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Coluna do Nelson

O uso de drogas e o suicídio devem ser combatidos por ações silenciosas

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Obviamente que não sou o dono da verdade e nem tenho essa pretensão. Mas a minha experiência de 40 anos com comunicação social me ensinou algumas coisas. Por exemplo, nunca vi uma campanha antidroga dar resultado. Ao
contrário, incita a rebeldia dos mais jovens a conhecer o proibido e desperta ainda mais a curiosidade. Imaginem quantas campanhas contra as drogas já foram feitas no Brasil. E pergunto: diminuiu o número de usuários? Não,
aumentou consideravelmente. Quem quiser é só verificar as estatísticas. Esse é um problema social que se agrava e só pode ser minimizado através de ações concretas que diminuam a pobreza material e psíquica gerando oportunidades aos jovens. Não é com a mídia que se resolve. Quem escolhe esse caminho do vício está buscando transgredir os códigos vigentes da sociedade. Então as propagandas antidrogas funcionam como espécies de porta-vozes oficiais do “sistema” que são justamente os objetos de transgressão dos usuários. O dinheiro gasto nessas campanhas que enriquecem as agencias de publicidades poderia ter um uso mais prático com ações de aproximação direta, por pessoas preparadas, com esse público em evidente vulnerabilidade social e psíquica.

Outra coisa, gente que não conhece drogas dar palestra em tom moralista sobre o assunto é perda de tempo. Um trabalho que recomendo por já ter visto resultados positivos é o do Narcóticos Anônimos (NA). Sem nenhum tipo de
vinculação religiosa, é coordenado por ex-viciados que têm uma experiência real sobre o assunto. Mas sinceramente não sei se tem algum centro do (NA) aqui no Acre.

Suicídio: ainda pior
O Acre está vivendo uma epidemia de casos de suicídios. Que em alguns casos estão relacionados com as drogas ilícitas (narcóticos) e as lícitas (álcool e analgésicos). Algo quase inexplicável para um Estado Amazônico em que o Sol brilha o ano inteiro. Tampouco será com campanhas publicitárias que vão desencorajar os suicidas em potencial. Na realidade, vejo um oportunismo mórbido nessas campanhas que acabam encorajando ainda mais pessoas a
atentarem contra a própria vida.

Ações silenciosas
Jesus afirmou aos seus discípulos: “Não deixe a sua mão esquerda saber o que a direita está fazendo”, se referindo à caridade. O que pode demover uma pessoa a tirar a própria vida é a atenção, o amor, a doação e a solidariedade verdadeira. E quem ajuda não deve tocar as trombetas, mas agir com discrição e silêncio.

Chamar a atenção
A dor interior que sente uma pessoa desesperada é imensurável. O suicídio não deixa de ser um grito ou uma expressão desse sofrimento. As ações para ajudar essas pessoas devem ser silenciosas. A divulgação generalizada não ajuda a conter essa onda mortal, mas incentiva novos casos de suicídios. Quem quer se matar é porque quer também ser notado. É o que acho!

Palavra amiga
Quem realmente quiser ajudar que procure identificar entre as pessoas da sua convivência aquelas que precisam de uma palavra amiga. Ouvir o outro é muito importante. Não se arvore em querer aconselhar, simplesmente, ouça e deixe o seu semelhante extravasar. Essa é realmente uma grande ajuda.

O mal da depressão
Essa é uma doença moderna. São muitas informações simultâneas para as pessoas processarem e assimilarem. Sem falar nos desejos fomentados pela sociedade de consumo que não podem ser todos atendidos e geram terríveis frustrações. Os resultados estão aí. Nota-se que a maioria de casos de depressão e atos extremos no Acre é entre jovens e pessoas de classe média. Então não é algo relacionado diretamente à carência material, mas emocional. A depressão é uma doença que deveria ser tratada a serio pelas nossas autoridades de saúde pública.

