Conecte-se conosco

Charlene Carvalho

Festa das Nações

Publicado

em

Hora do almoço. Dia de almoçar com Jane Vasconcelos, que completará anos na quarta-feira e, estrangeira que é, precisa retornar hoje para a fronteira. Conversa vai, conversa vem, mostro um vídeo da Festa das Nações à turma e Andréa Zílio ao ver a desenvoltura do Paiva dançando música Moçambicana questiona:
Que lindo, queria ter ido a essa festa! Por que tu não me convidaste?
Convidei, Andréa. Convidei vocês tudim e mais de uma vez.
Rachel Moreira vem em minha defesa: verdade. Convidou mesmo.
Quando?
Naquele dia que deu treta por conta dos solteiros-crentes no grupo, lembra?
É, lembrei… poxa… queria ter ido. Como ele dança…amo danças africanas…
Mas Andréa é música de crente…
É linda. Gostei. Quero ir.
Na próxima te chamo de novo, pode deixar.

Final do dia, hora de tomar café para mais uma pré-comemoração com Genézia (Jane). Sentadas em volta de um Gelatto de qualidade mediana, Alex Machado me diz:
Chachá, o Itaan amou aquelas camisas dos teus amigos da festa. Ele quer uma!
As camisas africanas da Festa das Nações?
É, aquelas que tu postaste no Face…
Essas (abro o celular e mostro uma foto)?
Essa aqui ó (e aponta para a camisa do pastor Daniel Batistela) …
Posso garantir não. Essas camisas ele trouxe de viagens missionárias que fez. Mas tenho uns tecidos africanos lá em casa. Se ele gostar te passo para ele fazer uma…
Tá. Vou cobrar. Vi muita gente lá. Gostei das fotos. Festa animada, hein?
Foi mesmo! Festão.

Seguimos a conversa sobre quem estava lá e como as pessoas – nas duas rodas de amigos – não imaginam reunião de crente pode ser animada.

Ser crente é algo espetacular. Mas confesso: é engraçado como meus amigos imaginam que seja nossa diversão. É tipo achar que porque uma pessoa é de oração, passa 24hs em intercessão contínua. E porque não tem bebida, a vibe é meio cinza, quando na verdade tem mil cores de alegria e diversão. Sim, somos alegres. A gente canta, dança, come, conversa, se diverte e até… bem você sabe… olhamos para o lado (naturalmente para os (as) sem compromisso, porque somos servos e não cegos. Paulo Sampaio Jr., Nathália Silva e Vinícius Charife podem te explicar melhor…

Ontem ouvi muitos comentários das fotos e vídeos que postei da Festa das Nações. Foi legal perceber que as pessoas começam a tirar a escaramuça ao nosso redor. Diga-se, todos foram excelentes comentários. Vi alguns likes preciosos por lá. De pessoas que estão sempre olhando a timeline, mas só observam e, apesar disso, fizeram questão de dar um gostei nas fotos. Foi bem legal.

Não posso deixar de dizer que muitos estavam surpresos pelo sucesso e pela alegria dos presentes. Mas deixa eu explicar: festa que tem amigos, comida de alta qualidade e boa música só pode ser festão, né? A Festa das Nações é assim desde a primeira edição. Estão aí Raquel Eliane, Raquel Alexandrino e Alexandra Albuquerque, “parças” desde a primeira edição e presentes todos os anos, que não me deixam mentir.
Então é isso…

Obrigada a todos que aceitaram o convite e se fizeram presente. Obrigada também aos que não puderam ir e contribuíram com missões. Que Deus os restitua em boa medida, recalcada e sacudida. E, claro, ano que vem tem mais.

Amanhã prometo mais fotos. Por hoje deixo vocês com essas e abaixo um vídeo bem caseiro que apesar da baixa qualidade, mostra um pouco do que foi a festa deste ano:

Daniel Batistela, líder da Base Jocum/Acre, Sinésio Paiva, moçambicano e o melhor bailarino que você respeita, Gerson Ribeiro, pioneiro de Missões no Norte/Nordeste e Jocum/Brasil e Arlis Maximiano, um dos melhores especialistas em missões mundiais com atuação no Brasil. Ouvi-lo nos anima a continuar acreditando nos sonhos que Deus colocou em nossos corações

Essa minha foto com Alexandra Taveira, Raquel Alexandrino e Raquel Eline é só para lembrar que somos pioneiras: presentes em todas as edições!!

