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Câmera escondida filma acadêmicos do curso de medicina descumprindo código de ética médica

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O artigo 30, capítulo III do Código de Ética médica, deixa claro que é vedado ao médico “delegar a outros profissionais atos ou atribuições exclusivas da profissão”.  Se o médico não pode delegar a outros profissionais o seu trabalho, ele pode delegar ao estudante de medicina tamanha responsabilidade sobre a vida de um paciente?

Esse é o debate que invadiu as redes sociais e que vem sendo o grande calcanhar de Aquiles dos estudantes do curso de medicina da Universidade Federal do Acre. No facebook, rolam soltas as denúncias de exercício ilegal da profissão. Em depoimento assustador, Keline Nere conta que quase ia sendo operada por 8 estagiários da Ufac. “Pra meu desespero, ao deitar na maca, o único médico presente perguntou para os alunos do curso de medicina qual era a cirurgia que eles iam realizar”, declarou.

O caso embora pareça novo, é um velho conhecido do Conselho Regional de Medicina, que recebeu em 2009 a primeira denuncia protocolada pelo estudante Adriel Lima Guimarães. Diante de tanta morosidade, o ac24horas foi convidado a dar um flagrante em um desses procedimentos que se tornou rotina nos Postos de Saúde do município.

Com a ajuda de uma câmera escondida e com a contribuição de Willamis França que fazia gravação para o programa CQACRE [se passando como paciente], a reportagem chegou ao Posto Dr. Nímio Isfran Martinez, no Conjunto Universitário. Mesmo chegando atrasado para a entrega das fichas o “paciente” conseguiu sensibilizar a equipe e garantiu vaga para ser consultado após os pacientes já agendados. [Clique na foto para ampliar]

Observem nas imagens do vídeo abaixo que desde a recepção na porta do consultório até o final da consulta, o procedimento feito pela acadêmica que se identificou como Bruna acontece sem a presença do preceptor. Ela fez anamnese no paciente. Bruna não sabia que estava sendo gravada.

Depois de registrar o flagrante, a reportagem foi conversar com o médico, Dr. Pablo Rodrigo A. Silva. Sem saber que havíamos gravado o atendimento, o profissional vendeu uma imagem perfeita do acompanhamento presencial pela preceptoria aos acadêmicos. A conversa mudou depois de revelarmos o conteúdo do vídeo.

– Esses pacientes todos são conhecidos por mim. Muitas vezes o atendimento não acontece dessa forma porque são renovações de receituários – declarou.

O “paciente”, no caso o Willamis, fazia a sua primeira consulta e não era um velho conhecido do médico. Pablo reclamou da falta de estrutura para a realização ideal do que determina o código de ética. Mais grave, ele afirmou que naquela unidade assim como em todas os demais do município e do Estado, existem poucas salas e médicos em números insuficientes para o acompanhamento dos acadêmicos.

Um abaixo assinado contendo mais de 80 assinaturas e que denuncia mais uma vez a estrutura do curso de medicina e o que vem ocorrendo nos Postos de Saúde do município, deverá ser protocolado na próxima semana no Ministério Público Federal. Documentos já foram protocolados no órgão em junho de 2007. Um inquérito chegou a ser aberto, mas foi arquivado.

Procurada, a presidente do Conselho Regional de Medicina, Dra. Dilza Ribeiro não estava no órgão. A redação entrou em contato com sua assessoria de imprensa que até a edição deste material não deu retorno às informações solicitadas.

O secretário de saúde do município, Dr. Osvaldo Leal, segundo sua secretária, estava em reunião desde 14h30 da última terça-feira (01). A reportagem foi até o seu gabinete, no prédio localizado nos autos do Jornal A Tribuna. As 17h10, depois de anotar o conteúdo da entrevista solicitada e dar ciência a Osvaldo Leal, sua secretária retornou e disse que o mesmo não poderia atender. Não foi dado nenhum retorno ao telefone da redação até o final desta quinta-feira (3).

Veja vídeo CQAcre

Jairo Carioca – da redação de ac24horas
[email protected]
Colaboração de Willamis França [CQ-Acre]

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Acre

Coronel assume subcomando geral do Corpo de Bombeiros no Acre

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O Coronel Charles da Silva Santos assume oficialmente nesta quarta-feira, 21, como subcomandante geral do Corpo de Bombeiros Militar no Acre. A nomeação foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) de hoje. De acordo com o órgão, Santos estava há oito meses como Coordenador Estadual do Fundo de Segurança Pública e Coordenador Operacional do CIOSP da Secretaria de Estado e da Segurança Pública. Ele já foi Comandante Operacional de Rio Branco e do interior e chefiou o gabinete do Comandante-geral.

O novo subcomandante é bacharel em Ciências Contábeis, com pós-graduação em administração pública e Segurança pública. Agora, irá conduzir a corporação ao lado do comandante-geral, Coronel Carlos Batista.

Coronel Charles garante que está preparado para a nova missão. “Darei irrestrito apoio as demandas do Comandante-geral e consequentemente da corporação. Junto com os Oficiais, praças e funcionários civis, faremos uma administração boa para todos, visando nosso público mais importante que é a comunidade acreana”, disse o novo Subcomandante.

Com informações da Assessoria

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Acre

Gladson Cameli torna sem efeito promoções de PM’s e Bombeiros

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Após a reportagem do ac24horas, na qual o Ministério Público do Acre (MPAC) recomendava a revogação das promoções de agentes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Acre pelo cometimento de ato improbidade administrativa, o governador Gladson Cameli (Progressistas) acatou a recomendação do Ministério Público e tornou sem efeito o Decreto nº 3.161, na manhã desta quarta-feira, 21, por meio do Diário Oficial do Estado do Acre (DOE).

RELEMBRE O CASO – Em suma, o MPAC pedia a revogação das promoções de agentes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Acre e advertia ainda da necessidade de readequação dos gastos com pessoal, uma vez que tal decisão gera impacto nas contas públicas. O MPAC havia estipulado um prazo de 15 dias para manifestação do governador.

Tal decisão, infligiu a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e desconsiderou o que prevê o Artigo 12 do Decreto nº 114/1975, no qual determina que as decisões envolvendo promoções devem se dá “mediante proposta do Comandante Geral da Corporação, ouvido o Estado Maior do Exército, através da IGPM”. Gladson descumpriu e ignorou tal determinação.

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