Não julgues…
O julgamento que se faz das outras pessoas é fatal. Isso intimida terrivelmente quem precisa ser quem realmente é.
Aí entram as culpas e as limitações moralistas determinadas por algumas denominações religiosas. Tenho impressão que uma das causas de depressão e consequente suicídio é a sexualidade. Entre os muitos problemas a homossexualidade ainda não aceita e discriminada pela nossa sociedade é um dos mais constantes.

Reflexão
Não sou psicólogo e nem pedagogo. Estou escrevendo baseado na minha observação do mundo ao meu redor como jornalista. E aconselho o autoconhecimento para quem quer vencer a depressão. Nesse sentido, a meditação é um instrumento poderoso para as pessoas se conhecerem. Meditar não tem nada a ver com religião e nem pertence a nenhuma delas. É uma técnica de autoconhecimento que facilita o discernimento para enfrentarmos os nossos problemas cotidianos sem entrar em desespero. A minha contribuição será em breve lançar um programa em elaboração que batizei de Medita Acre. Pretendo repassar um pouco do meu conhecimento de meditação para quem estiver interessado. Será em lugares públicos e sem nenhum custo. Como um beija flor que tentava apagar um incêndio numa floresta imensa quero também fazer a minha parte. Jay Jay!

Obs.: Sem clima nessa coluna para falar sobre política. Estou mais preocupado
com a vida. Peço desculpas aos meus leitores habituais.

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Caminhos abertos para candidaturas ao Governo de uma terceira via

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Terceira via é uma força de expressão, mas na verdade existe a possibilidade de haver várias candidaturas ao Governo do Acre, além das duas previstas. As confusões para as indicações dos vices na oposição e na FPA podem gerar descontentamentos e dissidências que incentive outros candidatos a concorrerem ao Palácio Rio Branco. É bom que isso ocorra. Na minha opinião, essa polarização entre o PT e a oposição não reflete a pluralidade da sociedade acreana. Tenho visto pessoas comuns que não querem votar nem em Marcus Alexandre (PT) e nem no Gladson Cameli (PP). O argumento principal contra o prefeito de Rio Branco é o fato de ser do PT. Para muitos Marcus certamente manteria esse mesmo time que manda no Acre há 20 anos. Alguns têm cargos comissionados há tanto tempo que com mais um Governo do PT poderão até requerer aposentadoria. O vício do poder não agrada parte da população. Por outro lado, existem muitos questionamentos sobre a capacidade de gestão do senador. Ele terá que mostrar o quanto entende de administração pública. Sem falar nas confusões políticas que acontecem ao seu redor. Por exemplo, vários personagens foram convidados a serem seu vice. Chegou ao cúmulo de Gladson fazer duas reuniões no mesmo dia, no PSDB e no DEM, prometendo as mesmas coisas para os partidos. Sendo que a lei da física não mente porque é imutável e dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. Existem descontentamentos e suspeitas em casos que ainda estão sendo apurados como a distribuição de Casas da SEAB e o desvio de dinheiro público da EMURB, nas gestões do PT. Mas também acontecimentos contraditórios que se tornam públicos e despertam a desconfiança e a falta de credibilidade em relação a oposição. É nesse vácuo que novos nomes podem surgir ao Governo com projetos para a mudança que a população espera no Acre.

Argumento frágil
O que refreia a formação de novos grupos políticos no Acre é o dinheiro. Por um lado, um candidato terá o apoio da máquina pública nas mãos do PT. E a oposição escolheu um candidato que vem de uma das famílias mais ricas do Norte do país.

Vale quanto pesa
Mas será que só o poderio financeiro é o suficiente para eleger o novo governador? Não seria necessário também um projeto social de transformação que contemple uma parcela maior da população? As pessoas se contentam em receber uma pequena vantagem qualquer em troca de rifar o futuro do Estado?