Pastora Fátima Batistela, idealizadora, organizadora e entusiasta da Festa das Nações. Gratidão por termos uma festa tão linda. Gratidão por sua amizade, cuidado e zelo. Jamais poderei expressar em palavras o amor que me une à senhora, pastora

Pastor Gerson Ribeiro, preletor, professor de Epitat, pioneiro em missões que nos reanimou a todos sobre a o ide e sobre a grandeza do servir. Obrigada, obrigada!!!

Mestre Paulo Sampaio, pastor Daniel Batistela e o casal Alan Rick e Michele Miranda, que anualmente se fazem presente na melhor festa da comunidade cristã acreana

Vinícius Charife, Fábio Brandão, Nathália Silva (eu rsrsrsrs) e Paulo Sampaio. Louvo a Deus por esses meninos que não me deixam esmorecer. Cês são parte do meu combustível de felicidade, seus cansados!!!

Tem overdose de foto minha, sim!! Não sou de aparecer (hahahahaha), mas essa foto merece. Pastor Daniel Batistela, mais que um líder, um amigo de todos. Muito do que sou hoje, o sou porque ele nunca deixou de acreditar em mim. Principalmente quando eu mesma não acreditava. E nunca deixou meu lado menina parar de florir. O senhor e Fátima moram no meu coração. Brigaduuuuu…

Percília, amiga da tenda árabe, mulher segundo o coração de Deus. Como é bom dividir os dias contigo!

Meninas da barraca da Índia que esse ano estava mais que especial com um arroz apenas perfeito. Valeu!!

Vinicius, nem te agradeci por ter ido. Sei que fostes por minha causa (me acho, mas a verdade precisa ser dita, né??). Amo-te muito. Somos parceiros na caminhada (aquela do Igor, lembra?). Andriele e Gisele Lucena: bom demais ter vocês cada vez mais perto. Parabéns pela organização do espaço indiano

Jéssica e Rúbia. Meninas, você nem tem ideia de como as quero bem, como as amo do fundo do coração e de como é precioso encontrar vocês, rir com vocês. De longe os melhores looks todos os anos. Ano que vem estaremos juntas de novo, se Deus quiser!

E para finalizar o vídeo. A qualidade não é muito boa, mas a música é contagiante. A voz do Marcelão nos eleva e a dança do Paiva, bem a dança do Paiva não tem definição. É pura adoração!

Continuar lendo

Charlene Carvalho

Diamantes não riscam. Como você cuida dos seus?

Publicado

em

Li uma frase que me pôs a pensar. Nela estava escrito: diamantes não riscam. E isso é absolutamente verdadeiro. Só um diamante arranha outro diamante, o que mostra a singularidade de uma das pedras preciosas mais amadas pelas mulheres.

Fiquei a pensar no significado da frase. Na vida, somos facilmente machucados pelas atitudes do outro, mas quem realmente tem a capacidade de nos ferir?

No geral, aqueles que nos ferem de morte são os que mais amamos. São nossos próprios diamantes. Nossas emoções – pedras nem sempre lapidadas- São resistentes, mas pouco resistem às ranhaduras daqueles que amamos.

A última semana foi de profundo aprendizado e conhecimento. Foi tempo de compartilhar, renovar as forças e, acima de tudo, realinhar o prumo e o rumo a seguir. Naturalmente falo de mim, mas sei que tem sido assim foi para muitas pessoas.

Nesse tempo aprendi muito sobre amar, servir e cuidar. Tenho pedido paciência. Alguns amigos me pedem paciência de volta. A vida é assim. Um dá o outro recebe. Um recebe é outro dá. Por isso tenho procurado ter o máximo de cuidado com aqueles que me são preciosos. Não gosto de ser machucada. Já o fui por demais nessa vida. Pedra bruta, bruta flor, o que me lapida a alma é o amor. Você ama? Não risque seu diamante. Assim evitas que o brilho eterno do seu sorriso se apague…

E, claro, tenha paciência. Sempre e sempre.

