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Hohemberger fala sobre seu sonho de ser desembargador

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No Acre há 18 anos, ele foi juiz eleitoral no biênio 2008-2010, experiência que contribuiu para o seu desejo de concorrer à vaga de desembargador. Mauricio Hohemberger foi o único advogado dos três primeiros colocados na lista sêxtupla decidida pela OAB na última quarta (24) que topou o desafio do ac24horas, de falar sobre essa vontade de pertencer à corte do judiciário do Estado do Acre.

As 10h34 a redação ligou para o telefone 322* 285* do escritório do advogado Odilardo José Brito Barros e sua secretária afirmou queinterno ele estava em reunião. Ele não deu retorno para o número informado pela redação. AS 13h10, o primeiro colocado da lista, advogado Roberto Barros, deu retorno à ligação feita pela redação. “Ainda estou agradecendo os advogados que votaram em mim, agradeço, vou anotar o telefone e mais pra frente concederei a entrevista”, disse Barros.

Hohemberger concedeu entrevista na sala da OAB. Entre um abraço e outro de colegas da advocacia que lhe cumprimentavam pela difícil vitória, ele disse que “é muito importante que o desembargador do quinto constitucional tenha consciência de que sua missão é um pouco diferenciada”. Para ele, ninguém melhor do que o advogado, que vem dos balcões dos cartórios, para saber as dificuldades que um profissional tem. Ele manifestou o desejo de dar continuidade ao trabalho que iniciou no Tribunal Regional Eleitoral, do qual, afirmou se sentir lisonjeado.

– Nós precisamos ter um representante que não tenha vergonha das suas origens, pelo contrário, que tenha orgulho de ser oriundo do quinto constitucional tão combatido pela AMB até em face do procedimento de escolha – comentou.

Quando perguntamos qual o conceito do advogado com relação ao atual sistema carcerário do Acre, o mais populoso do Brasil, Hohemberger disse que “essa é uma grande ferida na sociedade brasileira”. Ele acrescentou que o sistema carcerário do Acre, mesmo com suas limitações não é o pior. Mas apontou duas prioridades que em sua opinião, resolveriam o problema:

– Primeiro, que seja um sistema que atinja os seus objetivos de ressocialização. Não temos hoje essa referência, ou seja, a pessoa comete um crime de menor potencialidade e simplesmente ela vai para dentro de um sistema que por questões de sobrevivência, lhe deixará muito mais agressiva. Não tem estrutura para ressocialização. É a pós-graduação do crime – disse Hohemberger.

A segunda prioridade apontada pelo experiente advogado é a do Estado entender que precisa investir no menor abandonado, nas pessoas mais necessitadas. Ele é contra o que chama de Bolsa Migalha, “que mantém o cidadão em sobrevida”, disse. Hohemberger afirmou ainda, que os mais pobres precisam de um investimento social de qualidade.

– Enquanto não tivermos isso, vamos precisar gastar milhões no sistema carcerário e mais bilhões em metralhadoras e balas – voltou a comentar o advogado.

A reforma processual também foi uma das pautas analisadas durante a entrevista. A nova lei 12.403 aumenta a importância da autoridade de Polícia Judiciária, ao permitir a fiança para um conjunto maior de crimes e ao conceder-lhe papel de coprotagonista na persecução penal. Ao analisar Hohemberger disse que o desembargador precisa atuar de forma plena de acordo com o princípio da reserva legal.

– Chegamos a um estágio que presos provisórios ultrapassam o número de presos condenados. A lei veio para revisar essa situação, porém, não significa dizer que aquela pessoa que está presa provisoriamente tenha que ganhar liberdade, ela tem que preencher os requisitos para ser colocada em liberdade – analisou.

Hohemberger encerrou a entrevista afirmando que tem um sonho de Justiça igual para todos. Afirmou que deseja terminar seus dias advogando para pessoas paupérrimas. O advogado manifestou ainda a necessidade da humanidade entender que precisa tratar todo mundo de forma igual, independente de raça ou de nacionalidade.

– Enquanto as autoridades não tiverem essa sensibilidade, o mundo estará em constantes guerras, de crimes do colarinho branco, de políticos de que dizem amém ao demônio, fazendo uma série de falcatruas, isso é uma situação que não me dá paz no coração. Sei que não vou concertar, mas a minha visão é essa – concluiu.

Jairo Carioca – da redação de ac24horas
[email protected] 

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