Possíveis vias
O PSDB depois de tomar uma bola nas costas na chapa de oposição poderia ser uma dessas alternativas. O PDT, caso não tenha seu vice indicado na FPA, também já anunciou que poderá ter um candidato ao Governo. Sem falar no DEM que, no momento, é uma incógnita. Outros partidos como a Rede e o PSOL também deveriam levar a sério a possibilidade de candidaturas.

Morderam a isca do PT
Uma das maiores fantasias criadas na política do Acre foi a famigerada “união das oposições”. O marketing petista criou a “lenda” de que a oposição só merece ganhar se estiver unida. A isca foi digerida e alimentada pelos próprios oposicionistas. Se matam tentando uma união na “marra” quando a diversidade de interesses pessoais e partidários naturais transformam-se em verdadeiras dinamites internas.

Mapinguari
Já escrevi sobre isso e vou repetir, essa história de união das oposições só existe no Acre. Imagine se no Rio, São Paulo e outros estados importantes haverão apenas duas candidaturas aos seus Governos. A eleição é justamente em dois turnos para que as forças partidárias se apresentem à população com as suas propostas. Mas muitos políticos acreanos continuam a acreditar em Mapinguari.

Lenda
Também costuma-se dizer no Acre que se a eleição for para o segundo turno o PT ganha. Dá vontade de rir de tanta ingenuidade. O PT ganhou as mais recentes eleições para o Governo porque jogou melhor ao transmitir a sua proposta. Inegavelmente profissionalizou a política no Estado. E, se tinha vantagens financeiras, soube usar melhor do que a oposição. Mas nesse momento essa vantagem não existe mais.

Quadro de momento
O poder em Brasília está na mão do PMDB e dos seus aliados, entre eles, o PP e o PSD. Obviamente que vão socorrer os seus partidários no Acre. E o candidato da oposição não é um “duro”. Então nesse aspecto financeiro vejo o jogo empatado. Vai ganhar quem se atentar aos detalhes.

Carisma ainda conta
Mas acredito que se aparecer alguém com uma proposta de mudança bem estruturada e que tenha carisma pode colocar em risco essas duas maiores forças políticas do Acre. Nem todo eleitor se vende por um punhado de dinheiro.

Como uma onda
Uma onda começa como uma marola, mas se for bem impulsionada pelos ventos pode se transformar num tsunami. Nada estará resolvido até o dia 5 de outubro de 2018. Absolutamente todos que entrarem no jogo terão chances.

Erros de estratégias
Gladson Cameli está em campanha para o Governo desde o dia que ganhou o Senado, em 2014. Marcus Alexandre se tornou o nome natural do PT ao vencer no primeiro turno, com muita facilidade, a disputa pela prefeitura da Capital, em 2016. Mas essa precipitação toda tornou os dois vidraças da opinião pública. Se surgir uma novidade, em 2018, vai fazer barulho, acredito eu.

Debate e plano de gestão
É preciso estar preparado para enfrentar uma campanha. Não é com palavras ao vento que se vence. Os partidos políticos do Acre se esqueceram da importância do debate de ideias e de apresentarem projetos para gestões eficientes. Se preocupam muito mais com o quanto terão para gastar nas eleições. Essa frase poderia ser trocada por quanto disporão para “comprar”. Uma tragédia, enquanto a população padece dos mesmos problemas de falta de emprego, uma segurança pública ineficaz, uma educação meia-boca e uma saúde de quinto mundo. Ainda há tempo para que a campanha de 2018 do Acre se torne produtiva. Que possa despertar nos eleitores a esperança de dias melhores. E que novos grupos realmente comprometidos com as mudanças possam surgir para enriquecer os debates.