Bom dia, boa tarde, boa noite!

Jane Vasconcelos, amiga querida e sempre presente em minha vida, fez aniversário na quarta-feira. Pessoa da melhor qualidade, merece todo o sucesso do mundo na secretaria de comunicação da prefeitura de Brasiléia. Parabéns, Genézia!!

Almoço
Recebi convite para conhecer um novo sanduíche com cogumelos marinados e sorvetes de M&M. Não me julguem e não me condenem pela escapadinha na dieta. Vou lá provar porque não cai bem recusar convite de amigo, né??

Boticário
Outro convite que não vou recusar é o de conhecer a nova linha Match de O Boticário para cabelos danificados e com frizz como o meu. O evento será na sexta-feira no Via Verde Shopping. Veremos se é tudo que diz na propaganda. Amigas que já usaram dizem que cumpre o que promete.

Diretora Mary Kay de sucesso, Sinara Miranda ganhou mais um belíssimo presente da marca por suas boas vendas. Vai receber em grande estilo no mês de outubro. Ela merece

Mary Kay
Falando em cumprir o que promete, experimentei a nova base líquida At Play Matte da Mary Kay pelas mãos da Sinara Miranda e só digo uma coisa: é excelente. Deixa a pele que é uma seda. Recomendo.

Blogueirinha
Leitor tu viu que eu tô blogueirinha, blogueirinha? Uma mocinha delicada cuidando do cabelo, da Make, mas derrapando ao enfiar o pé na jaca no sanduíche?

Modinha
Se acalme, se acalme. Deixe eu ser mocinha só de vez em quando. Vai que o meu sapo virou príncipe??? Tenho que tá preparada, não achas??
Hehehehehehe… parei de brincar. Vamos voltar à programação normal.

Foi apenas com o marido Menandro de Souza, os filhos e os netos que a desembargadora Eva Evangelista comemorou a idade nova no início da semana. Mulher competente, avó e mãe zelosa, merece todo o carinho da família

Amigos
E é grande a animação na turma dos amigos de Sena pelo grande encontro que vai acontecer a partir do dia 23, aproveitando as comemorações do aniversário da cidade.

Festa
Um dos eventos mais interessantes vai ser o baile da saudade no dia 23. Ainda há mesas – poucas – à venda. Você pode procurar a Juzeide Ganun em Sena ou a professora Nazaré Guedes em Rio Branco.

Futebol
Outra atração é o tradicional jogo de futebol com os craques do passado. Tudo organizado pelo Joscy Viana, que vem de Porto Velho para preparar tudo com esmero. Ah, tem a sessão de fotos também. Porque nós gosta de retrato e não é pouco.

Há vagas
Se você não se organizou, se organize pro encontro em Sena Madureira de 23 a 25 de setembro. Vem gente de Belém, Manaus, Porto Velho, Brasília… vai ser bom reencontrar os amigos. Procura o Carlinhos Batista pelo Facebook que ele te passa toda a programação.

Polícia Federal
Vocês acreditam que ainda não fui assistir Polícia Federal, o filme? Imperdoável, mas é verdade. Vou me redimir no final de semana. Domingo rola uma resenha.

Churrasco
Antes de ir embora, deixa eu te sugerir um almoço mara no sábado. É um churrasco para a construção dos banheiros da Igreja Batista Ágape do Conjunto Universitário. Além de comida boa, tem as melhores pessoas reunidas e custa só quinze reais. Vale a pena prestigiar a ajudar a obra da Igreja!

Continuar lendo

Charlene Carvalho

Independência ou morte?

Publicado

em

O que você faria com 51 milhões de reais? O que você faria com 300 milhões de reais? Muitas coisas? Que tipo de coisas? Poderia ser mais específico? Viajaria pelo mundo? Conquistaria aquele amor impossível com viagens, presentes caros? Faria uma repaginada geral no visual? Compraria uma casa para sua mãe? Quantas casas pode se comprar com 51 milhões de reais? Quantos apartamentos se compra com 300 milhões de reais? Quantos diamantes se compra com esse dinheiro?

