas parece que o jornalismo contemporâneo, sempre tão rico em planilhas e gráficos, esqueceu que o melhor das histórias são as pessoas.

 

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Drama haitiano: Uma crise silenciosa – L.M.C.

 

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Acre

56 famílias recebem título de regularização fundiária na Capital

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Cinquenta e seis famílias do bairro Santa Inês, localizado em Rio Branco, receberam o título definitivo de regularização fundiária nesta quarta-feira, 30. O processo foi coordenado pelo Instituto de Terras do Acre (Iteracre) em parceria com a prefeitura de Rio Branco finalizou com a entrega do documento na Escola Estadual Antonia Fernandes.

Segundo o diretor-presidente do Iteracre, Alírio Wanderley, os títulos já estão registrados em cartório e aptos para serem utilizados por seus proprietários. O secretário municipal de Infraestrutura, Edson Rigaud, destacou a relevância da execução de políticas públicas como esta para melhorar a qualidade de vida das pessoas. “Mesmo diante dessa pandemia que estamos enfrentando, é muito bom celebrar a entrega desses títulos definitivos e proporcionar a mais de 50 famílias esse benefício, somente aqui no bairro Santa Inês”, disse.

Para o presidente da Associação dos Moradores da comunidade localizada no Segundo Distrito da capital, Francisco Sídio, todo investimento realizado no bairro é bem-vindo. “Como representante dos moradores, quero agradecer o governo por estar entregando esses títulos definitivos e dizer que aguardávamos muito por este momento. Esperamos que mais famílias recebam o documento”.

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Acre

Acre volta a registrar mortes por Covid-19 e soma mais 192 casos

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Após passar mais dois dias seguidos sem registrar nenhuma morte decorrente de Covid-19, o Estado do Acre voltou a contabilizar óbitos por conta da doença nesta quarta-feira (30). Com mais duas mortes, o número oficial de mortes pelo vírus no Acre sobe para 659.

Além disso, a secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) confirmou mais 192 novos casos de contaminação pelo novo coronavírus, fazendo com que o número de infectados passe agora para 28.222.

Os dois óbitos registrados nesta quarta-feira são do sexo feminino, sendo moradores de Feijó e Rio Branco, sendo F.O.F., de 65 anos. Moradora de Rio Branco, deu entrada no dia 23 de setembro, no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into-AC), e faleceu nesta terça-feira, 29. E a última F.P., de 74 anos. Moradora de Feijó, deu entrada no dia 25 de setembro, no Hospital Regional de Feijó, e faleceu na última sexta-feira, 25.

O Acre, até o momento, registra 72.428 notificações de contaminação pela doença, sendo que 44.153 casos foram descartados. Ainda, 53 testes de RT-PCR seguem aguardando análise pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Acre (Lacen) e pelo Centro de Infectologia Charles Mérieux. Pelo menos 25.195 pessoas já receberam alta médica da doença, enquanto 79 seguem hospitalizadas.

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Acre

Superior Tribunal de Justiça nega habeas corpus para Ícaro Pinto

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O Ministro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça, (STJ), negou o pedido de habeas corpus impetrado pela defesa de Ícaro José da Silva Pinto, que atropelou e matou Jonhliane de Souza, de 30 anos, no último dia 6 de agosto. A decisão foi despachada nesta terça-feira, 29.

O magistrado ressaltou em sua decisão que a concessão de liminar em habeas corpus constitui medida excepcional, uma vez que somente pode ser deferida quando demonstrado, de modo claro e indiscutível, ilegalidade no ato judicial impugnado, mas que não vislumbrava a presença de qualquer pressuposto para concessão do pedido.

“Na espécie, sem qualquer adiantamento do mérito da demanda, não vislumbro, ao menos neste instante, a presença de pressuposto autorizativo da concessão da tutela de urgência pretendida. Assim, indefiro o pedido de liminar”, frisou o Ministro, que ainda pediu informações a 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Rio Branco.

Ícaro está preso desde o 15 de agosto no Batalhão da Polícia Ambiental desde que o juiz Alesson Braz autorizou a sua prisão preventiva. Desde então, os advogados do fisioterapeuta já tentaram relaxar a prisão diversas vezes, tanto na Vara Criminal de origem quanto na Câmara Criminal do Tribunal de Justiça sem obter êxito. Ícaro e Alan foram denunciados pelo Ministério Público no início de setembro por vários crimes pela morte de Johnliane.

Seu comparsa, Alan, está preso no presídio estadual Francisco D’oliveira Conde e recentemente pediu que fosse transferido para o Batalhão Ambiental já que supostamente estaria sendo extorquido por membros de um facção criminosa em troca de proteção na penitenciária. O Ministério Público se do contra a transferência e destacou que o Sistema Penitenciário tem a obrigação de tomar as medidas necessárias para garantir a integridade do réu.

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Acre

Acre compra helicóptero com seguro da aeronave danificada

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A frota do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) recebe na próxima sexta-feira, 2, mais uma aeronave, um helicóptero Esquilo B2. Batizado de Hárpia 04, a aeronave foi adquirida pelo governo do Acre com o dinheiro do seguro do Hárpia 02, totalmente danificado em um acidente sem vítimas no início deste ano.

Desde a semana passada, a equipe do Ciopaer está em São Paulo agilizando a documentação e testando a aeronave para o voo até Rio Branco. O coordenador do Ciopaer, Naick Trindade, disse que na segunda e terça-feira, os pilotos fizeram voos para testes na aeronave e avaliaram todos os itens de segurança. Um mecânico também integra a equipe da Secretaria de Segurança na missão.

O governador Gladson Cameli afirmou que o transporte aéreo no Acre não é luxo, mas uma necessidade, principalmente para as populações que vivem nos lugares mais remotos e distantes das cidades. “A vinda desse helicóptero será muito importante para darmos continuidade aos serviços realizados com muita competência pelos nossos guerreiros do Ciopaer em todos os municípios acreanos. O nosso objetivo é fortalecer a frota de aeronaves do governo, para que possamos atender quem mais precisa e ajudar a salvar vidas”, afirmou Cameli.

O novo Harpia é do mesmo modelo do anterior, um Esquilo B2, porém mais novo, moderno e com menos horas de voo. Tem capacidade para transportar seis pessoas, incluindo a tripulação. O helicóptero, fabricado em 2013, possui cerca de 500 horas de voo.

Fonte: Notícias do Acre

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