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“Tribunal de Faz de Conta” celebra 30 anos com a elite política do Acre

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Enquanto estava aquela quentura (como se diz no Acre) do lado de fora na Avenida Ceará, Rio Branco, dentro do prédio do Tribunal de Contas do Estado (TCE), as autoridades acreanas se reuniam, protegidas por seguranças e potentes ares-condicionados. Comemoraram os 30 anos da entidade responsável por fiscalizar o dinheiro público do Estado, na sexta, dia 15, durante uma manhã inteira de longos discursos e homenagens. O calor externo e o clima quase suíço no auditório do TCE talvez sirva para mostrar a contradição entre a realidade das ruas habitadas por pessoas comuns com a elite que governa o Estado, desde sempre, numa perpétua dança de troca-a-troca conveniente de personalidades e partidos. O paradoxo é que a expressão irônica “Tribunal de Faz de Conta”, foi cunhada pela então deputada estadual do PT Analu Gouveia, atualmente uma das sete conselheiras do TCE, para se referir à ineficácia do órgão do qual agora faz parte. Acho que a Analu, que não participou do evento por estar de férias, se referia a um tempo de gastanças do erário público ao bel prazer dos governantes. Mas será que isso mudou? Não tenho parâmetros para avaliar se realmente nesses 30 anos, com a atuação do Tribunal, o dinheiro do povo acreano está sendo melhor utilizado. O que sei é que os problemas com segurança pública, saúde, transporte e educação aumentaram bastante nos últimos anos. Se investiram corretamente os recursos públicos nessas áreas delicadas só quem pode responder é o próprio TCE, mas esses temas não foram abordados durante a celebração. Obviamente que ninguém iria apontar o dedo na cara de ninguém. O momento era de comemoração e de se escrever matérias “chapas brancas” em que, como nos contos de fadas, todos serão felizes para sempre.

Na hora H, todos juntos…
Agora o que me chamou a atenção foi a cordialidade entre os políticos do PT e da oposição. No Acre, pelo atual quadro político eleitoral, tudo caminha para continuar exatamente como sempre foi. Não esperem grandes escândalos ganhando a FPA comandada pelo PT, ou a oposição. A elite não condena a elite. Ninguém vai revolver o passado, seja quem for o próximo governador. Lá estavam todos muito cordatos e educados com todos. Dava gosto de ver…

Besta é tu
É nessa hora que me lembro das escaramuças e de trocas de ataques nas redes sociais entre os internautas militantes dos dois lados da nossa política. Enquanto se digladiam, por este ou aquele candidato, terminada a eleição, todos se confraternizam e se abraçam nos bastidores. Se bobear eles até brindam com champanhe enquanto sobra processos, ódios, rancores e inimizades para os tolos…

Dividiram até o Montana
O clima de fraternidade entre os políticos de “lados opostos” era tão grande que o anão Montana Jack transitava faceiro entre os senadores Sérgio Petecão (PSD) e Jorge Viana (PT). Conversava no “pé de ouvido” com os dois, sabe-se lá sobre o quê. Nos bastidores se dizia que Montana já até definiu os seus dois votos ao Senado, em 2018.

Zoom geral
Mas o número de políticos chamava a atenção durante a solenidade do TCE. Os mais importantes estavam lá. O governador, o prefeito da Capital, o presidente da ALEAC, os três senadores e alguns deputados federais e estaduais. Afinal, são eles que mandam no Acre e nos recursos públicos. O Tribunal é o órgão fiscalizador e nunca se sabe quem pode eventualmente cair em “desgraça”. Até alguns prefeitos e vereadores do interior estavam lá em pose de “notáveis”. Ninguém sabe do futuro…

Por toda a eternidade…
Entre os conselheiros todo mundo sabe quem foram os políticos que indicaram cada um aos cargos perpétuos. Não sei se no TCE existem nomeações técnicas de conselheiros sem nenhuma interferência política. Mas aí cabe uma indagação. Como um conselheiro vai condenar alguém que o ajudou a chegar ao cargo? Mesmo eu acreditando na lisura e na imparcialidade de cada um dos conselheiros, a pergunta procede, e já deixo o espaço aberto para quem quiser responde-la.