Veja que estou a repetir quase exaustivamente estes números que você tanto ouviu falar nas últimas horas…

E repito porque nunca vou me acostumar com isso. Sinceramente não sei o que faria com tanto dinheiro. Mas sei exatamente o que jamais farei para ganhar esse tipo de dinheiro – suado e sofrido do povo – cuja a ausência no seu lugar de origem, mata, massacra, aniquila e fazer padecer meninos, meninas, mulheres, homens, idosos, toda a nossa gente humilde e sofrida que jamais terá acesso a uma única garrafa de Perrier desses nobres senhores das capitanias hereditárias do Brasil com z.

Nos últimos anos perdemos as contas dos escândalos que assolaram a nação. São tantos que se me pedires para quantificar não vou lembrar nem da metade. E a pergunta que me faço é: de fato, quantos bilhões foram desviados dos cofres públicos? Quantos bilhões foram transformados em joias, carrões e iates de luxo, apartamentos em endereços de magnatas? Quantos mais estão sendo desviados hoje, nessa hora que é agora? Quantas contas ocultas ainda há por aí? Quantos apartamentos cheios de malas ainda serão descobertos? Difícil dizer, né?

Hoje é dia da pátria. Dia da Independência. Normalmente aproveito o período para reclamar dos tocadores de fogo que destroem nossa saúde, afinal a semana do 7 de setembro é, ou era, tradicionalmente a semana de tocar fogo na pátria. Mas como se preocupar com os pironíacos, embora o fumacê esteja aí para nos dar bom dia, boa tarde, péssima noite! – se estão tocando fogo na nação? Como não usar aqueles emojis de boca aberta e mãos nas bochechas mil vezes diante de malas e malas de dinheiro em um apartamento usado para esconder dinheiro da propina? Como não se escandalizar com a afirmação do ministro que confirma propina de 300 milhões ao ex-chefe a quem acusa de ter feito uma “espécie de pacto de sangue” com a maior construtora do Brasil?

Difícil. Muito difícil. Queria está aqui a falar de flores. De amores. De esperança. De caminhos não percorridos. Mas não há como falar de flores. Precisamos falar sobre caráter. Caráter não define. Vamos falar português claro: sobre vergonha na cara. Sobre a necessidade premente que temos de mudar a nação, não importa quantos mais tenham que cair. E da esperança de que o espinheiro seja cada dia mais lançado no fogo.

O caráter (ou falta de, você escolhe) de boa parte da nossa classe política vem sendo gradativamente revelado. Os lobos em pele de ovelha estão tendo seus rostos escancarados. Revelados gradativamente. E ainda que digam que nada fizeram, que as provas não são contundentes, que as evidências não denotam crimes e que os velhos amigos agora são delatores-sem-alma-sem-caráter-e-sem-escrúpulos, que a justiça age em benefício de poucos e só tolhe os direitos dessa pobre gente tão boa e tão injustiçada, me pergunto se eles realmente acreditam no que dizem. Devem acreditar, né? Afinal tem aquela velha máxima de Joseph Goebbels tão amplamente comentada de que uma mentira contada mil vezes vira verdade…

Os discursos me assustam. De todos os lados. Esquerda. Direita. Centro. E até dos sem lado. E diante da gravidade da situação fico a pensar: será, sinceramente, que essas pessoas acham que nós, pobres mortais pagadores de suas gentilezas e safadezas, somos tão estúpidos ao ponto de não acreditarmos no que vemos? É claro que há inocentes. É claro que nem todas as provas levarão aos culpados, mas cada vez que vejo o “Follow the Money” funcionar, me animo e me entristeço.

Me animo na perspectiva de que um dia, ainda que eu não o veja, nossa nação será livre. Me entristeço porque vejo tantas pessoas sofrendo de miséria, fome, doenças, falta de emprego, dignidade, e que estariam em melhores condições se o dinheiro tivesse ido parar na sangria da corrupção que sustenta os diamantes, as farras em Paris, os jatinhos para viagens, os apartamentos na praia e nos paraísos da nobreza. Ah, Brasil, Brasil, até quando?