Um olho acolá
A importância do TCE é tão grande na política do Acre que alguns dos seus conselheiros têm sido até especulados para eventuais vice de Gladson Cameli (PP). Será verdade? Prefiro não acreditar nesses boatos. Porque se isso for verdade ficará caracterizada a ambição política e de poder por quem optou em apenas fiscalizar. E isso não seria justo e nem ético …

Sabedoria popular
Agora, sem frescura. Quem pode avaliar se o TCE tem tido uma atuação efetiva é a população do Acre. Será que o cidadão ou cidadã acreana acha que a vida por aqui melhorou nos últimos 30 anos? O dinheiro público está sendo melhor fiscalizado? As Câmaras Municipais, as prefeituras, a ALEAC, o Governo do Estado, estão todos na “linha”? Mas como na solenidade não tinha “povo” para dar depoimentos sobre a importância do TCE para o Acre a gente não vai saber da resposta, por enquanto. Uma pena…

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Márcio Bittar: “Não tenho mágoa de ninguém da oposição e nem do PT”

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O ex-deputado federal Márcio Bittar (PMDB) irá se filiar oficialmente ao PMDB, nesta sexta, 15, no auditório da Livraria Paim, às 19hs, em Rio Branco. É esperado para o evento o presidente nacional do partido senador Romero Jucá (PMDB-RR). Especula-se que o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) também possa prestigiar o evento, mas ainda não está confirmado.

Bittar, será a aposta das principais lideranças peemedebistas, como o deputado federal Flaviano Melo (PMDB) e o ex-prefeito Vagner Sales (PMDB), para disputar uma das vagas ao Senado, em 2018, pela oposição.

No entanto, o anúncio do nome de Bittar na composição da chapa majoritária da oposição, vem criando algumas polêmicas internas. Notadamente o deputado federal Major Rocha (PSDB) e alguns parceiros do senador Sérgio Petecão (PSD) têm feito críticas públicas ao novo peemedebista. Conversei com Bittar sobre essas questões. Confira abaixo:

AC24horas – Márcio Bittar, como o senhor pretende pacificar os desafetos da sua candidatura ao Senado da oposição? Levando-se em conta que como candidato majoritário o senhor vai precisar de todo o apoio disponível?

Márcio Bittar – Primeiro, com alguns exageros aqui e acolá, não acho que nada tenha acontecido tão grave que impossibilite alianças. Costuma-se dizer que na política as pessoas brigam e no outro dia estão juntas. Isso não é só na política, mas é um comportamento normal do ser humano, na família, no ciclo de amizades e etc. Mas a política é mais assistida por todo mundo.

Da minha parte não tenho mágoa e nem rancor de absolutamente ninguém, nem com o pessoal do Governo do PT. É dialogando que se resolvem essas questões. Acho que já avançamos muito ao definir as candidaturas majoritárias do Gladson Cameli (PP) ao Governo, do Petecão ao Senado e, agora, o PMDB pleiteando a outra vaga.nAcho que isso está mais ou menos consensual. O PSDB e o DEM têm quadros à altura de compor uma chapa com o Gladson.

O PMDB em nenhum momento teve essa pretensão porque está satisfeito com a candidatura ao Senado. Tudo pode ser resolvido com uma única arma que é o diálogo. Não conheço nenhuma outra arma, principalmente, na oposição, para resolver essas desavenças que não seja dialogando, conversando e buscando o interesse maior que é a substituição desse modelo político que comanda o Acre há 20 anos.

AC24horas – Mesmo com o deputado federal Major Rocha, com quem o senhor teve vários desentendimentos, acha possível uma conciliação? Ele, inclusive, alega que o senhor tem encomendado gente na imprensa para ataca-lo.

Márcio Bittar – Quando eu faço esse comentário é para todos. É em relação ao Rocha, ao Petecão, ao Bocalom, a todo mundo. Não tenho nenhum problema em conversar com qualquer um deles. O Rocha foi meu candidato a deputado federal e não me arrependo. Ele cumpre um bom mandato de federal assim como cumpriu também de deputado estadual. Não controlo, não tenho participação e nem ajudo financeiramente nenhum veículo de comunicação do Acre. O que tenho são algumas amizades com jornalistas. Objetivamente não tenho problemas com o Rocha e nem com ninguém.