Enquanto escrevo recebo mensagem de um amigo. Vou replicar por sua importância no contexto: “Os piedosos desapareceram do país; não há um justo sequer. Todos estão à espreita para derramar sangue; cada um caça seu irmão com uma armadilha. Com as mãos prontas para fazer o mal o governante exige presente, o juiz aceita suborno, os poderosos impõem o que querem; todos tramam em conjunto. O melhor deles é como espinheiro, e o mais correto é pior que uma cerca de espinhos. Chegou o dia anunciado pelas suas sentinelas, o dia do castigo de Deus. Agora reinará a confusão entre eles.”(Miquéias 7:2-4)

Você pode dizer: estavas indo bem até meter Bíblia no meio. Ah, meu querido, entenda, entenda: já devias ter acostumado que em mim a fé se sobrepõem à razão filosófica. Vivo por fé. Para te explicar melhor vou usar palavras de outro amigo: “viver pela fé é a habilidade de manter a esperança em toda e qualquer circunstância. Fé é a habilidade de ver o futuro. E no futuro há esperança. ”

No dia do independência ou morte, minha vontade é repetir três vezes: Pedro, tu me amas? E sigo acreditando na dependência de Deus, na morte do meu eu, na esperança de que dias melhores virão. E que chegue o dia em que tentar enganar o povo seja como tentar esconder o amanhecer do galo.

Haja fé, hein?

Bom dia, boa tarde, boa noite, bom feriado.

Domingo voltamos com a programação normal
Carinhos meus,
Charlene

Continuar lendo

Charlene Carvalho

Quantos milhões de milhas você pode se distanciar do seu destino?

Publicado

em

As possibilidades são incontáveis e dependem muito do lugar para onde você quer ir ou para onde você NÃO quer ir.  Houve um tempo que ouvi muito uma música que diz: Toda estrada é uma ladeira escorregadia/Mas há sempre uma mão em que você pode se segurar/Olhando mais profundamente através do telescópio/Você pode perceber que seu lar está dentro de você… (93 Million Miles – Jason Mraz). Não a vejo como uma canção de amor (até porque não é mesmo), mas como uma bela metáfora do cotidiano. E como sou daquelas pessoas que ouvem milhões de vezes a mesma música, sigo, mesmo passado tanto tempo, ouvindo Jason Mraz para saber a quantas milhas estou (distante) dos caminhos para o qual Ele me preparou.

Destino… Quem acredita em destino? Quase todo mundo, certo? Errado. Se acreditássemos de verdade em destino não nos distanciaríamos tanto dele. Se realmente acreditássemos, deixaríamos a vida seguir seu curso natural. Vai me dizer que você é diferente? Fala sério, leitor! Tá querendo enganar a quem? A mim? Não seria a você mesmo? Pois é. Pare de se enganar. Sente aqui, vamos ter meio dedo de prosa e depois tu me contas o que pensas de verdade.

Te garanto que vale a pena…

Um dos meus escritores favoritos é um rabino. Seu nome é Nilton Bonder. Ele tem livros maravilhosos. Recomendo todos. Um em especial veio à minha memória esta semana ao folhear velhos escritos de 2011. Lá no meu caderninho (como ando a sentir falta dos meus moleskines) li uns comentários sobre situações difíceis que vivenciei no início de um profundo processo de mudança que me encontro desde 2010: “A sombra da sombra é a luz. Quando ficamos muito tempo na escuridão, nossos olhos começam a enxergar as luzes mais ocultas.”  E como disse Zuenir Ventura certa vez ao comentar o belíssimo livro Fronteiras da Inteligência, “não é a claridade, mas a escuridão que revela as estrelas.”


E é sobre escuridão, sombra e luz que quero falar hoje. Creio sinceramente nas palavras do rabino Bonder. E creio por ter vivenciado essa sensação. A vida é assim.  Há momentos em que você precisa se refugiar da luz (não da luz do mundo), mas da luz do dia-a-dia, a luz que vem com sombras, meandros, circunstâncias. Aquela hora em que você entra na caverna e como Elias pede para morrer. Não que você queira morrer de fato, mas a hora em que sua velha natureza precisa morrer para que o novo surja, para que o verdadeiro eu apareça e resplandeça.

Entrar na caverna às vezes (só as vezes) é necessário. Tem o mesmo efeito da águia que sobe ao mais alto cume para ali tirar com o bico cada uma de suas penas e até as unhas e depois vivencia a experiência de esperar as penas nasceram para que possa voar novamente. Mais leve e mais jovem. Mais limpa e mais pura. E ainda mais poderosa.