Estou num momento mágico. O PMDB ter me amparado e me acolhido é comovente. Um partido que tem dois deputados estaduais atuantes como o Chagas Romão (PMDB) que trabalha ao seu estilo sem abandonar o time. A Eliane Sinhasique (PMDB) que é uma pessoa com uma garra impressionante, totalmente dedicada ao mandato, uma mulher admirável.

Outros dois deputados federais, como o Flaviano que já foi tudo na política do Acre e tem uma experiência impressionante, sensato, que sempre foi uma referência pra mim. A Jéssica Sales (PMDB) que é uma revelação na Bancada Federal, uma pessoa que consegue, mesmo numa época de crise, liberar emendas extra-orçamentárias. Eu vi isso de perto no Juruá. Ela conseguiu milhões pra Cruzeiro do Sul e os municípios onde atua mais fortemente.

O quadro do PMDB tem vários vereadores, inclusive, o Roberto Duarte (PMDB), o mais votado em Rio Branco e prefeitos. Ganhar esse apoio me comove muito. Estou feliz em ter feito uma peregrinação pelo Estado com o Flaviano e o Vagner e, a minha filiação vai ser um dia de festa. Estou em paz e o coração tranquilo.

AC24horas – Os seus adversários da FPA e da oposição alegam que o senhor não têm vínculos com o Acre. Não têm mais bens e só vem em tempos de eleições. O quê o senhor diria sobre isso?

Márcio Bittar – Em relação ao que os adversários dizem ao meu respeito me dá até uma ponta de orgulho. Porque o que eu tenho basicamente é o meu nome, esse é o meu patrimônio. É o fato de ter passado por vários cargos importante e não ter respondido sequer a processos administrativos. Eu defendo ideias. Eu fui da esquerda e dei uma guinada ao longo de décadas. Hoje tenho uma visão totalmente liberal. Acho que o mercado da livre iniciativa é quem toca a economia, o Estado não tem capacidade para isso. Sou conservador no sentido clássico. A sociedade construiu valores que não devem ser rompidos de uma hora pra outra porque foram eles que nos trouxeram até aqui.

Como defendo ideias não tenho nada pessoal contra o Governo do PT, nem contra o Tião Viana (PT) e com o Jorge Viana (PT), muito menos. Acho que quando faltam argumentos então vêm as agressões. A crítica que sempre recebi, desde que disputei a prefeitura de Rio Branco, é que eu não sou daqui e que só venho de quatro em quatro anos. Isso é algo de quem não conseguiu encontrar nada substancioso contra mim, nenhum falta grave. Não podem dizer que sou alguém que diz uma coisa e faz outra.

Eu sou acreano desde os 10 anos de idade, mas nunca omiti que não nasci no Acre. Já tive oportunidades e convites de trabalhar e morar em outros estados. Governadores já me convidaram e não sei quantos políticos acreanos tiveram convites como eu tive. E sempre disse não. Isso para governadores e prefeitos eleitos de cidades muito bem colocados, com um bom padrão de vida, como Barueri (SP), por exemplo. Os governadores do Amazonas e do Mato Grosso do Sul já fizeram convites e eu disse não a eles. Aqui no Acre estão as minhas raízes.

Essas críticas são de quem não conseguiu me atingir e joga nesse terreno de que não sou daqui e não apareço. Até parece que tem eleições todos os meses, porque todos os meses eu estou aqui. Essa é uma opção minha porque não tem eleição todos os meses. Na minha casa tem contas de luz, de água, de telefone. Até eu brincava com a minha esposa Márcia que deve ter um fantasma morando na minha casa porque todo mês temos despesa. É preciso paciência porque nada disso me tira o foco. Mas no geral está tudo bem.

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