Entrar na caverna funciona assim também. E não precisa ser a caverna literal. Não há necessidade de esconder-se, trancar-se num quarto escuro e parar a vida.  É aquele momento em que você se volta pra você mesmo e decide reavaliar princípios e prioridades. A hora em que você apaga a luz do cotidiano, do seguir em frente e adiante de acordo com a conveniência e passa a olhar a vida com outros olhos. Os olhos de quem busca uma resposta na escuridão. Na profunda escuridão do seu ser. Naqueles lugares insondáveis que você nunca quis andar. O território proibido. O quarto trancado e que teve a chave jogada em água corrente naquela cidade para onde você nunca mais irá voltar.  É a hora em que você decide quebrar o cadeado e revirar o baú das significâncias, auscultar seu coração e descobrir que há luz por trás das sombras.

Nessa hora as palavras do rabino Bonder fazem todo o sentido, pois conseguimos enxergar além dos muitos véus que colocamos para esconder nossos verdadeiros sentimentos e emoções. E aí você geralmente descobre que pegou o caminho errado. Que a estrada por onde você caminha não é a sua estrada. Não é o seu lugar. E você se sente perdido, a milhões e milhões de milhas distantes da sua real vontade, da sua realidade, do seu destino. Se Jason Mraz diz na canção que toda estrada é uma ladeira escorregadia, ele também diz: “apenas saiba, que onde quer que você vá, não, você nunca está sozinho, você sempre voltará pra casa.”

A boa notícia é que você sempre pode voltar. Você sempre pode recomeçar. Portanto, caro leitor, se você está fora do prumo, do rumo, distante do seu caminho, não tem seguido o seu destino, anime-se! Há sempre uma segunda chance. Voltando às músicas, lembro-me agora de uma do Teatro Mágico que diz: “lapida-me a pedra bruta, insulta, assalta-me os textos, os traços/Me desapropria o rumo, o prumo, juro me padeço com você/ Me desassossega, rega a alma, roga a calma em minha travessia/ Outro “porquê”… Se perder sem se podar e se importar comigo/Aprender você sem te prender comigo.” O processo não é fácil. Às vezes desassossega a alma, mas vale a pena mudar.

Vale a pena sair da sombra para enxergar a luz. E o caminho que nos leva à luz é permeado de possibilidades. Nele conseguimos, se quisermos, enxergar o oculto. Olhar para dentro de nós mesmos e enxergarmos aquilo que nos negamos a ver não é fácil, mas a experiência é preciosa. Realinha o prumo, o rumo. E nos faz entender que aceitar é o melhor a fazer. Dói menos, inclusive.

Como disse o rabino Bonder em um artigo que reli recentemente: “E seja lá por onde nosso destino passou, seja lá o que levamos a cabo como nossas ações, sempre há as que aprovamos e as que desaprovamos. Isso porque há um Olho que vê e uma Mão que escreve no decorrer do tempo humano. Há tempo e há registro… Somos como naves que singram por oceanos de dimensões e profundidades para além de nossas grandezas e temos que zelar para não perder a competência de deslizar e fluir. A existência como indivíduo depende deste delicado contato entre a nau que precisa deslocar-se autônoma e a sustentação que tem que vir do amparo deste mar. Mas como ser livre e sustentado? Como ser móvel e flutuar? Como ser descolado e pendente ao mesmo tempo?”.

Penso que uma boa saída é deixar essa nau, que é a nossa vida, seguir o seu rumo, o seu destino. Quando nos desapegamos do medo e nos deixamos levar pela força das circunstâncias, de sentimentos nobres como amor ao próximo, caridade e servir, encontramos um sentido para o bem viver e nos reaproximamos, em milhões e milhões de milhas, daquilo que realmente nos sustenta e nos faz permanecer vivos: o destino para o qual fomos criados. Você sabe qual o seu? Se não sabe tá na hora de procurar saber.

Uma semana de muita luz e paz!

Carinhos meus,

Continuar lendo
Publicidade

Mais lidas

Copyright © 2017 Ac24Horas - Todos os direitos reservados.